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Nervochaos e Ação Direta: Falta de público em um show muito bom

Resenha - Nervochaos e Ação Direta (Tropical Dance, São Paulo, 10/10/2014)

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Por Miguel Júnior
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Não importa que estava quase vazio. Quem foi lá naquela casa gigantesca próxima ao Largo de Pinheiros viu e registrou para si o que houve de melhor na noite de São Paulo daquela sexta, 10 de outubro de 2014. Por causa de um desencontro com amigos, acabei chegando tarde e saindo cedo para ir beber. No entanto, o pouco tempo que passei ali apreciando o som foi suficiente para querer divulgar e comentar mais sobre uma vantagem de viver em São Paulo, cidade desigual e caótica: o acesso a apresentações de bandas como essas – NERVOCHAOS e AÇÃO DIRETA.

Formada em 1996, com “Death Metal” assinado pela lendária Cogumelo Records, NERVOCHAOS tem um som extremamente bem feito e honesto, já alcançando quase duas décadas de petardos sob a insígnia de temas que vão do satanismo ao anticristianismo. Depois de ter lançado no ano passado uma “box” contemplando os 17 anos de caos, a banda está em plena forma no palco, tornando impossível não deixarmos de notar o trabalho nervoso e agressivo do instrumental que nunca peca por se prender aos rótulos do gênero, ecoando um passado que pode ter bebido nas fontes do “thrash” anos 80 e até mesmo NAPALM DEATH.
De São Bernardo do Campo, ainda no final da década de 80, o AÇÃO DIRETA refletiu a sonoridade do “punk rock” brasileiro que ia do “hardcore” ao metal. Passando por selos lendários como a “Devil Discos” e a experiente “Hellion”, a banda já foi produzida por João Gordo em 1994, fez shows na Argentina e boa parte da Europa, trabalhou com nomes de peso como os caras do KORZUS e CLAUSTROFOBIA, atingindo sonoridade única que já mesclou “hardcore” com “grind” e metal. As letras são um ponto à parte, falando de temas sociais a existencialismo, deixando clara a profundidade da própria atitude no meio musical de São Paulo.

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Do lado de fora, uma “blitz” policial escolhia que carros parava. Por sorte, não fomos os escolhidos e passamos direto. Já beirava meia noite e o local, o “Tropical Dance”, da rua Butantã, em Pinheiros, tinha estrutura para receber muito mais gente, no nível a que pediam bandas como aquelas. Antes de sair de casa, fiz uma busca na internet por algum evento metal/rock que valesse a pena ir e, mesmo tendo algumas opções, aquela seria de cara a melhor opção. Intitulada “Projeto Sexta Rock SP”, a festa organizada pela “Pisca Produtora” trazia ainda os nomes de NECROMANCIA (30 anos de história), BANDANOS (lançando CD e LP) e BARANGA (“rock’n’roll” rápido e rasgado que já está no quinto álbum).

Com tudo isso acontecendo, a pergunta que não quer calar: por que não se apoia com mais presença um evento como esse? Onde estava o público que deveria estar em peso para apreciar as opções tão boas e dignas de apoio massivo?

Uma resposta pode ser a própria eterna crise que o país atravessa, mesmo em meio a avanços nas questões sociais dos últimos anos. Apesar da entrada a este show ter sido relativamente algo barato, ainda há oferta de eventos gratuitos que lotam muito mais do que shows que cobrem 10, 20 reais para entrar. Existe uma cultura, aliada a uma necessidade, de se evitar pagar entradas e gastar pouco com bebida, optando pela bebedeira fora do local dos shows, em regiões centrais de São Paulo, em bares comuns de calçada, já que uma simples cerveja num show, mesmo de pequeno porte, está tendo de sair a um preço incomodo. Se você paga para ver a banda mas não pode beber, muitas vezes há a necessidade de sair mais cedo do show para ir de encontro ao álcool a preço justo, então o próprio evento acaba perdendo público nessa lógica.

Sendo assim, de onde teria que vir o reconhecimento e custeamento dos shows de pequeno porte, senão do valor de entrada e do consumo? Teria de vir do comprometimento do público, que deveria comparecer e gastar na medida do possível, seja comprando demos, camisetas de bandas independentes, cerveja e chamando gente para engrossar a venda de entradas. Ninguém pode dizer que é problema de divulgação: com as redes sociais, temos o registro de que pelo menos 3 mil pessoas foram avisadas do evento, sendo que pelo menos 100 delas declararam intenção de ir. Só que, mesmo assim, shows bons como esses estão sofrendo com a falta do público que merecem e isso só terá alguma mudança, talvez, quando: 1) houver condições práticas de mais pessoas consumirem, 2) bandas sempre empenhadas a mostrar o melhor do seu trabalho sem esperar grande reconhecimento imediato que merecem e 3) o retorno do comprometimento do público metal/rock de 10, 20 anos atrás, que mesmo sem dinheiro dava um jeito e fazia a coisa acontecer.

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Post de 13 de outubro de 2014

Sobre Miguel Júnior

Paulistano, não tem banda porque não sabe tocar, exceto tirar trechos de black metal no violão. Escreve basicamente resenhas de shows que assiste, e deve ter uns 50 ingressos de show já assistidos guardados. Ouve metal mais pelo som, permitindo-se ouvir bandas cuja ideologia não inteiramente concorde. Quer escrever sobre todos os shows extremos e sinceros que acontecem em São Paulo.

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