Dave Lombardo: Um exemplo de pessoa e músico

Resenha - Dave Lombardo (Manifesto Bar, São Paulo, SP, 03/09/2014)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Passando por diversas cidades brasileiras, no último dia 03 de setembro foi a vez de São Paulo receber a ilustre visita de Dave Lombardo (ex-SLAYER, PHILM), para um workshop de bateria, no Manifesto Bar.

No horário marcado para a abertura da casa (20hs), a fila já dobrava a esquina e muitos fãs aguardavam para ver essa lenda vida da bateria. Com a entrada liberada e o público lotando o bar, Dave entrou no palco por volta de 22:40hs e foi direto “se esconder” atrás de sua bateria Ludwig com bumbo duplo.

Durante alguns minutos tocou trechos de canções do SLAYER e logo depois pegou o microfone e foi à frente do palco, questionando os presentes se preferiam o bate papo em inglês ou em espanhol. O idioma escolhido foi o inglês e Lombardo abriu espaço para perguntas e pedidos de música.

Eram muitas pessoas tentando conversar com Dave e aos poucos ele foi tentando atender todo mundo, sempre muito sorridente e paciente. Contou histórias, lembranças de momentos de turnês ao lado do SLAYER, do que gosta de ouvir e o que faz nas horas vagas, sendo extremamente simpático e atencioso com seu público.

Histórias e lembranças da carreira

Ao se recordar da turnê Combat Tour (1984), que fez com o SLAYER, ao lado de VENOM e EXODUS, Lombardo contou que Cronos (vocalista/baixista do VENOM) urinou na cara de Tom Araya (vocalista/baixista do SLAYER) no ônibus da banda e isso desencadeou uma briga entre ambos, arrancando muitas risadas da plateia.

Perguntado sobre o álbum mais desafiador da carreira, Lombardo foi categórico em dizer que foram os discos lançados pelo projeto FANTÔMAS, encabeçado por Mike Patton (FAITH NO MORE), lembrando que o nome de Igor Cavalera havia sido cogitado inicialmente, mas que o próprio Igor o indicou para fazer parte da superbanda, por achar que Dave era a pessoa certa para isso.

Slayer

Quando foi questionado sobre qual seu álbum preferido do SLAYER, Lombardo não hesitou e foi direto na resposta: “World Painted Blood” (2009). A razão? Por ser o último disco gravado pelo falecido guitarrista Jeff Hanneman (1964-2013).

Lombardo tocou trechos de muitas músicas do SLAYER, como “Epidemic”, “Silent Scream” e “Raining Blood”, além de atender pedidos dos fãs, como quando executou a introdução de “Show No Mercy”. Um momento muito engraçado da noite e que arrancou risadas não só de todos os presentes, mas também de Dave, foi quando uma fã o questionou se ele concordava que após a saída dele do SLAYER a banda deveria mudar de nome e passar a se chamar “Slower” (mais devagar). O baterista aplaudiu a fã e sorriu, mas não teceu maiores comentários sobre Paul Bostaph, atual responsável por comandar as baquetas do SLAYER.

Dicas e conselhos

Conhecido mundialmente por sua habilidade com o bumbo duplo, Dave foi até a bateria para mostrar alguns exercícios para desenvolvimento de sua técnica e lembrou que no passado sofria com dor nas costas devido a um ajuste ruim da altura da banqueta. Disse que quando acertou sua posição para manter as pernas dobradas formando um ângulo de 90 graus, passou então a conseguir tocar bem melhor com o bumbo duplo e não teve mais dores.

Recomendou que todos os estilos de música sejam ouvidos e disse não se limitar a ouvir somente Thrash Metal. Comparou música à comida e brincou que seria impossível viver comendo sempre o mesmo tipo de comida diariamente, justificando que na música deve se fazer o mesmo, havendo uma variação nos estilos ouvidos.

Embora tenha ressaltado a importância das escolas de música, Lombardo lembrou que começou a tocar quando ainda era criança e durante suas primeiras aulas de bateria percebeu que aprendia mais ouvindo um disco em casa do que desenvolvendo técnicas na escola. Por isso, preferia pegar o dinheiro que gastaria nas aulas para comprar álbuns e ouvi-los em casa, treinando sozinho até conseguir repetir o som da bateria tocado nos discos.

Música em geral e horas vagas

Ao mostrar o que tem seu Iphone, Dave provou que realmente ouve de tudo, de IRON MAIDEN a RAY CHARLES. Nessa hora, plugou seu celular na caixa acústica e executou uma versão de “Mess Around”, brincando que era um encontro entre os dois, em uma espécie de “RAY CHARLES meets LOMBARDO”.

Perguntado sobre Neil Peart (RUSH), Lombardo fez muitos elogios ao baterista, que considera muito técnico, mas disse não gostar do estilo de música do RUSH e não ser fã da banda.

Afirmou ainda que nas horas vagas, após longas turnês ou períodos de gravação, deixa literalmente as baquetas de lado e prefere se afastar de sua bateria para descansar. Só retoma os exercícios e ensaios cerca de 10 dias antes de sair em turnê com a banda, lembrando que era isso que fazia quando estava no SLAYER.

Certamente eu me alongaria ainda mais se fosse contar cada história e cada momento vivenciado na clínica de bateria de Dave Lombardo, que ainda tocou trechos de músicas do TESTAMENT, do GRIP INC. e de sua atual banda PHILM nessa ocasião em São Paulo.

Durante mais de 1 hora e meia, Lombardo esbanjou simpatia e humildade e fez desse evento um verdadeiro “workshow”, como anunciado pela produtora. Muito mais que um simples workshop, Dave deu uma aula de como tratar os fãs, com muito respeito e carinho.

Prova maior disso foi dada ao final do evento, quando Dave foi questionado se queria descansar um pouco, antes de atender os fãs para fotos. Lombardo prontamente respondeu: “eu não preciso descansar, estou bem”. E assim ficou no palco para atender a todos que quiseram uma foto ao lado do ídolo, sem fazer o público esperar mais tempo, afinal já passava da meia-noite e era um dia de semana.

Parabéns aos produtores pela brilhante ideia de trazer um exemplo de pessoa e músico como Dave Lombardo ao Brasil. Os fãs que lá estiveram certamente saíram do Manifesto Bar ainda mais fãs desse ícone mundial do Thrash Metal.

Abertura

Antes de Dave dar início ao workshop, Dino Verdade, baterista e proprietário do Bateras Beat, escola de bateria que também patrocinava o evento, abriu a noite, tocando para o público. Primeiramente Dino fez um som sozinho e depois se juntou aos seus colegas de Brisa Trio, Dney Bitencourt (guitarra) e Ney Neto (baixo), para uma jam cheia de feeling, com direito a trechos de muitas canções famosas, como “Money” (PINK FLOYD), “Enter Sandman” (METALLICA) e “Smoke On The Water” (DEEP PURPLE), dentre outras.

Eloy Casagrande (SEPULTURA) também presenteou os fãs com alguns sons de bateria, para aquecer o público para a atração principal da noite. Eloy mostrou porque foi alçado à condição de baterista da maior banda brasileira de Thrash Metal tão jovem.

Contou que sempre gostou de música do Brasil e fez até um sambinha com sua bateria, além de, é claro, executar canções do SEPULTURA, como "Trauma of War" e "Manipulation of Tragedy”. “Desceu o braço” na bateria com tanta força que acabou por estourar a pele do seu equipamento, tendo que fazer uma parada para a troca.

Ao final de sua apresentação, Eloy ainda ficou no palco e se juntou a outros importantes bateristas que estavam presentes, para um bate papo justamente sobre pele de bateria, da marca Evans, uma das patrocinadoras do workshop. Bruno Valverde (ANGRA), Amílcar Cristófaro (TORTURE SQUAD) e Aquiles Priester (NOTURNALL) se juntaram a Dino e Eloy para uma rápida conversa e puderam dividir com o público suas impressões sobre o uso das pelas da marca.

Fotos por Kennedy Silva

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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