Destruction: Incansáveis, em plena forma, matadores, destruidores

Resenha - Destruction (Clash Club, São Paulo, 28/11/2014)

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Por Miguel Júnior
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O mundo já não existia mais. Estava destruído. Eram os alemães do DESTRUCTION no palco, tocando aquele que deveria ser o último som, mas não era: “Curse the gods”, no Brasil, em São Paulo, pela enésima vez, incansáveis, em plena forma, matadores, destruidores. Para contar como foi, só indo de trás pra frente, depois da total destruição: estávamos diante da mais intensa apresentação de thrash de raízes oitentistas, de membros de formação praticamente original, de representantes dignos do que foi feito na Alemanha ao lado de KREATOR, SODOM e outras desgraceiras incríveis. Era o DESTRUCTION. Foi o DESTRUCTION. É o DESTRUCTION!!

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Vou direto para o final, pois como em toda destruição, o que importa é o momento exato do fim. Nesta noite thrash, completamente agitada, repleta de garotas também, o meio da pista alcançou o mais grave centro de colisão, onde socos e empurrões transformaram aquele show amistoso num digno ritual de agressividade. A cada som, todo som, as garotas da roda competiam com os marmanjos na violência natural de receber um som extremamente convidativo para a conduta thrash. Quando acabou, ou quando achamos que acabou, teve gente se jogando no chão em completa exaustão, abraçando colegas, olhando pra cima, maldizendo o demônio por ter acabado. Ninguém queria que tivesse fim e vou contar porquê!

O que foi o último som tocado, “The Butcher Strikes Back”, foi anunciado com o barulho de motosserras tão alto pra quem estava bem na frente como eu que poderíamos sentir nossos ossos sendo cortados, já com o peso da guitarra e da batera iniciando o fim do mundo pela 18a. vez. Dezoito sons tocados, mais um solo de batera! Se não podemos chamar de fim do mundo, do que chamamos então?? Aliás, foi um fim do mundo em três partes: antes do final com “Curse the gods” e “The Butcher Strikes Back” pontuando duas eras, anos 1980 e anos 2000, num fôlego só, tivemos duas partes separadas de show: uma com 9 músicas e outra com 7 faixas. Indo de trás pra frente, vamos falar da parte das 7 faixas.

Com muitos, mas muitos sons do álbum clássico “Infernal Overkill”, a parte das 7 faixas que precedeu o momento final da noite não pode ser chamada de show. Eu não conseguia mais ver ninguém na minha frente. Estava todo mundo caoticamente agitando aceleradamente que minha visão, deturpada pelo suor no rosto já não podia conceber que segunda-feira eu iria estar trabalhando normalmente. Schmier é muito comunicativo, dizendo muitas palavras em português, desde “saúde” quando bebeu uma cerveja nossa e a jogou no público na mão de alguém, ao momento em que pediu pra nós escolhermos faixas para o show. Fez votação com mãos ao alto, pegou a bandeira do Brasil, falou de futebol, lembrou da Alemanha na copa e pediu desculpas pela piada… enfim, não poderia ter sido mais camarada! Marcando intensamente essa parte das 7 faixas em sequência, houve quem não aguentou e saiu da frente e foi lá pra trás com cara de que estava sem ar, enquanto sobrevivíamos a sons como “Bestial invasion”, “Death Trap” e “Thrash Attack”.

Voltando mais para o começo, as 9 faixas iniciais. A última dessas 9 faixas que abriram o show foi “Spiritual Genocide”, cujo refrão todo mundo ali sabia, mesmo sendo de um álbum não muito aclamado pela maioria. Não importa. Podemos estimar que 90% dos presentes era mesmo fã do DESTRUCTION porque parado ninguém ficou. “Black Death” e “Nailed to The Cross” receberam um coro uníssono, coletivo, massivo, que reverberava pelas paredes. Pessoas acendiam cigarros e abriam cervejas olhando extasiados em volta porque o que estava acontecendo era muito, mas muito, e muito, foda. Essa parte inicial do show, assim como todas as outras partes, foram introduzidas por uma música de abertura e a primeira de todas, a que abriu o show mesmo, eu não pude acreditar quando ouvi: era a música tema do filme “Psicose”, de 1960, que além de ser o clássico dos clássicos, um puta filme, é coincidentemente o melhor filme que já vi na vida. Quando percebi que aquilo estava acontecendo, que iria ver aqueles nomes do thrash sendo trazidos por essa abertura, os calafrios se transformaram em fúria e os olhos de muita gente ali, do tom vermelho de fumaça ao marejado de se estar incrivelmente surpreendido, fez do lugar uma espécie de portal para outro mundo.

Era 21h27 quando aquilo começou.

Setlist:

(Intro)
Total Desaster
Thrash Till Death
Nailed to the Cross
Mad Butcher
Armageddonizer
Black Death
Eternal Ban
Life Without Sense
Spiritual Genocide

(Intro)
Release from Agony
Carnivore
Hate Is My Fuel
Thrash Attack
Drum Solo
Tormentor
Death Trap
Bestial Invasion

(Intro)
Curse the Gods
The Butcher Strikes Back

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Sobre Miguel Júnior

Paulistano, não tem banda porque não sabe tocar, exceto tirar trechos de black metal no violão. Escreve basicamente resenhas de shows que assiste, e deve ter uns 50 ingressos de show já assistidos guardados. Ouve metal mais pelo som, permitindo-se ouvir bandas cuja ideologia não inteiramente concorde. Quer escrever sobre todos os shows extremos e sinceros que acontecem em São Paulo.

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