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Ghost em São Paulo: Senta lá, Satã!

Resenha - Ghost (HSBC Brasil, São Paulo, 05/09/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Parafraseando aquele velho ditado espanhol, “não acredito em fantasmas, mas que eles existem, existem” (nota do redator: do original ‘não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem’). É definitivamente um alimento à alma testemunhar concertos-espetáculos! Nomes como Iron Maiden e seu icônicos cenários elaborados com peças se movendo, chamas e a mascote Eddie em tamanho gigante é o exemplo que me vem a mente, mas poderia ainda citar o GWAR do finado Oderus Urungus e toda aquela gosma e sangue falsos atirados ao público ou ainda aquela parafernália ‘perigosa’ do Slipknot (que poderia até matar alguém, vai saber). Os exemplos citados ficaram mundialmente famosos pela qualidade de suas performances ao vivo, e a banda sueca GHOST (ou Ghost B.C. nos EUA) está chegando nesse patamar.

Texto: Durr Campos
Fotos: Leandro Anhelli
http://www.anhelli.com.br

O HSBC Brasil não estava lotado naquela fria noite da capital paulista, mas a euforia ouvida desde as primeiras notas de “Masked Ball”, tema composto por Jocelyn Pook especialmente para o derradeiro filme de Stanley Kubrick, ‘Eyes Wide Shut’ (‘De Olhos Bem Fechados’ no Brasil). A banda em si começou para valer com “Infestissumam / Per Aspera ad Inferi”, enquanto o líder Papa Emeritus II lentamente caminhava para seu sacrário. O debut “Opus Eponymous” (2010) foi tocada em sua totalidade, com exceção da introdução “Deus Culpa”, mas os fãs vibravam ainda mais alto quando salmos de “Infestissumam” (2013) eram proferidos, a exemplos das indefectíveis “Secular Haze” e “Year Zero”, a qual chama a falange do andar de baixo toda pro abraço: “Belial, Behemoth, Beelzebub, Asmodeus, Sathanas, Lucifer.”

Papa Emeritus II. Ou Tobias Forge, enfim, é um tremendo frontman. Sua atuação é tão convincente, que mesmo aquele sotaque forçado de um italiano tentando falar inglês tem seu charme. O background musical do cantor em bandas importantes oriundas do underground em seu país como Repugnant, Crashdiet, Magna Carta Cartel e Subvision contribuíram em sua malícia e sagacidade em cena, assim como ocorreu para alguns dentre os The Nameless Ghouls, graça concedida a todos os demais membros da banda. Fica claro por sua conduta, no entanto, que o guitarrista solo lidera a autarquia junto ao Papa. Os demais possuem também fina estampa, mas exercem seus papéis de modo mais discreto. A escolha dos timbres foi de uma ternura tétrica poucas vezes ouvida por este que vos escreve.

A despeito das críticas negativas, o Ghost segue pregando seu louvor pelo mundo e vem agradando fãs de Blue Oyster Cult, Alice Cooper, Cheap Trick (“Gonna Raise Hell” me ocorreu desde a primeira audição no debut dos suecos), Electric Light Orchestra, Styx, Black Sabbath ou aquela que mais se liga ao seu contexto geral: Exorcist, banda estadunidense a qual editou o impressionante álbum “Nightmare Theatre” (1985), cuja capa mostrava os supostos quatro integrantes em estado de decomposição. O mistério acerca das identidades deles fora solucionado quando fontes ligadas ao grupo garantiram que tratava-se de David DeFeis, Edward Pursino, Joe O'Reilly e Joey Ayvazian, todos do Virgin Steele, os quais faziam, respectivamente, as honras do vocalista Damian Rath, do guitarrista Marc Dorian, do baixista Jamie Locke e do baterista Geoff Fontaine, pseudônimos mais tarde assumidos publicamente pelos próprios.

O caro leitor pode pensar que estou a encher linguiça com tanta digressão, mas experimente escrever algumas linhas sobre o Ghost e verás que a trivialidade do jornalismo cairá por terra, apesar da saraivada de clichês dos quais não abri mão ao traçar esta resenha. Em alguns dos melhores momentos durante o concerto destacaria ainda “Prime Mover” com seu início hipnótico; “Satan Prayer”, deixada para a galera cantar por Emeritus II; a bela “Secular Haze”; e o hino “Con Clavi Con Dio”, quando as guitarras estavam realmente soberbas.

Coladinha com ela estava “Elizabeth”, cujo refrão fora entoado em volume superior à da voz do supremo: “Elizabeth, in the chasm where was my soul. Forever young, Elizabeth Bathory in the castle of your death. You're still alive, Elizabeth?” Antes de anunciar a seguinte, “Body and Blood”, o Papa chamou duas freiras para oferecerem a hóstia e o vinho em símbolo à canção e logicamente ao rito eucarístico. Pediu às ‘crianças’ na plateia que se comportassem para com as castas senhoritas. Impossível não lembrar de Mercyful Fate, outra referência clara do Ghost, em seu primeiro registro official de estúdio, o EP “Nuns Have No Fun” (1982).

A ‘rara’ ao vivo “Death Knell” deu seguimento ao sacramento, para então a Chácara Santo Antônio (bairro onde estávamos) se tornar Liverpool durante “Here Comes the Sun”, dos The Beatles. Esta versão divide opiniões, mas deixando a rabugice de lado é facilmente apreciada. “Stand by Him” não faltaria na unção e com ela toda uma temática lírica descaradamente divertida: “It is the night of the witch, It is the night of the witch tonight. And the vengeance is hers for as long as she stands by him…” A tríade subsequente, isto é, “Genesis”, a já citada e onipresente “Year Zero” (quando Emeritus aproveitou para tecer elogios aos seus rebentos em espírito diante seus pavorosos olhos) e a ótima releitura de “If You Have Ghosts” de um dos pioneiros do rock psicodélico nos EUA, o texano Roky Erickson, transformou a pista do HSBC Brasil em um grande baile!

Reservaram duas pérolas ao ‘encore’: “Ghuleh/Zombie Queen“ e “Monstrance Clock”. Durante a primeira, as crianças gritaram o diabo (ops!) cantando a totalidade das letras a plenos pulmões, proporcionando um clima encantador à crisma negra no palco. “Esta fala sobre ‘foder’. Gostam disso, não meus filhinhos? O primeiro passo ao orgasmo é cantarmos juntos”, elucidou o Papa Emeritus II antes da rabadilha final. Pena que ele não trouxe o consolo* para adocicar ainda mais a ‘Wicca’.

*Um dos itens no polêmico box-set “Phallos Mortuus Ritual”, lançado em 2013. Veja uma foto aqui.

Line-up
Papa Emeritus II – vocais
Nameless Ghouls – todos os demais instrumentos

Set-List
Intro: Masked Ball (Jocelyn Pook song)
Infestissumam
Per Aspera ad Inferi
Ritual
Prime Mover
Satan Prayer
Secular Haze
Con Clavi Con Dio
Elizabeth
Body and Blood
Death Knell
Here Comes the Sun (The Beatles cover)
Stand by Him
Genesis
Year Zero
If You Have Ghosts (Roky Erickson cover)
Encore:
Ghuleh/Zombie Queen
Monstrance Clock
Outro: The Host of Seraphim (Dead Can Dance song)

Links Relacionados
ghost-official.com/
facebook/thebandghost
myspace.com/thebandghost
infestissumam.com

Agradecimento à Cristiane Batista e toda a equipe do HSBC Brasil pela atenção e credenciamento

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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