Lacuna Coil: Por que Cristina Scabbia enlouquece os fãs?

Resenha - Lacuna Coil (Carioca Club, São Paulo, 11/03/2017)

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Por Nelson de Souza Lima, Tradução
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Por que Cristina Scabbia enlouquece os fãs? Essa era a pergunta que fazia a mim mesmo ao sair do Carioca Club no último sábado depois de conferir a performance matadora da vocalista à frente do Lacuna Coil. Fiquei analisando e acho que a resposta está na resenha que segue. Após três anos de hiato a banda italiana que, além de Scabbia traz Andrea Ferro (vocal), Marco Coti Zelati (baixo), Marco Biazzi (guitarra) e Ryan Blake (bateria) voltava ao Brasil. Tocaram em Limeira, Belo Horizonte e Rio de Janeiro encerrando a passagem por terras brasucas na capital paulista. E valeu a pena esperar, pois os caras são super entrosados, devido ao fato de estarem na estrada há 23 anos e terem adquirido muita experiência de palco. A tour atual divulga “Delirium”, mais recente álbum do quinteto lançado em 2016.

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Mas faço um relato curto do que rolou antes do show do Lacuna. Cheguei ao Carioca por volta das 18h21 sempre dando aquela sapeada no público, pois gosto de analisar o look da galera. Como os italianos fazem um metal que transita pelo gothic/alternativo o visual variava de garotas com maquiagem pesada aos adolescentes de camisetas pretas das mais variadas bandas do metal.

Já que são de uma geração mais nova do rock pesado o público do Lacuna é homogêneo. Muitos jovens, alguns recém-saídos da infância. Diferente dos shows dos dinossauros onde o público é bem diverso. Dei uma conferida na galera que ia entrando na casa e trombei com o brother Gil Oliveria, batera do Necromesis, banda Thrash bem legal aqui de São Paulo. Trocamos uma ideia e após nos separarmos segui para falar com a assessoria do evento e pegar minha credencial. O Costábile estava fazendo a assessoria, e como sempre me tratou superbem. Abraço Costábile.

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Entrei e busquei me posicionar o melhor possível pra ter uma visão legal do palco que no caso do Carioca é bem alto e permite conferir as apresentações sem muitos problemas. A medida que o tempo passava o público aumentava e eu diria que foi muito bom com lotação quase total. No palco a movimentação de roadies e técnicos, enquanto nas caixas de som bandas pesadas de metal alternativo. Uma água pra refrescar pois o calor dentro do Carioca estava terrível.

Exatamente às 18h58 a Innocence Lost entrou no palco para o show de abertura. Liderada pela simpática Mia Torres a banda carioca está na estrada há dez anos e mostrou muita competência no palco. Músicos com técnica apurada fizeram uma performance arrebatadora na qual Mia envolve o público com vocais que vão do lírico ao gutural. Uma apresentação marcada pela descontração inclusive na hora em que a vocalista levantou a lebre da eterna polêmica entre biscoito x bolacha. Paulistas e cariocas divergem quanto à nomenclatura do alimento. Mas, independente de biscoito ou bolacha a Innocence animou a plateia com músicas legais, entre elas, “Íris”, “Wake Up” e “The dragon inside me”.

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Trinta e dois minutos depois os cariocas deixaram o palco muito aplaudidos e aos gritos de “bolacha”, “bolacha”, “bolacha”. Uma tiração de sarro sadia dos paulistas pra cima dos cariocas.

Volta a discotecagem desta vez com grupos clássicos como Metallica, por exemplo.

Dois minutos antes das oito as luzes se apagam e um som sinistro anuncia o início do show. Um a um os membros do Lacuna Coil entram começando pelo gigantesco batera Ryan Blake. Com quase dois metros e maquiagem de caveira o cara meteu medo. O baixista Marco Coti Zelati também com uma máscara estilo veneziano pintada no rosto. Os demais não estavam com maquiagem tão pesada. Todos usavam os macacões/camisas-de-força branco que foram usados nos posteres de divulgação desta turnê.

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Os gritos dos fãs e aclamação à banda foi total. Público gritando ensandecido. O que se viu em seguida foi um culto insano à base de música pesada no qual Cristina Scabbia conduziu seus fiéis seguidores com propriedade.

Abriram com a estonteante “Ultima Ratio”, última faixa de “Delirium”. Na sequência porrada atrás de porrada como “Spellbound”, “Die & Rise”. Do disco novo mandaram também “Blood, Tears, Dust” e “Ghost in The Mist”. Cristina Scabbia a cada música trocava muitas palavras com o público, enquanto Andrea Ferro tratava mais de cantar e acompanhar a fala da vocalista. Um dos momentos mais descontraidos do show rolou quando a cantora agradeceu ao Palmeiras pela homenagem recebida. Aliás, uma prática rotineira do atual campeão brasileiro. Mostrando uma política de interação futebol/rock and roll a diretoria do Palmeiras já presenteou várias bandas com camisetas personalizadas. Entre eles, Dream Theater, Mike Patton e Épica. No caso do Lacuna Coil homenagem bastante compreensível já que o Verdão foi fundado por imigrantes italianos. Mas ao falar do Palmeiras, Cristina ouviu muitas vaias, claro, pois a galera deveria torcer pra um outro certo time. Mas passado isso a vocalista e sua trupe mandaram mais porradas sonoras que levaram os fãs à loucura. Uma roda se formou do meu lado e o empurra-empurra tradicional rolou solto. Muitos chamavam a vocalista de gostosa que achava graça e parecia se divertir com a situação.

Do meu lado um cara mais exaltado mandou um: “Cristina, me come”. Não creio que a vocalista tenha essa prática antropofágica.

O equilíbrio vocal entre Cristina e Andrea Ferro é notável. Gutural e lírico se completam. Banda bastante coesa.

Cristina lembrou que italiano e português são idiomas bastante próximos antes de emendar “Senzafine”, única no set cantata na língua pátria da banda.

E como o Lacuna faz ótimas versões não poderiam deixar de fora a envolvente “Enjoy the Silence”, do Depeche Mode, outra pra levantar a galera.

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“Nothing Stands in Our Way” marcou o final da apresentação. O grupo deixou o palco para voltar alguns minutos depois.
No bis mais duas do disco novo “Delirium” e “The House Of Shame”, além de “Heaven's a Lie”.

Como o público não parava de gritar pedindo mais uma música o quinteto atendeu e mandou “Zombies” que encerrou uma das melhores apresentações que já vi.

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E voltando à questão lá de cima. Chego à conclusão que Cristina enlouquece os fãs porque é uma tremenda vocalista, simpática pra caramba e muito, mas muito atraente mesmo.

Grande Show.

SET LIST – INNOCENSE LOST
Inaomnia
Íris
Wake Up
The dragon inside me
Falling Down
Nameless Hunter

LACUNA COIL

A banda:
Cristina Scabbia (voz)
Andrea Ferro (voz)
Marco Coti Zelati (baixo)
Marco Biazzi (guitarra)
Ryan Blake (bateria)

SET LIST – LACUNA COIL

Ultima Ratio
Spellbound
Die & Rise
Kill the Light
Blood, Tears, Dust
Victims
Ghost in the Mist
My Demons
Trip the Darkness
Senzafine

Swamped
Downfall
Our Truth
Enjoy the Silence
(Depeche Mode cover)
You Love Me ’Cause I Hate You
Nothing Stands in Our Way

Bis:
Delirium
Heaven's a Lie
The House of Shame

Segundo Bis:
Zombies

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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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