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Hypocrisy: Encerrando a Semana (in)Santa em SP

Resenha - Hypocrisy e Torture Squad (Carioca Club, São Paulo, 21/04/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Houve um tempo em que, ao lado de Samael e Napalm Death, o HYPOCRISY era uma de minhas bandas prediletas. Não passava 24h sem que eu colocasse algum de seus álbuns na vitrola. Naqueles dias e noites eu tinha a minha disposição apenas os três primeiros full-length “Penetralia” (1992), “Osculum Obscenum” (1993) e “The Fourth Dimension” (1994), além dos ótimos EPs “Pleasure of Molestation” (1993) e “Inferior Devoties” (1994). À época não conseguiria imaginar que alguns suecos responsáveis por gravar uma demo-tape como “Rest in Pain” lá nos primeiros dias dos anos 1990 poderiam evoluir tanto disco após disco. Com Peter Tägtgren sempre foi assim: progressão + ousadia + criatividade + uma dose dupla ou tripla de muito bom gosto. Por conta dessa equação observamos até os dias atuais um dos nomes mais proativos e relevantes da cena mundial ali, fazendo o que sabe de melhor: death metal! Após quase quatro anos longe dos palcos brasileiros pudemos tê-los de novo por perto e não deixamos passar a oportunidade. Confira nas próximas linhas o que eu e o fotógrafo e barbudo Diego Cabral da Camara presenciamos no mítico Carioca Club em uma segunda-feira (in)santa.

O encarregado em esquentar a moçada, Torture Squad, como muitos devem saber, passou de quarteto a um power-trio, contando hoje com os remanescentes André Evaristo assumindo os vocais além das guitarras, Castor no baixo e vozes, além do exímio baterista Amílcar Christófaro. Após a lançar seu primeiro álbum conceitual, “Esquadrão de Tortura”, baseado nos 20 anos de ditadura militar no Brasil, o grupo soube mesclar velhas canções e outras mais recentes com maestria. Tivemos no pacote itens essenciais como “Horror And Torture”, do Pandemonium (2003), “Mad Illusion”, do ótimo Asylum of Shadows (1999) e a novíssima “Pátria Livre”, naturalmente cantada em nossa língua. Ali tive a certeza de estar diante do Coroner brasileiro, sem exageros. Os rapazes estão absurdamente explosivos tais quais aqueles outros três suíços.

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Justiça seja feita, o ex-vocalista Vitor Rodrigues faz falta ainda, mesmo porque os vocais do meu conterrâneo são inigualáveis, mas ao ouvir e ver tamanho esmero em manter o TS poderoso ao vivo e a paixão com que continuam a entoar suas músicas nos fazem esquecer do outrora frontman sim, com todo o respeito a ele. Ainda houve tempo para algumas delícias como “Abduction Was the Case”, “Living For the Kill” e a sensacional “Chaos Corporation”, cantada em uníssono. Renovado, o Torture Squad respira novas ares e nos brinda com o que de melhor sabem fazer: thrash/death classe A! É como eles mesmos dizem: “(Warriors) Bring the music back to our lives ‘cause the spirit never dies!”

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Line-up Torture Squad
Amilcar Christófaro – bateria
Castor - baixo e vocais
André Evaristo – vocais e guitarra

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Quinze minutos se passavam das 20h quando o quarteto entrou mandando bala com “End of Disclosure”, faixa que batiza seu bem sucedido registro em estúdio lançado há pouco mais de um ano. De cara percebia-se uma bela qualidade de som, em especial nas guitarras de Peter e Tomas Elofsson (Sanctification), o qual já vem acompanhando o Hypocrisy desde 2010. O líder estava bastante animado e ficou mais ao ouvir o refrão cantado por todos. “Tales of Thy Spineless”, outra recente, manteve a vibração do álbum até pelo duo obedecer a ordem exata na ‘track listing’. O bicho pegou mesmo com “Fractured Millennium”, uma ótima faixa do álbum que leva o nome da banda. A forma como ela inicia é sensacional e revela o típico som deles, quando se pode cantarolar as melodias, mesmo com linhas vocais tão esporradas! Em meio a um solo impecável de Peter, ela emenda a outra desgraceira, a perfeita “Killing Art”. Veloz e certeira, Tägtgren a canta de modo mais gutural no início adicionando uma dose extrema extra. Em um determinado momento ele parou e chamou o público a acompanhar a violência da obra.

“É bom pra caralho estar de volta”, disse. “Tocaremos merdas novas, velhas e outras surpresas no meio disso tudo...” Dito isso, “The Eye”, minha favorita em “End of Disclosure”, tomou de assalto o Carioca. Tudo nela está certo, não há uma nota fora de contexto ou harmonia desnecessária. A letra versa sobre o controle em massa e como nos posicionamos perante a manipulação. Perdoe se eu errar, mas seria: “Controlled by the eye that sees, try to escape but we'll never be free. / Blinded by fear we are. We're living like slaves, now it's gone too far…” Temo que algo assim jamais soe datado. Há uma narração e logo em seguida um trecho dos mais belos na canção. Penso que o som da bateria poderia estar um pouco mais nítido, pois há MUITA guitarra em composições como esta. Te vira, Horgh! Bom também foi ouvir “Valley of the Damned” novamente após um ano desde que estive frente ao Hypocrisy. Quando a escutei em “A Taste of Extreme Divinity” (2009), destaquei-a de imediato. Velocíssima e de um bom gosto sem igual. Pegada totalmente ‘old school swedish death metal’. Aquele trecho cavalgado com os teclados de fundo são tão deles...

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Do fenomenal “Into the Abyss” (2000) só tocaram “Fire in the Sky”, a qual possui uma pegada hipnótica, assim como tantas outras naquele álbum. Aliás, eu não me canso em ouvi-lo. Há algo tão extremo e acessível ao mesmo tempo nele. Com todo respeito, vai lá ouvir se não o conhece e chega aqui depois para gente trocar uma ideia. Nem me atrevo a "explicar" uma coisa dessas; o extrato do "louvor" é perversamente divino. Escrevo aqui acerca daquela parte em todos os instrumentos param e ficam somente os teclados. Coisa linda da morte! Como de costume, a homenagem aos fãs da velha guarda foi garantida com o medley impecável trazendo “Pleasure of Molestation”, “Osculum Obscenum” e o hino dos hinos “Penetralia”. Notei ali a presença de vários integrantes de bandas extremas de Sampa cantando-a com jubilação rara. Você e eu sabemos que tudo deles é primoroso, mas os dois primeiros com o nosso querido Magnus "Masse" Broberg (Nota do redator: Popularmente conhecido como Emperor Magus Caligula, ex-Dark Funeral) possuem um charme e inocência que apenas os primeiros anos da horda possuíam. Aproveito o restinho do parágrafo para mencionar a primorosa arte de “Penetralia” feita pelo renomado artista britânico Daniel Seagrave. Assim como esta, o moço fez bonito em capas de bandas como Benediction, Carnage, The Devil Wears Prada, Dismember, Edge of Sanity, Entombed, Gorguts, Malevolent Creation, Monstrosity, Morbid Angel, Suffocation, Resurrection, etc. Eita nóis...

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“Buried” não deixou o pandemônio causado pela trinca esvair, mas espertos como são, jogaram na sequência “Elastic Inverted Visions”, a qual possui andamento mais lento e revela-se um primor nas seis cordas. Pena que Mikael Hedlund seja um baixista tão limitado, pois nela poderíamos ver um show também nas quatro cordas se estivesse em acuradas mãos. O sortudo só faz-me lembrar de outro que temos aqui no Brasil, aliás. “44 Double Zero” é outro presente vindo do novo disco. Que composição do caralho! Daquelas que possuem tudo, absolutamente tudo o que esperamos do Hypocrisy. “Rrröööaaarrr…” (não confudir com o segundo álbum do Voivod, lançado em 1986). Assim Peter ‘anunciou’ “War-Path”. Confesso não ter escutado tanto o “Virus” (2005), mas dei uma passada nele por ter sido ali a estreia de Reidar “Horgh” Horghagen nas baquetas. Também assisti um par de vezes ao vídeo de “Scrutinized”, que curto bastante. Vamos relembrar ao lado de mais uns dois ao final disso tudo aqui, combinado? O “final” veio com ela, “The Final Chapter”, do homônimo álbum lançado em 1997, mas sabíamos que seria a velha pausa antes do bis, não é? Brilhante canção dona de um refrão convidativo ao canto. Meu trecho favorito é o final, quando Peter vocifera: “Those black empty eyes is haunting me/ Hate and sorrow builds up inside… I must take my life to be free/ This will be my final chapterrrrr.”

O encore começou com a idolatrada, salve, salve “Roswell 47”, do todo bom “Abducted” (1996). O quarto na discografia possui cadeira cativa nos repertórios, tanto que dele tocaram quatro elementos. A obra marcou a reviravolta na sonoridade do Hypocrisy, mas disso todo mundo está careca de saber. Então, o que escrever de um dos maiores clássicos do death metal ou, sei lá, da humanidade? Eu soaria redundante, não? Ah! Serei assim mesmo. Isso aqui é uma baita música, bicho. Quem em sã consciência a dispensaria? Você? Você? Você? Está vendo aí, ninguém teria o disparato ou seria parvo de cometer tal iniquidade. Peter trouxe a nossa bandeira nacional e como de praxe adaptou a letra para “we have the right to know what really happened in ‘São Paulo’ 47...” Há mais abaixo um vídeo gravado por uma fã que mostra o momento, incluindo aí uma possível bitoquinha entre Peter e Tomas. Observe ali nos 2:40 da filmagem.

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A plateia continuou insana em “Adjusting the Sun”, não só uma das melhores deles como de todo o gênero do metal da morte. Prefiro quando Tägtgren canta assim, mais grosso. Você me permite citar um trechinho da letra aqui também? “Silence. Terrorists. Religion. AntiChrist. You think you know the answer? Heaven. Hell. God. Satan. There would be none without the other.” Precisei fazer isto, pois sempre escuto alguns mais afoitos comentando que a dita trata-se de um resgate aos tempos de adoradores do cramunhão, mas lendo aí acima é exatamente o contrário. O Hypocrisy é contra o que sua alcunha denota, simples assim. O epílogo é tradicional com “Eraser”, outra ‘pop’ da banda. Perdoe-me mas é mesmo e saindo dessas linhas, confie, é um elogio. Peter é diferenciado: repararam a camiseta do Exploited que o “hômi” trajava? Brinca com ele não. Opa, e aos que não leram, confiram o nosso bate-papo com o próprio no link a seguir.

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ENTREVISTA COM O PETER:
Hypocrisy: entrevista exclusiva com Peter Tägtgren

Line-up Hypocrisy:
Peter Tägtgren – vocais, guitarra
Mikael Hedlund – baixo
Reidar "Horgh" Horghagen – bacteria
Tomas Elofsson – guitarra (apenas em turnê)

Set-list Hypocrisy:
End of Disclosure
Tales of Thy Spineless
Fractured Millennium
Killing Art
The Eye
Valley of the Damned
Fire in the Sky
Pleasure of Molestation / Osculum Obscenum / Penetralia
Buried
Elastic Inverted Visions
44 Double Zero
War-Path
The Final Chapter

Encore:
Roswell 47
Adjusting the Sun
Eraser

"Roswell 47" ao vivo em São Paulo

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"Scrutinized"

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"End Of Disclosure"

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"Adjusting the Sun'

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"Left To Rot"

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Fotos: Diego Camara

Set completo em:
https://www.flickr.com/photos/diegocamara/sets/7215764421...

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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