Matérias Mais Lidas

Steve Vai: Eu não posso tocar como Yngwie Malmsteen; ninguém pode tocar como eleSteve Vai: "Eu não posso tocar como Yngwie Malmsteen; ninguém pode tocar como ele"

Bruce Dickinson, sem pensar duas vezes, revela pérola do Maiden que merece mais atençãoBruce Dickinson, sem pensar duas vezes, revela pérola do Maiden que merece mais atenção

Malas sem alça: dez vezes que astros do rock e do metal foram arrogantes em citaçõesMalas sem alça: dez vezes que astros do rock e do metal foram arrogantes em citações

A opinião de Dinho Ouro Preto sobre o rapper Mano BrownA opinião de Dinho Ouro Preto sobre o rapper Mano Brown

John Lennon: conheça a música que o uniu a Elton John e o reconciliou com YokoJohn Lennon: conheça a música que o uniu a Elton John e o reconciliou com Yoko

Vocalista do Saxon acha um pouco maluco Judas Priest tocar como um quartetoVocalista do Saxon acha "um pouco maluco" Judas Priest tocar como um quarteto

A opinião de Chester Bennington e Travis Barker sobre o MetallicaA opinião de Chester Bennington e Travis Barker sobre o Metallica

Capital Inicial: cinco músicas que foram escritas por Pit Passarell, do ViperCapital Inicial: cinco músicas que foram escritas por Pit Passarell, do Viper

Raul Seixas: a inusitada reação de Paulo Coelho ao saber da morte do compositorRaul Seixas: a inusitada reação de Paulo Coelho ao saber da morte do compositor

O sentimento de Pete Best, primeiro baterista dos Beatles, após ter sido demitidoO sentimento de Pete Best, primeiro baterista dos Beatles, após ter sido demitido

Homem rouba guitarra de R$ 43 mil enfiando-a nas calças; veja vídeoHomem rouba guitarra de R$ 43 mil enfiando-a nas calças; veja vídeo

Lemmy e Joey Ramone: a forte e verdadeira amizade entre duas lendas do RockLemmy e Joey Ramone: a forte e verdadeira amizade entre duas lendas do Rock

Capital Inicial: quem é a pessoa que inspirou o sucesso NatashaCapital Inicial: quem é a pessoa que inspirou o sucesso "Natasha"

COVID: nunca mais vamos nos livrar disso, diz Ian Anderson do Jethro TullCOVID: nunca mais vamos nos livrar disso, diz Ian Anderson do Jethro Tull

Por que Renato Russo não deixava ninguém sorrir no palco, segundo Carlos TrilhaPor que Renato Russo não deixava ninguém sorrir no palco, segundo Carlos Trilha


Stamp

Mayhem: Uma das obras mais controversas do Black Metal

Resenha - De Mysteriis Dom Sathanas - Mayhem

Por David Torres
Em 30/05/15

Controverso e incrivelmente influente no terreno sombrio do Black Metal, o Mayhem é uma verdadeira instituição no gênero, tendo incentivado o surgimento de incontáveis bandas ao longo das décadas. Amado e cultuado por muitos e odiado veemente por outros, a banda foi fundada em 1984, na Noruega, por Øystein Aarseth (Euronymous), Jørn Stubberud (Necrobutcher) e Kjetil (Manheim). O nome do grupo foi extraído de uma música do Venom, "Mayhem com Mercy" e, de 1986 a 1990, gravaram quatro "demos". Após estabilizarem a sua formação, a banda passou a compor o material para o seu primeiro e histórico álbum de estúdio, "De Mysteriis Dom Sathanas", em meados de 1990, porém, em 08 de abril de 1991, uma fatalidade aconteceu: o vocalista Dead cometeu suicídio, disparando em sua própria boca com uma espingarda após ter cortado os pulsos com uma faca. Muitos relatos bizarros emergiram dentro desse período e não se tem certeza absoluta da veracidade de certas histórias.

Em 1993, é lançado um registro ao vivo, "Live in Leipzig" e finalmente, em 24 de maio de 1994, através da Deathlike Silence Records, é lançado "De Mysteriis Dom Sathanas". No último domingo, essa pérola extremamente polêmica e idolatrada do Black Metal mundial completou o seu aniversário de 21 anos e o texto a seguir tem como finalidade destrinchar, dentro do possível, esse trabalho que influenciou e ainda influencia diversas bandas mundo afora.

Entretanto, antes de adentrar no conteúdo presente no disco, considero de vital importância mencionar o famoso episódio polêmico que cerca essa obra. Um ano antes de o álbum ter sido lançado, a banda reuniu o vocalista Attila Csihar (Tormentor, Burial Chamber Trio, Grave Temple, Pentemple), o guitarrista adicional Snorre Ruch (Thorns) e o baixista Varg Vikernes (Burzum). É importante ressaltar que, anteriormente, Vikernes já estava envolvido com a queima de três igrejas na Noruega. Ainda assim, com esse "line up", começaram a gravar o registro no primeiro semestre de 1993, no Hall Grieg, em Bergen, na Noruega.

Enquanto ocorriam as gravações do álbum, tensões entre Varg e Euronymous despertaram e em 10 de agosto do mesmo ano, Vikernes e Ruch viajaram para Oslo e Varg visitou o lar de Euronymous para tratar dos álbuns lançados pelo Burzum pela Deathlike Silence, que era o selo de Euronymous. Após a sua chegada à residência, um confronto teve início. A conclusão dessa história?! Varg apunhalou mortalmente Euronymous. Seu corpo foi encontrado fora do apartamento com nada mais, nada menos que vinte e três facadas, sendo duas na cabeça, cinco no pescoço e dezesseis pelo restante do corpo. Alguns dias depois, Varg se entregou, alegando ter assassinado Euronymous para não ser morto pelo mesmo. Vikernes foi condenado a 21 anos de prisão, tanto pela morte de Euronymous, como pelo incêndio das igrejas que cometeu. Em decorrência do assassinato de seu filho, os pais de Euronymous solicitaram que o álbum não tivesse as linhas de baixo gravadas por Varg. O baterista Hellhammer concordou eliminar o som do baixo e regravá-los por sua própria conta. Contudo, em vez de regravar as quatro cordas, ele apenas reduziu o som do instrumento na mixagem final do disco. Explicado todo esse fato bizarro, vamos ao disco!

A capa desse registro é um elemento bastante emblemático e conhecido dentro do cenário do Black Metal. Ela é uma gravura da catedral Nidaros, localizada em Trondheim, na Noruega. Ainda que simples, é uma capa bastante eficiente e condizente com a proposta da banda. O álbum já se inicia de forma truculenta. "Blast beats" frenéticos apresentam a vertiginosa e insana faixa de abertura, "Funeral Fog". É uma pancada absurdamente violenta, crua e muito rápida. "Riffs" infernais e que dilaceram os tímpanos, algumas pausas assassinas próximo ao término da introdução instrumental, uma bateria completamente demente e vocais rasgadíssimos são os ingredientes que temos aqui. Um dos destaques dessa obra, sem dúvidas! Cadenciada e possuindo uma atmosfera "doom", "Freezing Moon" inclui variações de andamento bem conduzidas, um inspirado solo de guitarra em sua metade e um final turbulento e caótico. Uma composição fantástica e na minha humilde opinião, a melhor faixa do álbum.

"Cursed in Eternity", por sua vez, apresenta um clima muito sombrio, além de mais doses avassaladoras de "blast beats". Ouvindo a faixa, o ouvinte se sente teletransportado para as gélidas regiões da Noruega, tamanha a atmosfera fria transmitida em cada acorde tocado. A faixa seguinte é "Pagan Fears", que possui uma abertura composta por "riffs" cortantes e arrastados, que induzem o ouvinte a "banguear" incessantemente no mesmo ritmo e, posteriormente, descamba em mais uma hecatombe desgraçada e profana. Igualmente explosiva, "Life Eternal" é a quinta e devastadora música do registro. Temos mais mudanças de andamento e palhetadas pungentes. Um "riff" crescente inicia "From the Dark Past". Rapidamente, a bateria entra e já nos prepara para mais pancadaria. Os pedais duplos comem soltos, enquanto as palhetadas sujas, acompanhadas pelos vocais agressivos martelam o ouvinte por completo.

"Buried by Time and Dust" é a penúltima do álbum. Veloz e truculenta como as antecessoras. A faixa título, "De Mysteriis Dom Sathanas, é a responsável por encerrar a obra. É uma composição que faz jus total ao seu título, pois é bastante climática, soturna e violenta, com trechos velozes e outros cadenciados. Há também algumas inserções de vocais líricos ao fundo que casam perfeitamente com a atmosfera do som. Com essa composição, a banda encerra o álbum com propriedade total. "De Mysteriis Dom Sathanas" é uma obra que reserva para si diversas curiosidade que vão além do assassinato de Euronymous pelas mãos de Varg. Esse trabalho foi o primeiro disco lançado pela Deathlike Silence e foi impresso sem qualquer código de barras. O seu encarte curiosamente não possui as letras das músicas, limitando-se apenas a uma cobertura dobrável com fotos do baterista Hellhammer e do guitarrista Euronymous na parte interior.

O título do álbum, escrito em latim, significa algo como "O Ritual Misterioso do Senhor Satanás" ou "Os Ritos Secretos do Senhor Satanás", ou pelo menos era o que Euronymous tinha a intenção de escrever, pois, na realidade, a frase não está escrita em latim correto. Também é importante mencionar também que, a versão finalizada da obra inclui a última letra escrita pelo finado Dead antes dele ter cometido suicídio, além das últimas composições registradas por Euronymous antes de seu assassinato. "De Mysteriis Dom Sathanas" pode ser também o único álbum da história do Metal ou talvez até mesmo da música como um todo onde o assassino e a sua vítima tocam juntos. Todas as prensagens em CD contém na parte traseira a frase "A Tribute To Euronymous" (Um Tributo para Euronymous), contendo as fotos promocionais de Euronymous e Hellhammer.

O álbum não aponta Attila, Varg ou Snorre Ruch W. Ruch como responsáveis pela gravação do álbum, uma vez que os únicos creditados são Euronymous e Hellhammer. Existe também um ensaio "bootleg" deste álbum chamado "From the Darkest Past", que foi distribuído em algum momento no início da década de noventa, trazendo faixas instrumentais gravadas em 16 de Maio de 1992. A letra de "Life Eternal", composição presente em "De Mysteriis Dom Sathanas", é de autoria do falecido Dead. Ela foi um presente a Bull Metal, que tocou no Masacre e Typhon. Como uma homenagem póstuma a Dead e Euronymous, a banda Typhon aproveitou a letra escrita por Dead em uma composição homônima em seu álbum "Unholy Trinity". Conforme mencionei no início do texto, o Mayhem é um grupo para se amar ou odiar. Donos de uma jornada musical de três décadas marcada por fatos controversos, a banda concebeu trabalhos interessantes em sua carreira e "De Mysteriis Dom Sathanas" é a sua obra prima. Um trabalho extremamente brutal e importantíssimo para a história do Black Metal e do Metal Extremo mundial como um todo.

Escrito por David Torres

01. Funeral Fog
02. Freezing Moon
03. Cursed in Eternity
04. Pagan Fears
05. Life Eternal
06. From the Dark Past
07. Buried by Time and Dust
08. De Mysteriis Dom Sathanas

Euronymous (Øystein Aarseth)(R.I.P. 1993)(Guitarra)
Hellhammer (Jan Axel Blomberg)(Bateria)

Músicos Convidados:
Blackthorn (Snorre Ruch)(Guitarra e Letras)
Count Grishnackh (Varg Vikernes)(Baixo)
Attila Csihar (Vocal)
Dead (Per Yngve Ohlin)(R.I.P. 1991)(Letras)


Outras resenhas de De Mysteriis Dom Sathanas - Mayhem

Resenha - De Mysteriis Dom Sathanas - Mayhem

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp

Clássicos do black metal abandonam inverno e ganham versão surf pra curtir na praiaClássicos do black metal abandonam inverno e ganham versão surf pra curtir na praia

Mayhem: Euronymous era único do black metal que curtia música eletrônica, diz MortiisMayhem: Euronymous era único do black metal que curtia música eletrônica, diz Mortiis

Sarah Jezebel Deva: ouça nova versão de "A Sign of Sublime" com guitarrista do Mayhem

Mayhem: Nechobutcher não se acha famoso (e o seu netinho tem a mesma opinião)Mayhem: Nechobutcher não se acha famoso (e o seu netinho tem a mesma opinião)

Mayhem: fique longe das redes sociais, aconselha NecrobutcherMayhem: "fique longe das redes sociais", aconselha Necrobutcher

Mayhem: baixista conta porque é comparado ao baixinho irritado do MetallicaMayhem: baixista conta porque é comparado ao "baixinho irritado" do Metallica

Mayhem: Necrobutcher nega ter deixado a banda e afirma que Euronymous era um cuzãoMayhem: Necrobutcher nega ter deixado a banda e afirma que "Euronymous era um cuzão"

Mayhem: Necrobutcher conta lição que aprendeu com Mick Jagger, do Rolling StonesMayhem: Necrobutcher conta lição que aprendeu com Mick Jagger, do Rolling Stones

Mayhem: Satã tira férias em versão criada por Teloch; De Mysteriis dom BahamasMayhem: Satã tira férias em versão criada por Teloch; "De Mysteriis dom Bahamas"


Mayhem: Euronymous tinha receio que a Interpol estivesse ouvindo suas ligaçõesMayhem: Euronymous tinha receio que a Interpol estivesse ouvindo suas ligações

Regis Tadeu: Lords of Chaos é o Bohemian Rhapsody do Black MetalRegis Tadeu: "Lords of Chaos" é o "Bohemian Rhapsody" do Black Metal

Mayhem: Necrobutcher apresenta o famoso galinheiro onde a banda ensaiavaMayhem: Necrobutcher apresenta o famoso galinheiro onde a banda ensaiava


Death Metal: as 10 melhores bandas de acordo com a AOLDeath Metal
As 10 melhores bandas de acordo com a AOL

Lista: clássicos do rock e do metal que ninguém aguenta mais ouvir - Parte 1Lista
Clássicos do rock e do metal que ninguém aguenta mais ouvir - Parte 1


Sobre David Torres

Formado em Propaganda & Marketing, se autodenomina "Fanfarrão" graças ao seu senso de humor e modo de enxergar o mundo à sua volta. Apaixonado por filmes de terror, quadrinhos e bandas como D.R.I., Faith No More e Napalm Death, escreve também para o blog Blasting Noise Fanzine. Possui muitos sonhos, dentre eles dar início a um projeto de grindcore.

Mais matérias de David Torres.