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Enthroned: Em São Paulo, Black Metal para nenhum fã botar defeito

Resenha - Enthroned (Hangar110, São Paulo, 30/08/2014)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Trazendo um público humilde, o ENTHRONED voltou ao Brasil após dois anos distante. Se da última vez em 2012 fizeram uma excelente apresentação ao lado do MARDUK, desta vez vieram sozinhos, divulgando o seu último álbum “Sovereigns”, lançado em 2014, o 10º álbum de estúdio desta banda que colocou a Belgica na rota do Black Metal. Desta vez, a abertura ficou por conta das já bastante conhecidas bandas do underground brasileiro OCULTAN e AMAZARAK. Confiram abaixo os principais detalhes do espetáculo.

AMAZARAK

A banda subiu ao palco as 19h20m para a abertura do espetáculo. Foram recepcionados calorosamente por um público bastante pequeno. Bem caracterizados, o quinteto está há mais de 15 anos na estrada e representa como poucos a cena black metal nacional. Impulsionados por um público que curte bastante a banda, fizeram uma ótima apresentação de abertura e botaram para ferver os fãs presentes com seu black metal bastante cru e cheio de nuances e crossovers. O público ficou tão animado que não queria deixar a banda sair do palco. Uma pena que bandas interessantes como esta estejam relegadas a uma falta de público aqui no Brasil.

OCULTAN

O Ocultan foi a segunda banda de abertura do show. Subiram ao palco em torno das 20h40m. Com um som e um estilo muito mais próximos ao Enthroned, trouxeram o clima soturno ao palco do Hangar110. Com um som bastante cru, um verdadeiro black metal clássico, o público se deixou levar pelo clima negro e pela construção imagética e curtiu o som na maioria do tempo em silêncio. Isso não ocorreu porque o público não curtiu o show, muito pelo contrário. A apresentação funcionou perfeitamente e caiu como uma luva, e fez seu trabalho para o público poder aguardar o que viria na atração principal.

ENTHRONED

No palco as 22h30m, depois de uma boa espera, os belgas vieram com tudo desde o início. Abriram o show com “Of Shrines and Sovereigns”, do novo disco. Apesar desta não ser a música de abertura do “Sovereigns”, realmente foi impressionante como a música se encaixou lindamente na abertura do espetáculo, dando um início forte que realmente soou como uma grande pancada no ouvido do público. A bateria firme de Menthor soava muito bem, e deu o tom de uma música com a cara do black metal tradicional que é marca do Enthroned. A música seguinte, também do “Sovereigns”, completou uma belíssima abertura, digna dos clássicos dos belgas.

A banda, porém, não foi só músicas boas. Realmente é difícil não dar crédito ao estilo performático da banda, em especial ao vocalista Nornagest. O cara realmente comanda o público e lidera a banda de maneira única, com seus trejeitos e os excelentes vocais. A banda toda é realmente muito boa ao vivo, como nos discos, mas é difícil não ver no vocalista um ponto diferencial do Enthroned.

Lá para o meio do show, o público realmente foi ganho de vez. Uma roda se abriu durante “Obsidium”, e a pancada comeu solta no público, que parecia ensandecido como em um grande ritual que era comandado pelo Enthroned. Os fãs mais empolgados se entregaram de corpo e alma, e ecoou por todo o Hangar110 os gritos em nome da banda.

O setlist foi muito bem pensado, escolhido a dedo. Músicas como “Ha Shaitan”, “Horns Aflame” e “Rion Riorrim” foram realmente os destaques do show. A banda encurtou bastante o show, com poucas interações com o público, mas se o que vale no espetáculo são as músicas é difícil alguém reclamar do produto que o Enthroned trouxe em seu show. A missa demoníaca ainda trouxe punhos ao ar e um “Hail Satan!”, comandado por Nornagest, que levantou de vez até os mais céticos.

Sem deixar o público esfriar, a banda ainda voltou para um bis com mais duas excelentes músicas. A primeira tocada foi “Evil Church”, sem sombra de dúvidas uma das melhores da noite. A banda mostrou vigor, e comandaram um público que parecia insano e grudado no palco. Para fechar, Nornagest convocou o público para ser a horda em “The Ultimate Horde Fights”, belíssima escolha para fechar o show.

Realmente, o que deixou a desejar foi o pequeno público, que não compareceu em peso para ver o Enthroned desta vez. Pelo visto estão guardando grana para o final do ano, já que este segundo semestre parece que será do metal extremo. Porém, é bom que saibam que perderam ótima chance de ver esses caras, que deram tudo de si no palco do Hangar110.

Enthroned é:
Nornagest – Vocal
Neraath – Guitarra
ZarZax – Guitarra
Phorgath – Baixo
Menthor – Bateria

Setlist:
1. Of Shrines and Sovereigns
2. Baal al-Maut
3. Through the Cortex
4. Ha Shaitan
5. Obsidium
6. Horns Aflame
7. Behemiron
8. Tellvm Scorpionis
9. The Edge of Agony
10. Rion Riorrim
11. Of Feathers and Flames
Bis:
12. Evil Church
13. The Ultimate Horde Fights

Fotos: Fernando Yokota. Set completo neste link.

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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