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Abril Pro Rock: Grandes nomes nacionais, mas público reduzido

Resenha - Abril Pro Rock (Classic Hall, Recife, 30/04/2016)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Pernambuco tem anualmente um dos maiores festivais do Brasil, o ABRIL PRO ROCK. E não é só de metal. Durante duas noites, vinte e três bandas, dos mais diferentes estilos transformaram a capital do frevo na capital do rock. E isso já acontece há 24 anos. Não pudemos comparecer à primeira noite, quando se apresentaram nomes como TIÊ e ALICE CAYMMI, mas vimos tudo o que aconteceu na já conhecida "noite dos camisas pretas", desde a passagem de som, e contamos tudo o que aconteceu. Embora não isento de problemas nesta edição (que vão desde o cancelamento de turnês de atrações gringas que passariam por seus palcos até a baixa presença de público) , o festival, considerado por alguns o carnaval fora-de-época dos headbangers pernambucanos foi um grande evento, em todos os sentidos. Olha só o tamanho do LINE UP e confira detalhes de cada apresentação logo abaixo.

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Foto: Cristiano Machado

* Confounded
* Monticelli
* [Maua]
* Nervochaos
* Sick Sick Sinners
* Questions
* Terra Prima
* Edu Falaschi + Hevillan
* Oitão
* Robertinho do Recife
* Evil Invaders
* Rebaelliun
* Korzus
* Viper

CONFOUNDED

O passo inicial da maratona de shows foi dado pela banda pernambucana CONFOUNDED, com um death metal bastante poderoso. O palco, o menor dos três, localizado em uma das laterais do Classic Hall, permitia uma aproximação maior com os músicos, dando o ar necessário de show undergound. Mas, obviamente, cada uma das bandas que se apresentou ali almejava o palco principal do local. Mas nenhuma das bandas que se apresentou naquele palco demonstrou qualquer descontentamento. E sem uma discografia extensa como a da maioria das demais atrações, apresentar-se no "mini-palco" ainda servia de vitrine para mostrar, principalmente para quem vinha de fora, o potencial das novas bandas de metal nordestino. Voltando a falar de CONFOUNDED, com um som calcado no Death Metal, mas sem grandes novidades, o diferencial desta banda é ao vivo, com a postura do vocalista Leo Montana, bastante teatral, exprimindo uma fúria grandiloquente mesmo com vocais incompreensíveis (o que para uma banda cujo nome traduz-se como "confuso" não chega a ser ruim). A banda também fez questão de lembrar dos profissionais que falam do metal por amor ao gênero e por entendê-lo bem. Entre os citados "Insana Harmonia", "Arena Metal", "Bate Cabeça", "Recifezes" e o "PEsado", programa/livro/documentário, de quem falaremos mais tarde. Faltou o maior site do gênero, mas, vamos em frente. Entre as canções do show (pequeno, mínima, uma vez que se tratava do primeiro de uma noite de quatorze bandas) estavam "Barbecult", o novo single, "Pussyfer", e uma música feita na medida para analistas de sistemas e afins: "Caffeine Thrills". O quinteto recifense dedicou também "Headshot Holyday" à todas as profissionais do sexo. Isso mesmo. E ainda disse em que avenidas da cidade se poderia encontrá-las.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

MONTICELLI

Foto: Cristiano Machado

Também de casa, o trio de irmãos "gaúchos de Recife" Artur, Vítor e Bruno MONTICELLI foi uma grata surpresa, com seu heavy metal meio hard rock, ou hard rock meio heavy metal. Apesar do calor infernal que fazia naquele início de noite, os três entraram de máscara de aliens e sobretudos pretos. Logo caem as máscaras, mas ficaram os enormes casacos como se os caras não estivessem em Olinda/Recife. No show, boas canções como o single "Payback" e "Behind These Walls". O vocal estava um tanto baixo, mas as composições eram boas, enérgicas, com bons solos e o baixo era um absurdo, uma aula, um deleite. O trio também fez questão de ressaltar que seu som era 100% autoral. "Chega de tocar cover", afirmaram. Assim como a banda anterior, também fizeram questão de dedicar uma aos jornalistas, mas, dessa vez, aos de mídia impressa e com dedicatória com teor bem diferente. Não tocaram covers, mas propiciaram um belo momento "Get In The Ring" (GUNS N' ROSES). O show curto merecia mais, mas serviu para despertar o interesse e recomendar a banda não só para os palcos principais do Abril Pro Rock, mas para muitos outros palcos em outros festivais deste país. Ah, eu falei do baixo? Sim, falei. Era absurdo (eu já disse isso, mas, nesse caso, eu faço questão de repetir). Eu também não vou ensinar a bíblia ao Whiplash, nem aos leitores do Whiplash, mas esses são uns caras que merecem mais projeção do que elogios de youtubers de meia semana de sucesso. Só tem que garantir que o volume do vocal seja mais alto e não, de forma alguma, diminuam o volume do baixo.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

[MAUA]

Foto: Cristiano Machado

De Sergipe vem a última banda do primeiro palco. A [MAUA] trouxe um pouco de escuridão ao festival com seu Death/Black Metal. Vista como uma banda de Black Metal, os elementos de Death a tornam bem mais interessante. As atuações de Érico Groman (vocal) e do baterista cabeludo Afonso Ramalho são dignas de nota, além do bom trabalho das duas guitarras. Durante canções como "Volatile", "Breakthrough" e "Warhead", os bangers se envolviam em rodas violentíssimas bem próximo ao palco , desafiando o pequeno espaço que os separavam das escadarias. Era até perigoso (para evitar acidentes, futuras edições do festival terão que repensar o posicionamento do palco ou o cast - escolhendo bandas, digamos, mais calmas). Impagável e imperdível foi a cover em versão pesadíssima para "Samba Makossa", uma homenagem dos sergipanos a um dos mais ilustres artistas pernambucanos, CHICO SCIENCE.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

NERVOCHAOS

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

A primeira banda a se apresentar em um dos palcos grandes do festival foi a NERVOCHAOS de São Paulo, com uma line up completamente nova. Com Edu Lane (único membro fundador) na bateria, Lauro "Nightrealm" (ex-QUEIRON) nos vocais e guitarra, Thiago "Anduscias" no baixo e Cherry (ex-HELLSAKURA e OKOTÔ) na outra guitarra a banda pinçou músicas cobrindo sua extensa e incansável discografia, como "Mind Under Siege", "To The Death" e "Total Satan". Enquanto isso, o povo fazia roda (agora sem as limitações de espaço). Os novos membros não se encabularam e entregaram em Recife um show com a qualidade e credibilidade esperada por uma formação do NERVOCHAOS, honrando o nome da banda em que entraram. "For Pashion, Not For Fashion" foi dedicada (apontando para o público) a "vocês que fazem essa cena acontecer". E dedicaram a última, "Pure Hemp", àquela galera que curte uma maresia, se é que você me entende.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

SICK SICK SINNERS

Foto: Cristiano Machado

Quando se abrem as cortinas do outro palco, um baixolão já causa a primeira surpresa. O psycobilly paranaense, um tanto country-core da SICK SICK SINNERS é uma boa novidade, com um som bem diferente de todo o thrash, death e hardcore que normalmente domina as "noites dos camisas pretas" (como já é conhecida a noite de sábado em todas as edições do festival). E é bem empolgante. Todos os três integrantes agem como porta-vozes do trio, se comunicando com o público e agradecendo à produção e dedicando canções à todo mundo que gosta de uma boa cerveja e uma boa carne. Como bons bebedores que são, ainda incluíram mais uma depois da saideira. Embora relativamente desconhecidos, "os caras arregaçaram", foi um dos comentários ouvido de passagem.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

OITÃO

Foto: Cristiano Machado

Mais conhecido como jurado em um programa de televisão, Henrique Fogaça, não aparece no palco nem como cozinheiro, nem como roqueiro, mas como uma velha freira. Se o rock tem um patrão (Steve Harris) e um Boss (Bruce Springsteen), a OITÃO tem um chef (eu sei, a analogia foi forçada demais). E a banda do chef mostrou seu hardcore pesado, até puxado para o thrash, com o baixista Ed Chavez e o guitarrista Ciero também com forte presença. Entre os temas, cantados em português (ponto positivo pra banda do chef), muita crítica contra o que acontece de errado no Brasil e no resto do mundo. "Aqui a gente não tem guerras, as guerras são os nossos políticos que roubam a população. Mas lá na "Faixa de Gaza" tem guerra por religião". O show também teve a participação especial de Canibal, da DEVOTOS, ovacionado pelo público em covers de duas bandas que se apresentaram no APR em recentes edições, RATOS DE PORÃO e OLHO SECO ("Vida Ruim" e "Isto é Olho Seco", respectivamente). O quarteto também atacou a televisão. "Na televisão fala-se muita merda, tem muito fanatismo", e colocou no mesmo saco Edir Macedo, Malafaia, RR Soares, Ana Maria Braga e o Faustão, entre outros, em "Imagem da Besta". O intrigante é que o próprio Fogazza também faz parte de uma das TVs onde trabalham alguns dos personagens criticados.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

LIMPEZA, SEGURANÇA e NOVIDADES

Abriremos um parêntesis para falar dos quesitos limpeza e segurança. Seja em um festival de grandes proporções ou na festa de aniversário de um ermitão, são itens que jamais podem ser deixados de lado. E o festival tinha profissionais (pessoal da limpeza, seguranças, bombeiros, maqueiros) cuidando disso. Não soube de relato de nenhum problema, mas gostei de ver a velocidade em que apareceu um camarada da limpeza pra limpar o ponto em que um banger mais afoito havia derramado sua cerveja. Parabéns para o sujeito. Em termos de infra-estrutura, o CLASSIC HALL tem a grande vantagem de ter uma boa visibilidade onde quer que você esteja. No entanto, o piso do centro do salão acaba ficando muito liso depois que muito suor foi derramado (como é normal em um festival que tem tanta roda) torna-se perigoso. Um escorregão pode não dar em nada, mas pode levar a uma lesão séria na coluna. Algo anti-derrapante poderia ser pensado. Também não pudemos verificar se havia alguma entrada especial para cadeirantes. A lateral seria uma boa opção, uma vez que a central/frontal não é adequada por causa das escadas. O palco nas escadarias também deve ser reprojetado para garantir a segurança do público (pelos motivos já expostos lá em cima).

Sobre as novidades trazidas pelos patrocinadores (principalmente Pitu e Petrobras), só uma boa interjeição pode resumir. A Pitu trouxe a Rocketeleira, uma ideia simples, mas bem original. Havia um capacete com um copo pregado a ele que o banger poderia colocar e preparar o seu próprio coquetel enquanto balançava a cabeça. Quanto mais bangueasse, melhor ficava a bebida, claro. Já a Petrobrás, entre homenagens a Chico Science montou uma estrutura para promover um karaoke muito especial, um karaoke com banda. Em uma sala com isolamento acústico (nem tão isolado, mas, tudo bem), era possível escolher uma canção para cantar com uma banda de verdade acompanhando, com baixo, guitarra e bateria. Outra ideia bem original.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Também topamos com o jornalista Wilfred Gadelha, juntando material para o vindouro documentário "PEsado".

A feira era também algo bastante interessante no festival. Em várias mesas/barracas/tendas era possível encontrar de tudo relacionado à música, desde CDs e LPs a livros, ítens de vestuário e até action figures. Infelizmente, a tal da crise e o pouco público não deixaram que o volume de negócios fosse muito alto. E reclamações do público com o preço de comidas e bebidas também foram frequentes. Não é muito usual pagar por uma garrafa de água, por exemplo, o mesmo valor de uma lata de refrigerante.

QUESTIONS

Foto: Cristiano Machado

O que mais define o som da paulista Questions é a urgência. Urgência como a já conhecida do festival e suas rápidas trocas, urgência do guitarrista Pablo Menna de tocar e pular, urgência do baterista Duz Akira alcançar todas as peças do seu kit ao mesmo tempo, urgência do público em fazer roda. Um dos mais comunicativos do festival, Edu Andrade revelou que se sente feliz de tocar no Nordeste. E pontuava cada música com algum comentário. "Somos da periferia de SP, de fora da sociedade, como diz o título desta música", "Out of Society".

Foto: Cristiano Machado

Ele também foi o único entre os artistas a tomar uma posição em relação ao que está em curso na capital federal, chamando de golpe o impeachment da Presidente Dilma. "Um país democrático nunca deve aceitar isso. Não temos simpatia pelo governo. Nossa simpatia é pelo anarquismo. Mas não é desse jeito que se faz. Esses crápulas estão tirando uma mulher que não é a maça podre". Ainda falou sobre a vida nas ruas ("Born and Raised") e declarou "Se você é contra o facismo, você faz parte do meu ciclo de amizade. Se você é contra o racismo, você faz parte da minha família" antes de um refrão que repetia "My Family, My Power, My friend" e até deu o microfone para alguém no público cantar. Declarando ser aquela noite a realização de um sonho, Edu finaliza: "Sempre lute por seus sonhos. Tenha fé". E ainda rolou uma cover acelerada do SEPULTURA, "Troops of Doom".

Foto: Cristiano Machado

TERRA PRIMA

Foto: Cristiano Machado

Acaba o hardcore, começa o carnaval. Com as bandeiras do Brasil e de Pernambuco no pedestal, o TERRA PRIMA fez um dos melhores shows do festival. Lançando seu segundo álbum (que simplesmente é chamado de "Second", também em analogia aos segundos do relógio) a banda impressiona pela qualidade técnica de seus instrumentistas, mas também pelo bom conjunto de melodias, muito bem encaixadas. Os vocais de Daniel Pinho soam tão bem ao vivo quanto em estúdio, mas, ao vivo, o plus da performance dos seus amigos, promovendo verdadeiros duelos de guitarras e baixo, elevam ainda mais o nível, dispensando até a participação do mais famoso Fabio Lione (ANGRA/RAPHSODY) na ótima "Coming Home".

Foto: Cristiano Machado

Adiante, Daniel disse que quem conhece o TERRA PRIMA sabia cantar a próxima, "Wheels of Time", do começo ao fim. E não estava errado. O público cantou a dita música, mas também as que se seguiram. Daniel ainda se "vestiu" com a bandeira brasileira em "Essence". O show terminou com "Time to Fly" colada a "Life Carries On". De veredito, pode-se afirmar que, qualquer oportunidade de ver esses pernambucanos ao vivo deve ser aproveitada.

Foto: Cristiano Machado

EDU FALASCHI

Foto: Cristiano Machado

Com o problema no ombro de Warrel Dane (o que cancelou todos os shows que o vocalista da NEVERMORE) faria pelo Brasil, o festival fez uma substituição controversa chamando Edu Falaschi em seu lugar. Edu tem seus fãs e está fazendo um trabalho muito bom no ALMAH, está comemorando 25 anos de carreira, lançando a coletânea "Moonlight", mas, nem de longe é unanimidade. E dado que, em poucas semanas, ainda no mês de maio, dia 21, o vocalista estará de volta ao Recife para um show com o suporte da MONTICELLI, o spot poderia ter dado lugar a alguma outra atração, uma banda pernambucana no mesmo nível da TERRA PRIMA, talvez. Alguma outra boa banda do Rio Grande do Norte ou do Ceará (estados que passaram batido nesta edição do festival) seria outra opção. Ou mesmo haver uma redução na programação, uma vez que (falaremos disso mais tarde) um festival com treze bandas em uma só noite ainda é um festival muito, muito grande. A própria HEVILAN, banda que acompanhou o vocalista e acompanharia Dane, seria uma atração bem interessante.

Foto: Cristiano Machado

Bem, falemos do show de Falaschi, que começou com "Symphony of Destruction", seguida de "Stand Up and Shout", do DIO. Os vocais de Falaschi encaixam bem na canção do MEGADETH, mas foi com "Can I Play With Madness" que o público foi à loucura. O vocalista afirmou que era bom estar no Recife, mesmo tendo sido chamado de última hora, e chamou Pompeu, do KORZUS, como convidado, em uma música que "tem muito a ver com minha entrada no Heavy Metal", disse. A música é "War Machine", do álbum "Creatures of the Night", do KISS. "The River Dragon Has Come", do NEVERMORE, também homenageou o dono original do spot. Mais uma do MAIDEN, "The Evil That Man Do" e FALASCHI canta uma do SYMBOLS (o que foi uma grata surpresa para quem só tinha visto Edu junto ao ANGRA ou ALMAH), "The Traveler". Sobre cantar a canção, Falaschi afirma: "esse desafio eu aceitei". Se você não sabe a que ele se refere, não sou eu que vou dizer.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Já em "Rebirth", Edu quase nem precisa cantar. O público toma seu lugar. E enquanto alguém arrumava o sampler da introdução de "Nova Era", Edu falou das lembranças boas com o ANGRA e ALMAH. E resolveu começar a cantar acapela, mas acompanhado pelo público, "Pegasus Fantasy", da trilha sonora dos Cavaleiros do Zodíaco, uma das paixões confessas do vocalista e acabou fazendo com a boca os trechos de teclado do clássico do ANGRA, "Nova Era".

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

ROBERTINHO DO RECIFE

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Um dos principais nomes da noite é um filho de Recife. E vê-lo, ao vivo, principalmente para quem não é do estado, é uma grande oportunidade. Um dos pioneiros do Heavy Metal no Brasil o guitarrista de cabelo alisado, platinado, apresentou-se ao lado do filho, Rob Khalil, no baixo, do vocalista Lucky Lizard Leminski (integrante da Metal Mania original), da guitarrista Isa Nielsen (DETONATOR) e da baterista Jully Lee (ex-NERVOSA). O guitarrista tocou com camisa do Monsters of Rock, festival em que ele também tocou no ano passado (como convidado do MANOWAR).

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Assim como na banda de Malmsteen, é Lucky quem faz as vezes de frontman, embora os olhares se concentrassem mais na dupla de guitarristas, a bela e a fera, duas feras dominando as seis cordas. Nos solos, obviamente, o guitarrista platinado eclipsa toda a banda, mas a guitarrista Isa Nielsen também hipnotiza. No repertório, canções como "Sou Um Animal", "Gata", "Fogo" ("Quero seu Corpo"), "Killing Girl". Ao som do baixo do filho, Robertinho começa a falar com o público. "Bem vindos ao nosso trem fantasma. Aqui só tem morto-vivo". A canção, claro, era "Ghost Train". Também rolou "You Got Another Thing Comming", do JUDAS PRIEST, banda para quem a Metal Mania havia aberto o show do Rio.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

"Vocês querem solos na velocidade da luz?", pergunta Lucky Lizard. "Essa é a nova formação da Metal Mania", conclui. Mas Robertinho fica só no palco e era exatamente isso o que todo mundo queria dele: um solo que só pode receber adjetivos equiparáveis a Magestoso. Quando o resto da banda volta é a vez de "Metal Daze", do MANOWAR, um hino do Heavy Metal, uma ode ao estilo. Chega a hora de bater o pé, bater a mão. Mas os riffs e palmas são, na verdade, uma notícia ruim. O show está acabando. Muito pouco pra quem esperou tantos anos para ver Robertinho entregue novamente em um palco tocando Heavy Metal. O guitarrista ainda apresentou a banda e chamou Antonio Araújo (KORZUS), que é pernambucano, e os MONTICELLI pra fazer uma festa no palco. Mas faltou "Baby Doll de Nylon".

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

EVIL INVADERS

Foto: Cristiano Machado

Única banda gringa da noite, os rápidos, rudes e em volume alto belgas da EVIL INVADERS fizeram um dos shows mais surpreendentes do APR. A banda é relativamente nova, tem apenas um CD lançado, "Pulses of Pleasure", mas seu desempenho no palco conquistou todos os que estavam por ali. Trata-se de um speed metal com vocais agudíssimos, solos muito bem feitos e um perfeito domínio de palco, com ambos os guitarristas e baixista sem parar quietos um minuto. Sabe aquele shred super-complicado de fazer? Os belgas fazem macaqueando no palco.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

A banda é mais ou menos como uma SKULL FIST do speed/thrash. Ninguém conhece, mas quando se vê em um show, não consegue ficar parado e acaba acompanhando a energia dos moleques. Nem precisava dos apelos de Joe: "façam algum barulho, provem que estão vivos". Entre faixas do álbum "Pulses of Pleasure" e um cover do EXODUS ("Fabulous Disaster") o quarteto arrancou elogios até mesmo do pessoal que acompanhava o show no backstage (pessoal da produção e músicos de outras bandas). Uma curiosidade: a faixa que dá nome ao álbum quase (eu disse quase) termina num plágio involuntário do hino nacional.

Foto: Cristiano Machado

Setlist
* Fast, Loud 'n' Rude
* Driving Fast
* Pulses of Pleasure
* Shot to Paradise
* Siren
* Stairway to Insanity
* Fabulous Disaster (EXODUS)
* Victmim of Sacrifice
* Master of Illusion

REBAELLIUN

Um festival de tamanhas proporções cobra bastante de seus frequentadores. E o maior custo nem é o preço do ingresso (afinal, com crise ou sem crise, os ingressos do Abril Pro Rock são sempre muito baratos - pelo menos desde que passei a acompanhar o festival). O maior custo é o extremo esforço físico para manter-se de pé (ou na roda) durante a maratona de apresentações. As bandas que ficam para depois, em teoria as mais aguardadas, acabam sendo prejudicadas. Em um ano de tantas perdas na música, a volta do REBAELLIUN fez a alegria de muito fã de death metal no Brasil. O fato de que estavam com disco novo tornava a notícia melhor ainda. Mas, no primeiro show após a volta, o público foi aquém do esperado. Eu, particularmente, considerei a escalação bem mais empolgante que a original (a MALEVOLENT CREATION) e, provavelmente, esta era a mesma opinião de muitos que estavam ali, "capotados" nas escadarias do Classic Hall. O que não havia nesses bangers era energia para aproveitar melhor aquele momento.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

O quarteto gaúcho, tocou sons do disco novo, "The Hell's Decrees", e da primeira parte da carreira da banda, como o "Anihilation" (que Lohy Fabiano lembrou ter lançado no Recife em 2001) e do EP "At War". Com dois guitarristas solando, Fabiano Penna e Adriano Martini (substituindo Ronaldo Lima, que não veio ao Recife por motivos de saúde), dá pra ver porque a banda deixou saudade. Um peso imenso. Solos gigantescos, fora do padrão comum de uma banda de death. Tendo estado fora da mídia por tanto tempo, é normal que nem todo mundo presente, principalmente as mais novas gerações, estivesse tão disposto a recepcioná-los com a merecida atenção. Mas, felizmente, estava confirmado. A REBAELLIUN estava de volta aos palcos. É mais um grande nome do Death Metal brasileiro que vai levar o metal extremo do Brasil pelo mundo afora. E os palcos da Europa (o quarteto está confirmado no Brutal Assault e no Party.San) e do Brasil inteiro já se preparam para recebê-los.

KORZUS

Foto: Cristiano Machado

Quando foi anunciado o KORZUS, boa parte dos fãs, que andavam mortos pelas escadarias do Classic Hall voltou à vida e correu em direção ao palco. O show começou como começa o álbum "Ties of Blood", com "Guilty Silence". E o show teve uma maior participação do público em canções como "Never Die", "Raise Your Soul" e "Discipline of Hate", com grande destaque para Antonio Araújo, filho de Recife. Pompeu chama o público pra junto, "Vamos ver se eu consigo tirar alguma coisa de vocês", declamando parte do refrão ("I See Your Death") de "What Are You Looking For", mas foi "Correria" que acordou mesmo a galera, com Pompeu "regendo" a roda. Sozinho no palco, adiante, Araújo faz um solo bombástico (soube depois que teve um trecho do hino de Pernambuco). "Recife, acorda porra", o guitarrista chama a galera para a luta. De volta, Pompeu começa a falar que "queria mandar um abraço" e ia citar alguns nomes, mas é interrompido pela galera que brada o nome de sua banda repetidamente. "Korzus, Korzus, Korzus".

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Em "Vampiro", é hora de um belo "Wall of Death" (infelizmente pequeno devido à pequena quantidade de público no momento). Nessa hora não é hora de trabalhar. Deixei o óculos e o papel e caneta com um dos seguranças e corri pra batalha. Mas, como falei antes, não me arrisquei a continuar na roda devido ao piso escorregadio. E depois de "Truth" vem o clássico "Guerreiros do Metal", uma canção que faz parte da história do heavy metal brasileiro. "Legion", que dá nome ao elogiado último disco do KORZUS põe fim ao show de Pompeu, Dick Siebert, Antonio Araújo e cia.

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

1. Intro Guilty Silence
2. Guilty Silence
3. Never Die
4. Raise Your Soul
5. Discipline of Hate
6. What Are You Looking For
7. Correria
8. Intro Agony
9. Agony
10. Trio new*
11. Internally
12. Vampiro
13. Truth
14. Guerreiros do Metal
15. Intro Legion
16. Legion

VIPER

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Foto: Cristiano Machado

Depois de uma maratona de tantos shows, era compreensível que muita gente que foi ao festival não tivesse mais forças para continuar. E até mesmo as baterias das câmeras do Cristiano Machado, nosso artista das imagens, pediram arrego (as fotos deste show foram tiradas no celular). Mesmo assim, diante de um número pinçado entre os dois primeiros discos do VIPER (ambos praticamente dois best of) e algumas do restante da discografia da banda, os reminiscentes do grupo encontraram forças para entoar o coro "Olê Olê Olê Viper Viper". Andre Matos canta canções de sua época e dá nova vida a canções que foram lançadas originalmente na voz de Pit Passarell com a mesma emoção. Já Martin espanca os pratos com o mesmo vigor das bandas de hardcore que o antecederam. E entre uma música e outra, André e Pit brincavam um com o outro e com o público, num clima de festa.

"Muito bom dia, galera zumbi, remanescentes do Abril Pro Rock, porque a essa hora da manhã, só sobram os vampiros e os zumbis", fala Andre. E apontando para Pit: "Tá aqui um. Taqui o Highlander".

"Tocar depois do Korzus é difícil porque eles são umas das melhores bandas de metal do mundo e são nossos contemporâneos", declarou o vocalista antes de agradecer ao convite da produção do APR. "O VIPER tocou em 1989. A gente não tinha nada, dormia todo mundo no mesmo quarto. E em 89, Recife acolheu esta banda. Este foi o primeiro estado em que o VIPER tocou fora de São Paulo. Então se esta for a última vez, que seja aqui em Recife", ao que Pit interrompe, "ele fala por ele, porque eu ainda canto".

E o desfile de clássicos com "Nightmares", "Wings of the Evil" e a emblemática "Soldiers of Sunrise", que fez Felipe Machado rodopiar em torno de si várias vezes. Nesta Andre rege o coro e fica feliz com a resposta do público. Seguem "Dead Light" e "A Cry From The Edge", com o público acompanha as notas de Machado e Mariutti.

"Vocês querem mais? Então vamos para uma clássica", avisa Andre antes da belíssima "Living For The Night", com o público cantando toda a primeira parte e acendendo as luzes dos celulares num momento que ficaria bem mais bonito em um Classic Hall lotado. Mas houve até quem acendesse isqueiros. Mais tarde, Andre para os pratos de Martin, enquanto Machado e Mariutti também param de tocar. É hora de Pit brilhar sozinho, mas o solo é mínimo. Mas as brincadeiras dos cinco adolescentes de seus 40 e muitos anos. "Sou o homem tocha", diz um. "Sou o homem elefante", diz o outro. Alguns presentes curtiam, outros nem tanto.

Não faltou, porém, o momento de homenagear Vespasiano Ayalla, pra quem dedicaram "Prelude to Oblivion". "Todo mundo que trabalha com banda tem que ter um amigo e Ayalla era o nosso amigo. Fica aqui a nossa consideração aos filhos do Ayalla: Dylan e Joplin". Pit também tentou homenagear a cultura recifense e CHICO SCIENCE, mas, obviamente, não conseguiu lembrar o nome do falecido líder da NAÇÃO ZUMBI. "Senti falta do Ananauea Aê". Mas assume os vocais em "Rebel Maniac", enquanto Andre vai para o baixo. Isso mesmo. Andre assume o baixo durante toda a canção. Embora declarassem que gostariam de tocar mais três horas no Abril Pro Rock, o dia já chegava e Andre avisa que encerrariam com uma música do JUDAS PRIEST. "Painkiller" clama o público, ao que Andre responde. "Aí é pedir demais. Pera um pouquinho", mas Martin fala como pode falar, fazendo as primeiras batidas da inesquecível intro. Mas é "Breaking The Law", com o Ari, roadie que está em todos os shows de todas as bandas no Brasil, no lugar de Ian Hill (e de Pit), que encerra o show e o festival.

Foto: Cristiano Machado

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Com o dia claro (e já em maio), é hora de se despedir mais uma vez do Abril Pro Rock. Em nenhum momento se pode dizer que foi ruim. É um festival cheio de boas ideias, concentrando um número enorme de boas bandas, novidades e artistas consagrados, com boa organização ("é como um reloginho", tinha dito João Gordo, anos atrás). Talvez não tenha tido o mesmo brilho que edições anteriores, talvez o grande número de atrações e o cansaço (foram quase 11 horas de metal e hardcore) tenham eclipsado o fato de que não é tão comum ver todas aquelas bandas juntas (eu mesmo, no show do KORZUS, um dos que mais esperava ver, estava praticamente morto). É complicado aguentar tanto tempo em pé, em rodas, balançando a cabeça. Chega a não ser divertido. E ser divertido é o mais importante em um festival. E não podemos esquecer também da tal da crise. Mas, mesmo assim, o festival continua sendo um evento ímpar, continua sendo um dos maiores festivais do Brasil, continua tendo suas atrações aguardadas ansiosamente desde janeiro e fevereiro por quem o frequenta. E se não houve atrações internacionais de peso, as atrações nacionais que estiveram ali estão acostumadas com os palcos do mundo inteiro. Será que é preciso ir pra União Soviética para entrar na roda de um show do QUESTIONS? Será que é preciso estar na Polônia, Alemanha, Itália pra banguear em um show da NERVOCHAOS? Será que é preciso ter atrações internacionais para que um festival seja bom. Então, esqueçamos o ABRIL PRO ROCK. Vamos todos ao Party.San ver a REBAELLIUN por lá. Ah, mas tem a crise...

Se você chegou até aqui, lei mais resenhas do festival na Metal Militia e no Recife Metal Law.

http://metalmilitia.com.br/2015/abril-pro-rock-2016/

http://www.recifemetallaw.com.br/index.php?link=materias&id=...

http://screamyell.com.br/site/2016/05/07/balanco-abril-pro-r...

Agradecimentos:

Produção do festival, pelo credenciamento.
Cristiano Machado, pelas pinturas, ops, fotos que ilustram esta matéria. Alcides Burn (e sua família) e Washington Pedro pela calorosa recepção, apoio e amizade.

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Post de 15 de maio de 2016

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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