Brujeria: A banda merece sua legião seleta de fãs

Resenha - Brujeria (Clash Club, São Paulo, 16/05/2016)

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Por Miguel Júnior
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Eles continuam vindo. Das vezes que tenho notícia, de BRUJERIA em São Paulo, em 2007, 2012, 2014... esta última talvez foi a noite mais caótica, de chuva de granizo derrubando árvores fazendo tudo parar. Mesmo assim, a chuva que cessou não foi capaz de evitar mais um ritual mexicano-californiano em terra brasileira. Sob a névoa de algo dito por alguém ser haxixe subindo na pista diante da voz de Jello Biafra anunciando “Pito Wilson”, com a imagem ao fundo de Donald Trump estampado em dizeres de “fuck you puto”, aquilo estava começando e não tinha mais volta.

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Eu estava no centro exato da pista do Clash Club e meu plano era andar em meio aos presentes para observar a banda e ouvir o que diziam os grenhudos locos sobre o que estava acontecendo; o que eu não esperava é que com a roda que se formou eu simplesmente fui jogado para longe com muita gente junto. Mesmo assim, foi possível notar muita coisa. “Colas de rata” e “La migra”, rápidas e curtas, diretas, funcionam como gasolina jorrada no fogo. Em “La Migra”, foi feito sem sample, na voz mesmo, o diálogo dos “Pinché coyote ladrón” com o público, que foi muito tenso, para só terminar de falar e a pancadaria rolar solta. Hilário e brutal. O público da parte da frente nesta hora que pude ver pelo menos estava levando a sério, honrando a presença da banda.

Juan Brujo interagia conosco perguntando várias vezes se nós estávamos “listos” (prontos), algo realmente necessário para cada pancadaria de dois minutos que é uma faixa do BRUJERIA, geralmente. A entrada de Pititis no palco, apesar de esperada, foi algo de surpresa, pois é possível que poucos sabiam o setlist provável da noite, que iria seguir o do show da Colômbia do último dia 13. “Pititis, te invoco” trouxe histeria à casa, além da hipnose de ver a força dos berros da representante feminina. Em “Anti-castro”, sem sample, a parte da musiquinha feita na guitarra e no baixo, teve direito a várias garotas dançando na roda da pista! “Hoy soy anti-castro!” – gritavam marmanjos e belas garotas da roda e o bate cabeça acelerava rumo a sons cada vez melhores das eras “Raza Odiada” (1995) e “Brujerizmo” (2000).

Juan Brujo canta como se declamasse frases, principalmente em “Matando Gueros”, nos versos de “Tu venganza sera tu destino oscuro”. Ele disse tudo que antecede isso como se estivesse falando para nós no tempo certo para casar com a música, no limite para gritarmos “Matando gueros, ¡viva la raza! Aliás, esses termos ligados a guerrilha, guerreiros, revolução, Pancho Villa, e outros, ganhavam ênfase na boca do público e quando foi a hora de, em “Revolucion”, repetirmos “Viva Zapata, Viva Chiapas, Viva Mexico, Viva la revolucion” realmente ouvi uma massa sonora gigantesca gritando tudo isso junto.

A imagem de Pablo Escobar piscou no telão algumas vezes e isso me fez pensar que seria tocada ou “El Patron” ou a própria “Marijuana”, como foi feito na Colômbia, mesmo com os gritos de “Brujeria!”, “Brujeria!”, fracos, mas, insistentes. Tive que ir embora e li na web a inclusão de Marijuana no setlist, mas não pude confirmar até terminar esta resenha se teria sido tocada “Marijuana”.

Quem vai num show do BRUJERIA? Primeiro, são aqueles que não se importam com o nível de produção ao vivo totalmente cru e propositalmente tosco, bruto e ríspido dessa banda. No entanto, no começo do show, vi gente saindo “de la frontera” com a mão no ouvido com cara de não estar entendendo nada. Verdade seja dita. Em segundo lugar, temas como orgulho mexicano, narcotráfico, satanismo, entre outros, e especialmente, a combinação entre eles, e em língua espanhola, é bem peculiar no metal pesado. Atraindo barbudos e belíssimas garotas de roupas camufladas militares, BRUJERIA é um caso à parte e merece sua legião seleta de fãs.

SETLIST
1. Raza odiada (Pito Wilson)
2. Colas de rata
3. La migra (Cruza la frontera II)
4. Hechando chingasos (Greñudo locos II)
5. Pititis, te invoco
6. Vayan sin miedo
7. El desmadre
8. Ángel de la frontera
9. Marcha de odio
10. Satongo
11. Sida de la mente
12. Brujerizmo
13. No aceptan imitaciones
14. Anti-Castro
15. Revolución
16. Division del norte
17. Consejos narcos
18. La ley de plomo
19. Matando güeros
20. (?) Marijuana (?)

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Sobre Miguel Júnior

Paulistano, não tem banda porque não sabe tocar, exceto tirar trechos de black metal no violão. Escreve basicamente resenhas de shows que assiste, e deve ter uns 50 ingressos de show já assistidos guardados. Ouve metal mais pelo som, permitindo-se ouvir bandas cuja ideologia não inteiramente concorde. Quer escrever sobre todos os shows extremos e sinceros que acontecem em São Paulo.

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