Blind Faith e Scorpions: as capas chave-de-cadeia

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Por Paulo Severo da Costa
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RENOIR, DI CAVALCANTI, PICASSO, DEGAS são alguns dos nomes mais representativos da pintura em todos os tempos. Expressão artística primária, a apresentação gráfica aponta à um signo fascinante ao ser humano; no caso do rock n´roll, constitui um elemento quase tão importante quanto a música. Mas uma outra característica chama a atenção nos artistas mencionados acima: todos, não obstante terem vividos em épocas diferentes, em algum momento da carreira, pintaram nus artísticos, sendo aclamados e reconhecidos – ainda que posteriormente – por essa parte de seus acervos.

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Entretanto, se a coisa toda funciona à parte de polêmicas na nobre arte, no rock ´n roll as coisas não são bem assim: as acusações de incitação a violência, ao consumo de drogas, ao sexo, etc aparecem vez ou outra como componentes de letras, cenografia, postura ou claro, nas capas de discos. Se em tempos de download elas perderam um pouco a força, no tempo do vinil chamavam tanta atenção quanto a própria música. E na categoria "chave de cadeia", duas delas são objetos de atenção até hoje.

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Capa original
Capa original
Capa alternativa
Capa alternativa
Em 1969, foi lançado o único disco de uma "dream band": o BLIND FAITH, que contava com ERIC CLAPTON e STEVE WINWOOD em sua formação. O homônimo álbum (do qual constam faixas do gabarito de "Can´t Find My way Home" e "Presence of the Lord") continha, na capa, o objeto de muita discussão: clicada por BOB SEIDEMANN, amigo de CLAPTON, estava a modelo amadora MARIORA GOSCHEN que, a época da foto, contava com onze anos de idade. Segundo consta, a irmã mais velha da modelo - descoberta pelo fotógrafo em uma estação do metrô- seria a opção inicial - substituída quando o mesmo conheceu MARIORA.

O retrato (sem indicação do nome da banda ou do disco) mostra a modelo semi- nua, segurando um objeto que lembra um avião - na verdade um acessório de um carro Chevrolet da década de 50. Batizado como "Blind Faith", a foto deu o nome à banda, até então não batizada. No conceito de SEIDEMANN, a idéia era contrapor a inocência (por isso a escolha de uma figura pueril) ao avanço do conhecimento humano (representado pelo "avião"). O problema é que a idéia não foi bem recepcionado pela crítica: acusações bizarras (houve à epoca, rumores que a menina era uma escrava sexual da banda!), e pressões da gravadora, fizeram com que a capa fosse posteriormente substituida por outra- uma "criativíssima" foto da banda.

Capa original
Capa original
Capa alternativa
Capa alternativa
Sete anos depois, chegava a vez do SCORPIONS reponder às acusações da brigada moral de plantão. Lançado em 1976, "Virgin Killer" ficou mais marcado pela capa do que por seu clássico conteúdo: fotografada por MICHEAL VON GIMBUT estava JAQUELINE COHLER, de dez anos de idade, nua e com um estilhaço de vidro cobrindo sua púbis. Segundo GIMBUT, a modelo era filha do responsável pela idéia da foto e toda a sessão foi acompanhada por seus familares. Dividindo opiniões dentro da própria banda (ULI JOHN ROTH já declarou que nunca gostou do resultado), a capa – que também recebeu a "honrosa" versão alternativa - abriu o precedente para a produção posterior da banda nos anos 70 – "Taken By Force" mostrava crianças brincando com armas em um cemitério e "Loverdrive" retratava um homem retirando o chiclete do seio de uma mulher ao seu lado – e levantou novamente a poeira mais de trinta anos depois. Em maio de 2008 a Associação conservadora norte americana WorldNetDayly, reportou ao FBI a presença da capa na Wikipédia, afirmando que estimulava a "perversão e a pedofilia". Em dezembro do mesmo ano, a organização não governamental inglesa IWF, classificou a mesma página em uma chamada "lista negra", chegando a bloquear os servidores por alguns dias e revertendo a decisão logo depois.

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: [email protected]

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