Abril Pro Rock: 14 bandas no dia mais pesado do festival

Resenha - Abril Pro Rock (Chevrolet Hall, Recife, 30/05/2016)

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Por Bruno Silvestre
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Um show de heavy metal encerrado com um cover de Breaking The Law, em homenagem aos britânicos do Judas Priests, pode parecer um sinônimo de perfeição para aqueles que não foram a um dos maiores eventos de Metal e Rock do Brasil, o Abril Pro Rock, e apenas ficaram sabendo deste show por meio de terceiros. Pode-se até dizer que o cast de músicas e o line-up foi satisfatório, mas, também eram notáveis alguns problemas que vêm incomodando não só o público, mas principalmente os produtores do evento, que este ano tiveram muita dor de cabeça com cancelamentos de atrações internacionais, os quais seriam as principais da noite, e com a enxurrada de críticas nas redes sociais, por parte dos fãs contra a escalação de algumas atrações.

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Começando pelas enxurradas de críticas mencionadas antes, a maioria sob o dilema de “edição mais fraca de todas”, vimos o resultado disso na quantidade de público. O que em anos anteriores conseguia vencer com facilidade o dia de abertura do festival (também chamado de “dia mais leve”), esse ano falhou, tendo-se a impressão que o show ocorrido no dia 30 de Abril de 2016 tenha tido uma quantidade semelhante de presentes ao do dia 29. Alguns fatores podem ser apontados para isso: cancelamento dos shows de Warrel Dane e Malevolent Creation, crise financeira, formato do evento, repetição de bandas escaladas em edições anteriores...uma infinidade de situações a serem avaliadas pelos produtores.

Falando também no formato, foi visível o problema enfrentado pelas bandas que se apresentaram no final do evento para receber um feedback do público. Os gaúchos do Reabeliun fizeram uma apresentação brutal, digna de roda uma de mosh pit gigantesca, de espantar os menos corajosos. Porém, durante a apresentação grande parte do público se encontrava deitado e até mesmo dormindo próxima a escada do Chevrolet Hall ou na parte externa do local. Outros estavam apenas sentados esperando o Korzus que seria a banda seguinte. E mesmo após a sua chegada ao palco, o guitarrista Antônio Araújo teve que pedir inúmeras vezes aos presentes para que fizessem rodas de mosh e que agitassem mais durante o show. Rebealiun e Korzus foram, respectivamente, a antepenúltima e a penúltima banda a se apresentar, num festival de 14 bandas e quase 10 horas seguidas de show. Era de se esperar que até os jornalistas e fotógrafos ficassem exaustos.

Além disso, ainda houve questionamentos ao preço do consumo no local, que realmente estava caro. Mesmo com todas as críticas a estrutura e a organização do evento, que prejudicou o prestígio, o evento ficará na memória de quem pode ver os shows. Pois, as bandas fizeram sua parte em cima do palco e deram momentos inesquecíveis aos fãs. Primeiro veio o aquecimento, ou seja, os shows que ocorreram no palco menor do festival, abrindo com a banda de death metal Confounded. Começar um show com uma banda de música extrema já demonstra a preocupação que o festival teve em termos de agitação de público, o que de certa forma deu certo: Roda de pogo, rif’s velozes e muito, mais muito blast beats para aquecer o público, foi o que os pernambucanos fizeram para mostrar um pouco do que estava por vir.

Em seguida a banda Monticelli teve a responsabilidade de diversificar o evento e dar um gás ainda maior que a banda anterior. Os três irmãos fizeram um show tranquilo, com um público empolgado e uma perfomance bem executada ao vivo (combinando com o figurino). O público era pequeno, mesmo maior que do show anterior, e bem comportado, mas, se identificou bastante com a identidade musical única que possui o power trio do hard/heavy. O repertório executado foi todo de músicas autorais, These Behind Walls, Payback, Future Blues, Plan B, Simpathy, foram as que renderam grande apoio e incentivo de todos os que estavam presentes. No final da apresentação, Arthur, baixista da banda, deu uma declaração acusando os jornalistas da mídia impressa do estado de tecerem críticas negativas a banda sem nunca terem assistido a um show deles. Bem, problemas a parte, o show marcou uma grande apresentação ao vivo de uma promessa para o nosso estado em termos de hard rock/heavy metal.

Voltando ao metal extremo, os sergipanos do [MAUA] fizeram uma apresentação ainda mais brutal que a do confounded, colocando ainda mais gente para bater cabeça e “moshear” em frente ao palco menor. O grupo que toca technical death metal, veio a Olinda lançar o seu debut intitulado de Unconscience, que vem na mesma linha musical que a demo Conscience lançada em 2009. Sendo assim era dia de comemorar, e o tempo foi bem aproveitado. Mesclando entre as músicas do álbum e da demo, a banda ainda tocou um cover de Samba Macossa (em versão Death Metal) em homenagem a Chico Science e aos 20 anos de lançamento do disco Afrociberdelia. Um show incrível, que foi o retorno de uma banda importante desta nova geração do metal nacional.

O quarto show da noite foi à estreia na utilização do palco maior, o original do Chevrolet Hall. E quem deu as boas-vindas foram os paulistas do Nervochaos, que já estão acostumados com o público pernambucano, pois há pouco mais de um mês o quarteto tinha feito show no festival Visions Of Rock, em Caruaru. De forma objetiva, pode-se dizer que foi um show regular para uma banda de Death Metal, mas, deu boas expectativas aos fãs por ter feito bom uso o espaço em que tocaram e fazendo um dos melhores show’s da noite. Se comunicando apenas em gutural durante o show todo, a banda do vocalista Lauro Nightrealm tocou músicas de todos os seus álbuns, entre elas: Total Satan, Gospel of Judas, To The Death, I Hate Your God, The Harvest, Blood Ritual.

Em seguida uma novidade, Sick Sick Sinner, mandando seu estilo psichobilly, tendo em destaque “Mutant Cox” tocando seu contra baixo. Vindos de Curitiba, era a primeira vez da banda em Pernambuco. O público reagiu bem, o som era bastante rápido, e mesmo sendo estilo musical antigo houve muita agitação durante o show. Foram tocadas as músicas, Coffe Freak, Wild Party in Hell, Diabolica Sed, Unfreakinstoppable, Road of Sin e outras demais que puseram o público mais para dançar do que para “moshear”. Já a banda Questions, que estava em Recife pela segunda vez, tocou em seguida e inundou o festival com músicas repletas de críticas sociais. O destaque da apresentação ficou por parte do apelo do vocalista Edu Akira, que parou o show por alguns minutos para mobilizar o público a lutar contra o processo de impeachment da presidente Dilma. No que rege a parte musical, os paulistanos tocaram Out of society, Life is a Fight, The Same Blood, Rise Up, The Victory Speech entre outras. E no final o destaque ficou para um cover de Troops of Doom do Sepultura.

A partir daí o show já estava chegando à metade, preste a entrar nas atrações principais da noite. E assim entrou os pernambucanos do Terra Prima, tocando a músicas do disco recém lançado Second. Once Upon a Time, You Won’t Stop Me, Thomas, A Strangrs In Town e Last Minute foram as que figuraram do repertório atual. Enquanto que Time To Fly, Life Carries On, And Life Begins foram as que compõem o debut tocadas durante o show. Foi uma ótima esquentada para quem abriu o show para ninguém menos que Edu Falaschi. O vocalista do Almah e ex integrante do Angra aceitou a proposta de substituir o norte-americano Warrel Dane, que cancelou o show após se envolver em um acidente.

O que antes do show parecia ser uma dor de cabeça para os produtores, acabou se tornando uma noite de clássicos e não somente pelos covers. Abrindo o show, Edu, com o suporte instrumental do Terra Prima, colocou os headbanger’s para cantar Simphony of Destruction, do Megadeth, em seguida elogiou o público descrevendo como é prazeroso se apresentar na cidade. Após os elogios mandou Kill The King em homenagem a Ronnie James Dio. O público estava ansioso para saber quem seriam os convidados especiais anunciados pelo evento. E após o segundo cover vem ao palco Antônio Araújo, que mesmo sendo guitarrista, pegou o microfone e cantou The River Dragon, música da banda Nevermore, dedicando-a a recuperação do vocalista acidentado Warrel Dane. Sai Antônio Araújo e entra Marcelo Pompeu, também do Korzus, que cantou War Machine, cover do Kiss.

Na volta Edu Falaschi ainda cantou Seventh son f a Seventh Son do Iron Maiden que fechou seu repertório de covers. Mas o que viria a seguir foi ainda melhor: a autoral Rebirth, que faz parte do álbum de mesmo nome gravado enquanto estava no Angra, fez parte do repertório e que levou o público presente a cantar um coral imenso junto com o vocalista. Em seguida a autoral cantada por Edu foi a bastante conhecida: Pegasus Fantasy, abertura do anime Cavaleiros do Zodíaco, que inclusive foi cantada de maneira improvisada sem nenhum instrumento. E para finalizar a apresentação de forma magistral, mandou Nova Era, também presente no álbum Rebirth do Angra, e que gerou um terceiro coral junto ao público encerrando assim sua apresentação no festival. Sem dúvida foi uma apresentação espetacular, visto que muitos que pagaram o ingresso jamais imaginariam que um dia iriam sentir o gosto de época tão nostálgica do Power metal no Brasil.

Sai Power Metal e entra Hardcore: Oitão foi à banda responsável pela mudança de ritmo e comportamento do público após a boa apresentação de Edu. O começo do show foi sugestivo, Henrique Fogaça, vocalista da banda, entrou no palco com uma máscara meio curiosa, meio indescritível mas que parecia um retrato de rosto de alguma autoridade religiosa. A maior parte do show foram tocadas músicas do recém-lançado Pobre Povo, sendo a faixa título de mesmo nome do álbum a música de abertura. Fora ela também estava no setlist: Podridão Engravatada, Não Me Entrego Não, Brasil, Hipócrita, Faixa de Gaza, Tiro Na Rotula, Imagem da Besta. O melhor momento do show ficou pela participação especial de Cannibal. O vocalista de Devotos foi anunciado pelo guitarrista Ciero, que lembrou quando conheceu o pernambucano em São Paulo. No palco Cannibal cantou, junto com Henrique, um cover de Isto é Olho Seco, da banda Olho Seco.

A partir daí muitos fãs já estavam empolgados com os grandes momentos presenciados, independente da banda que havia ido ao palco. E quem entrou em seguida foi mais outro que tem história, Robertinho do Recife veio a sua cidade após o lançamento de Back For More, que é um relançamento do grande sucesso Metalmania. O álbum foi tocado na integra durante sua apresentação. Abrindo com Metal Mania, ainda foram apresentadas Fogo, Gata, Trem Fantasma, Corações e Pernas, Barbaridade, Assassina, Dança Lolita. Ainda foi feito o solo de Fantasia Preto e Prata, que não poderia faltar para mostrar sua a virtuosidade na guitarra. No final, mais um momento memorável, subiram ao palco Antônio Araújo (Korzus) e toda a banda Monticelli. Uma verdadeira confraternização de abraços, improvisos musicais, performances engraçadas e um sentimento de fraternidade muito grande.

Após o cancelamento das duas principais bandas internacionais, a única que se apresentou passaria a ser a principal da noite. E os belgas do Evil Invaders foram ao palco cheios de coreografia e uma energia durante sua performance que lembrava o auge do Thrash Metal nos anos 1980. Abriram o show com Fast’N Loude Rude, faixa título do debut Pulses of Plesure, e mesmo com problemas no amplificador de guitarra do frontman Joe Anus o show continuou numa empolgação extrema que se perpetuou até o fim do apresentação. Basicamente todo o cast foi composto por músicas do disco atual: Pulses of Plesure, Eclipse of the Mind, Stairway to Insanity, Venom, Shot To Paradise e Master Of Illusion completaram a festa da madrugada. Destaque também para o cover de Fabulous Disaster, do Exodus.

A partir daí o cansaço começou a bater forte entre os presentes, havia até gente dormindo quando o Rebealiun, do Rio Grande do Sul, entrou no palco. Foi um show brutal de Death Metal, eles estavam revisitando a cidade depois de 15 anos da sua primeira apresentação, e levaram ao palco algumas músicas do novo álbum, The Hell’s Decress. Ainda assim os repertórios tocados na maior parte foram dos primeiros álbuns Annihilator e Burn The Promissed Land. Como destaque da noite ficou por parte de Legion, Affronting The Gods e Crush The Cross do álbum a ser lançado oficialmente dia 13 deste mês. Já chegando no fim do show, entra o Korzus, e quem estava descansando, despertou para ver um dos ícones do metal mundial. Abrindo com a faixa Line, vieram as seguintes: Raise Your Soul, Never Die, Slavery, Mass Illusion, What Are Lookinf For, Vampiro, Guerreiros do Metal, Correria, Beyond The Limits Of Insanity, Time Has Come e Lamb. A banda não vinha à Pernambuco desde 2011, quando tocou em Caruaru, e matou a saudades dos fãs que só tiveram a oportunidade de vê-los em 2007, quando tocaram no Abril Pro Rock pela primeira vez.

E encerrando o evento, que terminara às cinco horas da manhã do domingo, o Viper concluiu a festa com um público curto, mas, bastante concentrado e interagindo muito com os diálogos de Pit Passarel e André Matos, que basicamente fizeram um “stand-up” divertindo o público (e entediando alguns) na pausa entre as músicas. E no repertório, clássicos da banda que não se apresentava no Recife desde 2005: Wings Of The Evil, Knights Of Destruction, Nightmares, Soldiers Of Sunrise, A Cry From The Edge, To Live Again e Rebel Maniac conseguiram manter vibrantes aqueles que resistiram até o último minuto. E no final, como mencionado no começo, um cover de Breaking The Law, encerrando o festival dignamente e fazendo valer o ingresso mais caro que nos últimos anos.

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