Burzum: Um épico minimalista cheio de contrastes

Resenha - Umskiptar - Burzum

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Daniel Cassin, Fonte: O Curupira Metal WebZine
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O nome Burzum despertou e continua a despertar um sem número de polêmicas que, ao longo dos anos, garantiu a publicidade necessária para manter a one man band sob os holofotes. Assassinato, queima de igrejas, declarações xenofóbicas, racistas, ou mesmo nazistas, dão a tônica para uma história pra lá de controversa. Porém, sem nos determos a tais detalhes, temos que admitir, por mais que alguns discordem, Burzum é uma das maiores e mais influentes bandas da história do black metal, ditando mudanças e propondo novos paradigmas dentro do estilo. Aliás, praticamente todas essas novas tendências vanguardistas “pós-norueguesas”, surgidas no final dos anos 1990, tais como depressive black metal, post-black metal ou ambient black metal, devem alguma coisa para o sujeito em questão. O projeto vem indicando novas referências para a obscura arte, através do uso e criação de atmosferas depressivas, cósmicas, cheias de guitarras sujas, gravações repletas de ruídos e composições minimalistas.
5000 acessosRock e Metal: 7 bandas/artistas que você pronuncia o nome errado5000 acessosDoom Metal: os dez trabalhos essenciais do estilo

Pois eis que o (anti) herói - se é que da pra chamar esse maluco disso - nos brinda com mais uma pérola surpreendente. Varg Vikernes lança “Umskpkar” o terceiro álbum desde que saiu da prisão, em 2010. As letras foram tiradas do poema nórdico "Völuspá", que fala sobre a criação e a destruição do universo, além de ser uma das grandes narrativas da mitologia daquele país. Só que tudo aparece de maneira sui generis, para além de irritantes estereótipos “RPGísticos” levados a cabo por milhares de bandas de metal. O disco é carregado em referências à mitologia e cultura nórdicas, sim. Mas é contemplativo, meditativo, filosófico de uma maneira unusual para o universo da cena extrema. Amparado, como sempre, pela noção de escuridão, Varg continua a saga de criar obras totalmente ritualísticas com a intenção de invocar um encantamento do mundo. Mundo esse, segundo palavras do músico expressas em artigos e entrevistas, cada vez mais repleto de luz e monotonia “judaico-cristã-capitalistas”. Um mundo moderno que perdeu suas referências ancestrais e se entregou à lógica racionalista, amparada pelo lucro, pela tecno-ciência e pela escravidão da população global. Portanto, por mais que o discurso de Varg esteja enraizado nas asneiras de extrema-direita, é contra esse desencantamento do mundo que ele luta com sua música.

Deixando um pouco o lado político da mágica, a musicalidade presente em “Umskiptar” é única. Muitas introduções atmosféricas, também minimalismo, climas épicos e sutilezas convidam o ouvinte para embarcar numa viagem cosmogônica. A tradução da palavra “Umskiptar” é metamorfose. É exatamente isso que prevalece no álbum: camadas de guitarras, vozes, momentos de quase silêncio, sugerindo o movimento de transformação e destruição que regem o universo. Algo que remonta também ao processo de envelhecer, à passagem do tempo e do amadurecer. Talvez, assumindo o peso da idade e experiência, esse seja o álbum da maturidade do Burzum. Um trabalho que alguns artistas privilegiados têm a possibilidade de lançar dentro de uma carreira longeva. Sereno, sem a agressividade e a urgência tão caras à juventude. Por outro lado, as canções, apesar de sua singularidade e experimentação, têm muito ainda da tradição do heavy metal. Algo de Iron Maiden nas linhas de baixo na belíssima “Join”. Aliás, a influência da Donzela está presente em vários momentos como em “Alfadanz”, canção cheia de riffs de heavy metal tradicional e pianos que evocam a melancolia do compositor erudito Eric Satie. Ecos dos anos 1980’s (neo folk, post-punk, Cure, Smiths), influência assumida em entrevistas por Vikernes, se fazem ouvir aqui e acolá . Os vocais, grande destaque do álbum, são um caso à parte. Vão do grito ao sussurro, passando pelo rasgado até chegar ao grunhido. A impressão que se tem é que várias pessoas estão cantando e não apenas um cara. Enfim, um trabalho genial que, se não supera os clássicos do início de carreira, marca uma nova fase para o projeto. Uma era mais rica em sutilezas e arranjos inusitados para o metal. Da trilogia iniciada após a saída da prisão, com “Belus” (2010) e “Fallen” (2011) esse é, de longe, o melhor capítulo. Provavelmente muitos fãs vão torcer o nariz para o álbum, já que se trata de um trampo diferente na discografia do norueguês. Varg criou um épico minimalista cheio de contrastes.

Nota do Pé Virado: 9

http://curupirametal.blogspot.com.br

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Umskiptar - Burzum

4576 acessosBurzum: "Umskiptar" eleva o grupo a outro patamar

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 02 de maio de 2012

Rock e MetalRock e Metal
7 bandas/artistas que você pronuncia o nome errado

111 acessosEm 02/06/2014: Burzum lança o álbum "The Ways of Yore"0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Burzum"

BurzumBurzum
Varg é condenado por xenofobia e racismo na França

Varg VikernesVarg Vikernes
Crítica a Euronymous e Venom em novo vídeo

Pouca vergonhaPouca vergonha
Blog elege as melhores capas com "nudez"

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Burzum"

Doom MetalDoom Metal
Os trabalhos essenciais segundo o About.com

Lemmy KilmisterLemmy Kilmister
A vida dele fazia Keith Richards parecer uma menininha

TragédiasTragédias
10 das piores ocorridas em shows de Rock e Metal

5000 acessosZakk Wylde: foto do arsenal de guitarras do músico5000 acessosMotorhead: destaques do funeral de Lemmy Kilmister5000 acessosIron Maiden: pastor evangélico tem 172 tatuagens da banda4556 acessosShagrath: Se eles assistem Dimmu Borgir no youtube, eu sinto pena5000 acessosMotorhead: filho relata a luta de Lemmy para subir ao palco5000 acessosHeavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 1988

Sobre Daniel Cassin

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online