Sonata Arctica: O público acabou seus pulmões de tanto cantar

Resenha - Sonata Arctica (Complexo Armazém, Fortaleza, 21/02/2015)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Fortaleza está na rota do heavy metal no Brasil e no mundo. Ainda sonhamos com o IRON MAIDEN, mas estamos ainda no começo do ano e ENTOMBED, OBITUARY, VADER, ANGRA, BLIND GUARDIAN são alguns dos grandes nomes do estilo que já confirmaram presença na capital cearense em 2015. A posição geográfica da cidade também passa a ser um ponto a colocá-la como parada obrigatória no início ou final das turnês internacionais. E da mesma forma que a presença das bandas é ampliada, cresce também o interesse de produtoras, de grande, médio e pequeno porte. A Phoenix Produções iniciou suas atividades em grande estilo, fazendo a alegria de "sonateiros" de todo o Ceará e de regiões próximas (como Mossoró, no vizinho Rio Grande do Norte), trazendo ao Complexo Armazém, nas proximidades do Centro Cultural Dragão do Mar, o quinteto finlandês SONATA ARCTICA. Estivemos no evento e contamos como foi.

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Dois grandes posteres no palco (um maior, no centro, com a capa do "Pariah's Child" e um menor, à direita, com a capa do "Ecliptica") já anunciavam que discos dariam a tônica do show, a divulgação do último lançamento e a celebração dos quinze anos do primeiro, embora quase todos os outros discos contribuam com uma ou duas músicas para o setlist. O Complexo Armazém, que já recebeu nomes como CAVALERA CONSPIRACY e ANDRE MATOS, chegou novamente à sua lotação máxima, até mesmo nos camarotes. O que cabia à produção, som, iluminação, organização, estava impecável. Pude testemunhar alguns cuidados comuns em eventos maiores (como festivais produzidos por produtoras maiores ou mais experientes). Apenas repensaria a decisão de dividir o público em pista e frontstage, o que é aceitável em espaços maiores, mas não cabe muito no espaço do Complexo Armazém. Outro ponto que aceita melhorias e deve ser mencionado é a distância dos caixas para os bares. O ideal é que sejam próximos, não vejo a necessidade de concentrarem-se no mesmo espaço da bilheteria. Quanto ao calor no recinto, por ser um ambiente parcialmente aberto, não vejo como um problema de fácil solução. A não ser que pudéssemos movê-lo completamente para a Fenoscândia.

HOSTILE INC

A HOSTILE INC não pode ir para a Suécia este ano, mas recebeu a missão de esquentar o já quente Complexo Armazém para receber os finlandeses do SONATA ARCTICA. Os cearenses tinham acabado de avançar duas etapas na peneira para tocar no Sweden Rock Festival e concorreram a quatro vagas (que no final ficaram com bandas da própria Suécia). Tocando um som bem mais pesado que a banda principal da noite, a HOSTILE INC causou estranhamento por parte da platéia, mas terminou o show com o jogo ganho, afinal, tinham em comum melodia e técnica. As mãos levantadas durante o solo de baixo de Adriano Abreu em "La Petite Mort", a ultima do show, eram prova disso. A banda, originalmente um sexteto, apresentou-se como um quinteto formado por Mac Coelho (Vocal), Junior Maia e Yuri Leite (guitarras), Adriano Abreu (baixo) e Rodrigo Gomes (bateria), com as partes de teclado pre-gravadas. E quem já conhece e admira o trabalho da banda pode apreciar muitas novas faixas que estarão no sucessor de "Qiyamat", ainda sem nome definido e a ser lançado ainda este ano. Pelo que vimos no palco, a obra promete causar grande repercussão no metal nacional em 2015.

Set List

1. Catharsis (Introdução)
2. Laboratory of Lies
3. The Universe Outside
4. Mechanical Man
5. Scream For Liberty
6. Tempus Fugit
7. Levitico
8. Ziegarnik Effect
9. Superflous Existence
10. La Petite Mort

SONATA ARCTICA

Faltando ainda dois minutos para o horário marcado, os gritos de "Sonata", "Sonata", "Sonata" se fizeram ouvir. E os finlandeses foram britânicos. Logo apareceu Tommy Portimo, vestido com a camisa da seleção brasileira, para assumir seu lugar atrás dos bumbos, sendo seguido pelo tecladista, Henrik Klingenberg, pelo guitarrista Elias Viljanen, pelo caçula da turma, o baixista Pasi Kauppinen, e pelo frontman Tony Kakko.

O quinteto abriu o show com "The Wolves Die Young", preferida até pelo meu filho de quatro anos, que confirmou a profecia do Nostradamus Kakko: fez o povo se acabar de cantar. Leia minha entrevista com ele no link abaixo.

Sonata Arctica: preparem-se para acabar pulmões de tanto cantar

A devoção dos sonateiros continuou em "Losing My Insanity", que também fez o público pular. "É muito bom ver todos vocês aqui. Foi uma grande jornada por muito tempo", disse Kakko, dirigindo-se à plateia antes de anunciar a primeira das canções de seu primeiro álbum, "Ecliptica", que, como dissemos, foi um dos álbuns que recebeu especial atenção na noite. E com o coro "ô ô ô ô" , de "My Land", os Fortalezenses deram as boas vindas ao SONATA ARCTICA à sua terra. Minutos depois, aquelas pessoas cantariam abraçadas "Replica" (que substituiu a ótima e CatStevenesca "What Did You Do In The War, Dad" no setlist).

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Voltando ao disco mais recente dos falantes de suomi, "Pariah's Child", Tony fala que soube que Fortaleza tem dois milhões e meio de habitantes, o que representa metade de toda a população da Finlândia, enquanto a pequena Kemi, sua cidade de origem, tem apenas cerca de 21.000 habitantes. Segundo Kakko, eles vivem da mesma forma que seus pais, que viveram da mesma forma que seus avós. E é sobre isso que fala a música "Cloud Factory". Nela, Tony dança como se estivesse em uma taverna, simula estar caindo de bêbado, brigando, vomitando...

O show continua com Henrik e Elias fazendo um duelo de keytar e guitarra em "Black Sheep". Mais uma vez contando a história da próxima música, ato que repetiria muitas outras vezes durante o show, Tony revelou que "Letter to Dana" foi a primeira canção que escreveu para a banda que um dia se chamaria SONATA ARCTICA. Agora, o duelo era com o público, que insistia em querer fazer que seu coro soasse mais alto até mesmo que o som do SONATA ARCTICA. Ao contrário da maioria das bandas de power metal, as letras do SONATA ARCTICA falam de coisas bem palpáveis, atuais, cotidianas, da condição humana. E os direitos da criança são lembrados em "I Have A Right", iniciada à capela.

A mais pesada da noite até então, "X Marks The Spot", dá a Tony a oportunidade de despejar todo o seu repertório de mungangos (os fortalezenses vão entender do que se trata). O tecladista Henrik quase nunca fica atrás de seu teclado, talvez apenas em "Tallulah" e poucos trechos de outras canções, preferindo atacar com seu keytar. E é em "Tallulah" que a emoção toma conta do Armazém, antes de banda e público explodirem em "FullMoon", um dos maiores hits do SONATA ARCTICA, que contou até com um breve solo de bateria de Portimo. Tomy pergunta se estamos prontos para mais "Ecliptica" e todo mundo pulando em "Kingdom For A Heart" é a resposta de Fortaleza. "Vocês querem mais? Estão prontos para cantar?" Sim. Estavam. E muito.

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"8th Commandment" é a última da festa do "Ecliptica". Preciso dizer que teve seu refrão cantado em uníssono, enquanto Tony apontava seu pedestal para o público? Mas é hora de uma pausa para que os lobos do ártico possam beber um pouco de água. Elias, que no frio de Kemi sai tranquilamente de casa sem jaqueta, estava completamente molhado de suor, sofrendo com o calor da terra do sol. Leia minha entrevista com ele no link abaixo:

Sonata Arctica: com -2ºC dá pra sair de casa sem jaqueta

O intervalo é a deixa para Tomy Portimo vir à frente do palco e também fazer graça, pedir silêncio e liderar a catarse. Prontos ou não, o show logo está de volta para sua parte final. E haverá "Blood".

Infelizmente, tudo que é bom chega ao fim, parafraseamos Tony. "Vocês foram maravilhosos hoje à noite. Esperamos vê-los novamente em breve. Comprando seus ingressos, chamando seus amigos, vocês mantem a música viva. Muito obrigado. Não tenho nada a dizer antes de me calar e cantar 'Don't Say A Word'". E o show do SONATA ARCTICA, uma banda formada por cinco músicos extremamente técnicos capitaneados por um líder carismático, caminhava para o seu final. Por diversas vezes, Tony agitou o público o tempo inteiro, esforçou-se para falar português mas foi pouco além do "obrigado". E muitas vezes Elias, Pasi e Henrik solavam em trio (se é que há algum sentido nessa besteira que acabei de dizer). Portimo, por sua vez, castigava a bateria, enquanto para Tony nada restava senão dedilhar o pedestal. Pasi, o mais novo a integrar a banda (apesar de trabalhar com o SONATA há muito tempo em seu estúdio) era outro que mostrava simpatia o tempo inteiro, demonstrando estar em casa, tanto em relação à banda quanto em relação à cidade de Fortaleza. O público também deu seu show, cantou e pulou como se o show ainda estivesse começando. E depois da banda se despedir, pedindo por "Vodka", uma mensagem nos PAs arrematava de forma perfeita aquela noite. A mensagem faz referência à parte falada de "X Marks The Spot" e dizia, mais ou menos assim: "Isso é rock and roll e isso é real".

Agradecimentos: Jonatan Oliveira e Phoenix Produções, pela atenção, credenciamento e oportunidade de bater um papo com a banda. Gandhi Guimarães, pelas fotos que ilustram esta matéria.

Set List:

Preacher / Larger Than Life Intro

1. The Wolves Die Young
2. Losing My Insanity
3. My Land
4. Replica
5. Cloud Factory
6. Black Sheep
7. Letter to Dana
8. Paid in Full
9. I Have a Right
10. X Marks the Spot
11. Tallulah
12. FullMoon
13. Kingdom for a Heart
14. San Sebastian
Bis:
15. Blood
16. 8th Commandment
17. Don't Say a Word

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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