Entombed: Produção impecável e público ávido por metal extremo

Resenha - Entombed A.D (Arena Hits, Fortaleza, 15/03/2015)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Com a persistência de heróis que levantaram a bandeira do heavy metal o tempo em que shows do estilo eram raridade em Fortaleza ficou para trás. Um desses heróis atende pelo nome de Roberto Gino, dono da Gino Production, responsável por toda a festa naquela noite. Mas este é apenas mais um dos resistentes entre muitos que estiveram no domingo no Arena Hits para receber duas ilustres visitas (uma vinda de Minas Gerais e outra vinda da gélida Suécia) e conferir a nova formação da conterrânea KRENAK. Os cearenses não ficaram a dever diante dos visitantes do KROW e da lenda ENTOMBED, com ou sem A.D. Você confere a partir de agora como foram estes três shows que deixaram os bangers de Fortaleza com os pescoços doloridos e corações felizes.

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KRENAK

A KRENAK foi a responsável por abrir a noite e aquecer o público ávido por death metal. Luís Paulo Pereira, ex-BURNING TORMENT, nos vocais e Henrique Monteiro (ENCÉFALO), no baixo, agora são os responsáveis por defender os papeis antes tão bem defendidos por Felipe Ferreira, (CLAMUS), que na plateia aprovava o bom trabalho dos novos integrantes e dos amigos Ítalo "Chicó" Chaves (bateria) e David Barroso (guitarra). E fizeram muito bem a sua parte, levando o público ainda tímido no Arena Hits a iniciar a tortura de seus próprios pescoços. Luis Paulo imprime sua própria personalidade nos vocais da banda deixando os fãs da KRENAK em uma questão de difícil solução: qual versão da banda seria melhor. Foda-se, As duas são boas e valem a pena a compra do ingresso e dos CDs. E por falar em CDs, a faixa ainda inédita "Evil Injected", entre outras, anuncia que em breve teremos novidades. Tanto os sons novos quanto os de "Decimation" foram executados com maestria e na hora de 'Hipocrisy on War", que fechou o set, o público que já preenchia bem os espaços do Arena Hits estava completamente rendido ao som do death metal do KRENAK, agora ainda mais brutal. A única ausência mesmo foi a própria "Decimation".

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KROW

A produção estava bem azeitada e a troca de palco foi extremamente rápida. Logo os mineiros do "triângulo satânico" estavam no palco para botar tudo para quebrar com "Despair". E nenhum pescoço permaneceu imóvel aos riffs de "Retaliated". O quarteto mineiro fez um show bem direto mas não deixou de manifestar o contentamento por estar em Fortaleza e retribuir a atenção e o headbanging incessante do público cearense com riffs certeiros e mortais. Intercalados por solos velozes marcantes, com direito a solo de bateria de Jhoka Ribeiro ao final de "Endless Lashings". "Eidolon", um dos pontos altos da noite fez todo mundo levantas as mãos e gritar "hey" em uníssono, o que se transformou num coro de "Minas Gerais" é só pra nós".

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"A gente não poderia encerrar essa turnê de forma melhor", exclamou Guilherme Miranda, vocalista e guitarrista do quarteto. " "Whoreborn", uma faixa que vale o show, manteve o nível nas alturas. Ou melhor, nas profundezas. Os mineiros fizeram questão de frisar que terminariam o show com uma música que foi lançada em Fortaleza, no Forcaos de 2009: "Before The Ashes".

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Entre um show e outro, a Gino Production realizou o sorteio de dois ingressos para o show do VADER, sua próxima grande realização. A lenda polonesa do Death Metal incendiará Fortaleza em 29 de maio.

ENTOMBED A.D

Mas o que a casa se arrumou mesmo foi para receber o ENTOMBED. Se era A.C, B.C, A.D, D.C, não importava. A plateia atendeu ao chamado da Gino Production para ver uma lenda. E era uma lenda que eles iriam ver. Quando a introdução, ao som de violinos, de "Pandemic Rage" (do excelente "Back To Front", lançado ano passado) iniciou nos PAs, os fortalezenses souberam que era hora de reverenciar o metal sueco, era hora de deixar a morte deitar e rolar ao som do mais puro death and roll. Perdoem, foi impossível resistir ao trocadilho. A presença do quarteto (dois deles homenageando o KROW em suas camisas), formado pelo indefectível Lars Goran Petrov e seus três asseclas (o guitarrista Nico Elgstrand, o baixista Olle Dahlstedt e o baterista Victor Brandt), causou verdadeira comoção entre os presentes. Hipnotizados, todos os olhos se voltaram para o palco do Arena Hits, observando mesmerizados cada movimento, cada nota.

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Mas foi ao som de "Eye For An Eye" que o público teve que escolher entre bangear ou cantar o sucesso de "Morning Star" (ou os dois). Ao pedido de Petrov, uma violenta roda se formou. O sueco agradeceu mostrando os pelos do braço, arrepiados com a recepção do público cearense. E se a visita ao álbum de 2001, criou aquele efeito, tudo foi maximizado com "Revel in Flash", primeira do primeiro álbum do ENTOMBED, o mais que clássico "Left Hand Path".

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Ouvir "Eyemaster" e presenciar ao vivo o riff que inaugurou um estilo foi um momento memorável para todos ali. A maratona de clássicos continuou com "Living Dead", da pérola "Clandestine". Petrov também demonstrava estar feliz. Apertava mãos durante o solo, dividia sua cerveja e era até simpático com um ou outro banger que arriscava um stage dive (desde que não abusassem). E aquele desfile de clássicos chegaria ao ápice com o maior sucesso do ENTOMBED. Claro que estamos falando de "Wolverine Blues" (que de blues não tem nada). A mãe dos clássicos do ENTOMBED, mesmo em sua relativamente curta duração, é capaz de fazer lágrimas rolarem a cada palhetada nervosa, a cada batida, a cada frase do mago Petrov (deve ser por isso que se chama "blues").

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"Entombêde, Entombêde, Entombêde", gritava o público. Era a senha para que Petrov anunciar "Left Hand", "Left Hand", "Left Hand" e dar cria ao caos com a faixa título do álbum que colocou o ENTOMBED no mapa do metal, "Left Hand Path". A letra foi acompanhada (e cantada) com emoção pelo público, até mesmo nas partes instrumentais do longo (e marcante) solo de guitarra. A noite estava ganha. Se fosse hora de voltar para casa, todos voltariam felizes. Mas ainda havia mais por vir.

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O sample pungente que substituiu a banda ao fim de "Left Hand Path" dá lugar a introdução de "Chief Rebel Angel". A faixa inspirada no filme "Advogado do Diabo" e é uma das melhores da discografia do ENTOMBED não estava no setlist original daquela noite, mas, felizmente garantiu mais um diálogo entre banda e plateia que Keanu Reeves e Al Pacino não fariam melhor. "Eu sou fã da humanidade", parafrasearia Petrov. E se havia alguém ali que não era seu fã, não pode escapar e se tornar mais um fã do ENTOMBED.

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Nico, no entanto, não estava em um de seus melhores dias. Apesar de levar o show inteiro e executar com perfeição partes que foram tocadas por outros gênios do death and roll antes dele, o músico não estava bem de saúde, tinha até vomitado. Apesar do problema, a banda agiu com profissionalismo, mas não pode evitar cortar duas ou três faixas que estariam na segunda parte do show, que teve apenas três músicas, uma com a participação do guitarrista do KROW e "Serpent Speech", o ato que pôs o fim àquela noite mágica.

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Mais uma vez, os bangers de Fortaleza receberam a retribuição por sua resistência. Uma produção impecável, três bandas extremamente profissionais e um público ávido por metal extremo tornaram aquele dia de domingo, 15 de março, uma data especial que será sempre lembrada. E para aqueles que não acreditavam no sucesso de tal empreitada, restou apenas o arrependimento. Mas não devem sentir isso por muito tempo. Conversei com Petrov ao fim do show e ele me contou que pode voltar ano que vem. Fortaleza estará de braços abertos e pescoços prontos para recebê-lo.

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Agradecimentos:
Roberto Gino, pela atenção e credenciamento.
André Rocha, pelas excelentes fotos que ilustram esta matéria.

Para terminar, uma curiosidade. Contei para Petrov a relação do André, o fotógrafo, com a banda. Em 1992, André tinha quinze anos. Não merendava na escola nem pagava a passagem do ônibus para guardar o dinheiro para comprar os discos das bandas que gostava, coisa que este redator também fazia. No dia em que ele comprou o "Left Hand Path", dois skinheads o atacaram e quebraram o disco. O gosto de decepção tinha data para acabar: aquela noite, quando André e eu pudemos conversar com Petrov. Ele ainda levou pra casa o setlist, escrito à mão por Petrov num pedaço de caixa de cerveja. O vocalista ainda lhe prometeu uma surpresa na próxima vez que voltasse a Fortaleza e deu a André uma garrafa de vodca. Nosso amigo fotógrafo não bebe, mas garantiu que vai reservar um local especial em casa para o presente.

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Set Lists

KRENAK

1. Possessed
2. Self oblivion
3. Evil Injected
4. Surveilance of Emptiness
5. Temple of Slavery
6. Full of Hate
7. Hypocrisy on War

KROW

1. Despair
2. Retaliated
3. Abominations
4. Endless Lashings
5. Eidolon
6. Whoreborn
7. Before the Ashes

ENTOMBED A.D

1. Pandemic Rage
2. I for an Eye
3. Revel in Flesh
4. Second to None
5. Eyemaster
6. Stranger Aeons
7. Living Dead
8. Out of Hand
9. Chaos Breed
10. Wolverine Blues
11. Left Hand Path
12. Chief Rebel Angel
13. Supposed to Rot
14. Serpent Speech

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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