Taake: em meio a polêmicas, música de excelente nível

Resenha - Taake - Taake

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Por Marcos Garcia
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O Black Metal sempre foi, e sempre será um estilo envolto em polêmicas. Desde o parto do estilo, em 1981, com o LP ‘Welcome to Hell’ do VENOM, o estilo tem mostrado ser o legítimo herdeiro de todas as polêmicas e associações do Metal com Satanismo, fora declarações fortes de músicos, capazes de causar extremo furor tanto aos incautos de fora do Metal quanto dos fãs mais veteranos, e atitudes como queima de igrejas e assassinatos acontecidos na Noruega, o país onde a chama negra e profana do estilo ardeu enquanto o davam como morto, entre 1988 e 1992.
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Após um ‘boom’ ocorrido entre 1993 (coincidentemente, após o assassinato de Euronymous, guitarrista e líder da banda MAYHEM, godfather do Black Metal norueguês) e 1999, onde muitas bandas do estilo começaram a introduzir mudanças cada vez maiores em seu som, a ponto de causar furor em fãs mais conservadores, outras bandas surgiram e preferiram manter aquela sonoridade suja, agressiva e cheia de ‘feeling’ perdida por muitos. Nomes como CARPATHIAN FOREST, NARGAROTH e TSJUDER passaram a ao status de mantenedores da velha chama, e inclusive causando algumas polêmicas. E apesar de não ser tão conhecido como eles, mas tão bom ou até superior musicalmente falando e tão polêmico quanto, o TAAKE faz muito bonito neste CD homônimo, que ganha sua versão nacional pela Höllehammer do RS.

A banda, apesar de se apresentar ao vivo, é uma das famosas ‘banda de um homem só’ em estúdio, tendo a figura de seu mentor no vocalista Ulvhedin Høst, que já esteve preso, acusado de violência, algumas vezes.

Deixando as polêmicas de lado e analisando o CD, a produção visual deixa a desejar em alguns pontos, principalmente pelas letras dispostas em ideogramas nórdicos, o que impossibilita seu entendimento, embora as letras possam ser encontradas em escrita latina na Internet. A produção sonora é muito boa, mantendo a essência do Black Metal cru e ríspido da banda sem deixar de ser compreensível.

A musicalidade da banda alterna momentos rápidos no estilo do MAYHEM da época do “De Mysteriis Dom Sathanas” com certa dose de HELLHAMMER/CELTIC FROST e BATHORY da fase “Blood Fire Death” com outros mais cadenciados e mesmo melodiosos dignos das bandas como BURZUM e SATYRICON, mas sem ser clichê ou dar aquela sensação de ‘deja vu’ que sentimos ao ouvir certos CDs.

O CD abre com ‘Atternatt’, que apesar da brutalidade, possui fortes doses de melodias obscuras interessantes, e segue com a variada ‘Umenneske’, que lembra muito bandas tradicionais e bem trampadas como DØDHEIMSGARD, ora rápida, ora mais climática, e com partes de bumbos massacrantes. ‘Lukt Til Helvete’ e ‘Doedsjarl’ são faixas com o mesmo tipo de cadência e levada, ou seja, nem rápidas e nem lentas, mas muito empolgantes, sendo que a segunda mostra uma forte vitamina Punk Rock, e ‘Motpol’ já é mais lenta e pesada, com algo de agonizante e mórbido, sendo a melhor faixa do CD disparada, com incríveis riffs de guitarra. ‘September Omsider’ trás de volta a rapidez e agressividade de antes, mas há variações de andamento sensíveis e partes que nos leva a ficar balançando a cabeça enquanto a ouvimos. Não dá para parar.

Fechando, ‘Velg Bort Libet’, que por ser longa (tem quase 11 minutos de duração), sintetiza todos os elementos presentes nas músicas anteriores, mantendo o nível alto do CD e fechando-o de forma brilhante.

Muitos podem querer denegrir a imagem da banda por conta das polêmicas em que Høst já esteve envolvido, as quais não menciono por ser crítico de CDs e não uma versão metálica de programas televisivos especializados em mexericos. Mesmo porque o mais importante na banda é a música, e isso é de excelente nível.

Óbvio que recomendo sem medo.

Em tempo: a versão em vinil tem como bônus o cover para ‘A Lost Forgotten Sad Spirit’, do BURZUM.

Tracklist:
01. Atternatt
02. Umenneske
03. Lukt Til Helvete
04. Doedsjarl
05. Motpol
06. September Omsider
07. Velg Bort Livet

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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