Burzum: o estilo característico com produção digital

Resenha - Belus - Burzum

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Por Amir R. De Toni Jr.
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Varg Vikernes é uma das figuras mais emblemáticas da história do metal. Seus atos, talvez mais do que sua música, atraíram a atenção de meio mundo para a cena black metal norueguesa dos anos 90. Depois de 16 anos de prisão e 11 anos sem material musical inédito (o músico escreveu muitos textos durante seu encarceramento), Varg retorna com “Belus”.
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O Burzum de duas décadas atrás era a experiência artística de um adolescente escandinavo cheio de idéias. Era como um lamento, um culto soturno à grandeza e a magia ancestrais daquela terra, e soava como tal, cru, espontâneo. O amadurecimento das letras e composições resultou num sensível afastamento das raízes do Burzum, notável a partir de “Hvis Lyset Tar Oss” e especialmente em “Filosofem”. O projeto deixou a sua marca e uma quantidade apreciável de fãs para uma 'banda' que nunca fez um show nem tinha pretensão de fortuna (prefiro não opinar sobre fama). Muitos invernos se passaram desde então (e dois discos gravados na cadeia apenas com sintetizador), e pode-se dizer que os primeiros anos do Burzum pesam nos ombros de Varg como antigamente pesava aquela 'herança esquecida' nas florestas escuras da Noruega.

“Belus” resgata muito do que Varg fez de melhor em seus quatro primeiros discos e inclui riffs muito antigos que o músico havia composto antes do Burzum. “Belus Død”, como o título sugere, revisita “Jesu Død”, evocando o som característico do Burzum enquanto “Glemseles Elv”, a mais longa do disco, traz a natureza repetitiva e hipnótica de diversas composições antigas, mas com uma guitarra muito incomum para o black metal, soando significativamente acima do restante. Se “Kaimadalthas' Nedstigning” flerta com um thrash oitentista, com um trabalho de guitarra bastante interessante, a faixa seguinte, “Sverddans”, soa perdida no meio do disco, pois é um petardo thrash de dois minutos e meio, com direito a um solo bem old school. “Keliohesten”e “Morgenroede” apresentam o black metal básico do Burzum, chegando em “Belus' Tilbakekomst”, instrumental que encerra o disco sem maiores novidades.

A roupagem de todo o disco é realmente a grande mudança do Burzum. As imagens sombrias e, especialmente, a gravação analógica e extremamente grosseira se foram, dando lugar a uma capa com foto colorida, uma tipografia exclusiva e uma produção digitalizada. A crueza do som não é mais a mesma, e é quase inevitável culpar a produção pela perda de espontaneidade.

A combinação do estilo característico do Burzum com uma produção moderna, digital, me faz pensar em um tênue paralelo com “Death Magnetic”. Mas, nesse caso, diria que Varg teve mais mérito que James Hetfield e cia.

Belus - Burzum
(2010 - Byelobog Productions / PHD)

01. Leukes Renkespill (Introduksjon) [00:33]
02. Belus' Død [06:23]
03. Glemselens Elv [11:54]
04. Kaimadalthas' Nedstigning [06:43]
05. Sverddans [02:27]
06. Keliohesten [05:45]
07. Morgenroede [08:54]
08. Belus' Tilbakekomst (Konklusjon) [09:37]

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Sobre Amir R. De Toni Jr.

20 e poucos anos, engenheiro. Começou muito tarde no rock, aos 17 anos, com "The Dark Side of The Moon" e não conseguiu mais parar. Pink Floyd, Rush, Metallica, Dream Theater e Rammstein em bom volume são o sinal de que está em casa. A vontade de ser músico é suprida com resenhas e invencionices no www.figment.cc.

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