HIM: A apresentação no Webster Hall de Nova Iorque

Resenha - HIM (Webster Hall, New York, NY, USA, 09/12/2014)

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Por John Wins
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Caro amigo, saiba que o HIM está lançando um Box com os 4 primeiros CDs totalmente remasterizados nas versões CD duplo e Vinil. Ambos com bonustrack. Só que o mais interessante é que a banda está fazendo uma turnê totalmente especial para promover esse novo lançamento! O detalhe é que a tour, de nome sugestivo "Love Metal Arhives Tour" é embalada por um apanhado dos 4 primeiros CDs em questão, além de faixas recentes raramente tocadas nos dias de hoje. Como essa série de shows abrange somente a Terra do Tio Sam, o HIM Brasil contou com a felicidade de uma de nossas editoras acompanhar algumas dessas datas, sendo a primeira o show inaugural da #LMAT, em plena New York. Deixo aqui com vocês o registro da nossa correspondente Maria Lessa. Enjoy!

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Pois bem, depois dessa introdução, depois de ter assistido a mais alguns shows na turnê do Tears On Tape, no início desse ano, eis que essa mesma banda resolve fazer uma turnê para promover a coleção remasterizada e ampliada de seus quatro primeiros álbuns (Greatest Lovesongs vol. 666, Razorblade Romance, Deep Shadows And Brilliant Highlights e Love Metal) na terra em que o álbum Dark Light é o grande favorito, o frisson na carreira do HIM e cá estou, em plena Nova Iorque, pronta para curtir loucamente o show e contar pra vocês como é que foi esse setlist de 22 músicas e esse show de 120 minutos.

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Depois da abertura feita pelas bandas Wounds, de Dublin, e Motionless In White, da Pensilvânia, HIM entrou no palco por volta das 22:00, meia hora depois do programado. A música de abertura foi The Sacrament, numa versão que dispensou o teclado introdutório, seguida imediatamente por Razorblade Kiss. Ok, The Sacrament a gente já sabia que vinha pipocando no repertório da banda há algum tempo, mas quem poderia imaginar que assistiria a um revival total da era do RR? Eu certamente já tinha perdido todas as esperanças (até, claro, ficar sabendo que eles tocaram essa mesma música nos shows de Londres, abrindo para o Fields Of The Nephilim). A versão preparada para essa turnê é bem menos porra-louca do que aquelas que estamos acostumados a assistir, por exemplo, naquele show do Rockpalast, em 2000. O que eles trouxeram foi uma versão que inclui uma parte bem calma, com direito a Ville Valo tentando alcançar notas que nem ele sabia que ainda alcançava. E sim, ele conseguiu.

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Seguindo Razorblade Kiss, esses caras emplacaram um Pretending inesperado, anunciado pelo teclado do Burton, naquela nota que eu não sei qual é, mas sempre que começa a soar, eu sei de imediato que é Pretending (entenderam?). Eu, assim como todo mundo, fui à loucura cantando desesperadamente “keep on pretending it will be the end o four craving”! Logo depois desse gostinho de Deep Shadows, eles voltaram à zona de conforto, tocando Right Here In My Arms.

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Mas, quando eu já pensava que toda aquela magia de HIM pré-2005 tinha passado, o Linde começou a tocar os primeiros acordes de This Fortress Of Tears e foi aí que eu me dei conta de que essa turnê estava preparada para ser a melhor que essa banda já fez. Depois de tantos baixos, depois de reabilitação, de dois anos parados por conta dos problemas de saúde do Gas e dos problemas com a gravadora, depois de terem cancelado a primeira turnê nos EUA, logo após esse hiato, por conta de problemas médicos do Ville Valo, a banda precisava provar que ainda está aqui, que ainda é boa e que ainda consegue agregar sua base de fãs para apoiá-los.

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Depois de This Fortress Of Tears, o setlist seguiu seu rumo comum, com Your Sweet Six Six Six, Wicked Game, Gone With The Sin e Soul On Fire. Todas as músicas tocadas perfeitamente, sem nenhum esquecimento de letras, sem desafinar, sem perder o ritmo. Até o momento em que o Burton começou a tocar aquelas notas perfeitas e as luzes viraram roxas e eu me dei conta de que Heartache Every Moment era a música da vez. Perfeitamente executada, eu disse a mim mesma que aquele show não poderia ficar melhor. Ledo engano. Quando terminou H.E.M., o Mige dedilhou o que era a introdução de Love’s Requiem. Meu Deus do céu. Não sei vocês, mas vou falar do fundo do meu coração: essa é a minha música preferida de todos os tempos. Se não é a de vocês, por favor, ouçam novamente.

Aparentemente, não era a do pessoal nas primeiras filas, em volta de mim. Fiquei com a impressão de que ninguém conhecia a música direito, o que fez de mim uma louca varrida, cantando e berrando loucamente de alegria. A versão ao vivo ficou muito boa, o solo do Linde foi lindo, a introdução pelo Mige ficou irada e a música foi cantada palavra por palavra, sem que se esquecesse um verso sequer.

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Mas em terra de Dark Light, todo Love Metal perde a majestade, e a música que seguiu a obra prima foi Rip Out The Wings Of a Butterfly e, aí sim, todo mundo começou a pular e a impressão que deu foi que o chão iria ceder e que alguma merda tremenda iria acontecer. Depois dessas, o show continuou a esquentar, enquanto a banda tocava Buried Alive By Love, The Kiss Of Dawn (com um solo maravilhoso do Linde) e Poison Girl.

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Depois dessa sequência, fomos todos surpreendidos novamente por uma música que estava esperando para ser tocada novamente desde o Helldone de 2013: In Joy And Sorrow. Se algum de vocês esteve presente no último show do Tears On Tour, lá em Buenos Aires, com certeza ficou com um gostinho de quero mais depois da palhinha que o Ville Valo deu, só voz e violão, àquela noite. Aqui, eles deram o prato cheio e estava delicioso. Emendado em I.J.A.S., começou Bleed Well, também inesperado, já que o repertório do Venus Doom costuma ser só The Kiss Of Dawn, Passion’s Killing Floor e Sleepwalking Past Hope. Novamente, a minha impressão foi a de que pouca gente cantou, provavelmente pelo contraste que causou Join Me, que foi tocada logo em seguida, com um coro poderoso formado pelo público que acabou por se sobrepor à voz do Ville.

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Foi com surpresa que, ao fim de Join Me, ouvi os gritos de “forever and ever”, introdutórios de No Love, do álbum mais recente, tocada ao vivo somente no festival Sonisphere, no início desse ano (me corrijam se eu estiver errada). Em seguida, foram tocadas Killing Loneliness e When Love And Death Embrace, já consagrada no repertório recente da banda como uma música de encerramento.

Como sempre, ao fim de W.L.A.D.E., todos se despediram para uma rápida pausa antes do encore, coroado com Rebel Yell e com um público alucinadamente animado. Eu sei que eu estava em um grupo bem pirado e a impressão era a de que se estava em um show de metal muito roots e que a pista ia virar uma rodinha de porrada gigantesca. Foi uma super dose de adrenalina que culminou com o Linde lançando a guitarra no público (sim, ele fez isso) e com uma briga generalizada por um pedaço dela, que acabou com o técnico de guitarra correndo atrás das pessoas pra poder pegar o instrumento de volta.

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Depois de terça, posso dizer que HIM está aí e que está com tudo. Mostraram um profissionalismo louvável aliado a uma performance musical maravilhosa e afinadíssima. Mas não podemos esquecer que esse foi o primeiro show dessa turnê e que, daqui pra frente, veremos muitas músicas cortadas dessa setlist dos sonhos, como foi o que aconteceu em Boston hoje (10 de dezembro), já que a amada Love’s Requiem não foi tocada. Da mesma forma, aquela setlist da fotografia que vocês viram não estava fiel ao que foi tocado, já que, por conta do horário de fechamento do Webster Hall, eles tiveram que cortar duas músicas do encore, infelizmente: Stigmata Diaboli e Funeral Of Hearts.

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Se perdeu na ordem das músicas? Aqui vai o setlist completo do show em NY:

01 – The Sacrament
02 – Razorblade Kiss
03 – Pretending
04 – Right Here in My Arms
05 – This Fortress of Tears
06 – Your Sweet 666
07 – Wicked Game
08 – Gone With The Sin
09 – Soul on Fire
10 – Heartache Every Moment
11 – Love’s Requiem
12 – Rip Out The Wings of a Butterfly
13 – Buried Alive By Love
14 – The Kiss of Dawn
15 – Poison Girl
16 – In Joy And Sorrow
17 – Bleed Well
18 – Join Me
19 – No Love
20 – Killing Loneliness
21 – Mubbels (When Love And Death Embrace)
----- Encore
22 – Rebel Yell — at Webster Hall.

Resenha: Maria Lessa
Photos: Al Morales

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Sobre John Wins

John Wins é aspirante a jornalista, além de ser designer e escritor. Trabalha como roteirista/apresentador no Heavy Talk e como administrador/editor no HIM Brasil. Grande pesquisador do metal nacional e principalmente do metal finlandês. Para mais informações, acesse: twitter.com/johnwins. Força Sempre!

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