Burzum: maturidade que somente o tempo proporciona

Resenha - Belus - Burzum

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Por Ben Ami Scopinho
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Nada como a maturidade que somente o tempo proporciona – no caso, 16 longos anos em um presídio norueguês por crimes que, suponho, sejam do conhecimento de todos – para fazer com que Varg Vikernes tenha desenvolvido melhores argumentos acerca de suas convicções. A discórdia entre o público continua, mas a mente por trás do Burzum está aos poucos saindo de sua concha e o resultado é o tão aguardado "Belus".

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O conhecido interesse mitológico e europeu que tanto parece influenciar a vida pessoal de Vikernes obviamente se estende à sua arte. "Belus" (também conhecido como Apolo, Balder, Belenus, Jarilo, etc) é um álbum conceitual sobre este personagem da luz e inocência, abordando seu falecimento, a triste jornada pelo Reino da Morte para, enfim, retornar em triunfo. Tudo cantado na língua nativa do músico, obviamente...

A postura de Vikernes ao simplesmente não demonstrar nenhum interesse pelos rumos que a música tomou nas últimas décadas, aliado ao fato de os arranjos do novo álbum ser um aglomerado do que foi criado antes, durante e depois de sua estadia na prisão, claramente refletiu em sua sonoridade. Ou seja, a natureza extremamente simples de suas estruturas, com riffs de guitarras e bateria insistentemente repetitivos e programados para causar uma jornada hipnótica, permanecem perenemente sombrios e melancólicos.

Estas são algumas das marcantes características do velho Burzum, e tão eficazes que influenciaram toda uma geração. Mas algumas inovações aparecem de imediato, em especial no que diz respeito às vocalizações, que, além de agressivas, também seguem de forma limpa e até mesmo com inesperadas seções faladas, como é o caso da ótima "Kaimadalthas' Nedstigning", com referências da música gótica dos anos 1980.

Além da ausência de música ambiente em "Belus", outro ponto a se considerar é a produção, que está bem mais madura. Embora persista a sensação de abafado e sujeira, o áudio soa mais poderoso do que o oferecido no passado, inclusive com uma atenção toda especial às linhas do contrabaixo, que aparecem o tempo todo, tendo grande importância em "Morgenrøde".

O álbum se desenvolve com outras faixas interessantes como a breve "Sverddans", com um monte de influências do Thrash Metal e, quem diria, com direito a solo de guitarra... "Tilbakekomst Belus (Konklusjon)" é a derradeira instrumental que, embora bastante repetitiva, se mostra eficaz em seus quase 10 minutos etéreos e meditativos.

"Belus" mantém aquele jeitão alienado e oferecerá muitos atrativos ao público que curtiu trabalhos como "Hvis Lyset Tar Oss" (94) e "Filosofem" (96). Certamente não mudará em nada o status que o Burzum adquiriu, seja graças à música propriamente dita, seja pelas ações e reações de seu controverso mentor, mas é um retorno suficientemente satisfatório de um dos mais infames personagens do Heavy Metal da década de 1990.

Contato: www.burzum.org

Burzum – Belus
(2010 / Byelobog Productions – importado)

01. Leukes Renkespill (Introduksjon)
02. Belus' Død
03. Glemselens Elv
04. Kaimadalthas' Nedstigning
05. Sverddans
06. Keliohesten
07. Morgenrøde
08. Belus' Tilbakekomst (Konklusjon)


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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