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Nervosa: lançamento do debut a base de lágrimas e muito talento!

Resenha - Nervosa, Leather Faces e Lama Negra (Hangar 110, São Paulo, 30/03/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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O mês de março finalizou com uma dose dupla de fazer qualquer ‘reclamão’ corar de vergonha. Ou significa pouca coisa ter em um mesmo domingo Nervosa e HIM? E quando esta primeira ainda nos brinda com um show de lançamento de seu álbum de estreia tendo mais dois nomes do metal brasileiro ao seu lado, no caso o Lama Negra, a qual eu via pela primeira vez, e o ótimo Leather Faces, um dos nomes mais fortes do nosso underground. Esta resenha tardou a sair, mas está aí para os que desejarem relembrar conosco o momento ou saber como foi aquela tarde regada a muita música pesada!

A galera marcou uma matinê justamente por conta do evento trazendo o HIM, dali a algumas horas em outra parte da cidade de São Paulo. Eu mesmo compareci a ambos e agradeci o cuidado das meninas em pensar nisto. Particularmente aprecio bastante cobrir shows no Hangar 110, pois se trata de uma casa pequena, porém aconchegante, de boa visibilidade à maioria, bar equipado com bebidas (boas!) diversas e a preços justos. Além do mais posso falar pelo nosso parceiro e fotógrafo Diego, o qual em mais de uma ocasião elogiou a iluminação da casa. A prova está aqui mesmo em seus insanos cliques. Coisa fina!

O público fez-se presente em boa quantidade e só embelezou a festa. Pude reencontrar alguns amigos os quais não via há tempos, mesmo morando na mesma cidade. Coisas de Sampa. O que se via eram camaradas trocando abraços, brindando à vida e ao heavy metal de forma muito amistosa, algo que percebo em boa parte dos concertos nos quais trabalho. Pude inclusive perceber familiares de todas as atrações, a começar pelos entes queridos do LEATHER FACES, quarteto paulistano de heavy/thrash metal fincado nos anos 80, mas tocado com a garra de hoje! Bandas como Exodus, Coroner, Whiplash, Toxik, Exumer, Nasty Savage e Hallow’s Eve nos vem imediatamente, mas também há algo de Annihilator, Metal Church e até mesmo King Diamond (especialmente pelo brilhante trampo de guitarras). O forte line-up consiste no fenômeno das baquetas Cave Hoffman, Giovanni Soares no baixo, além dos exímios guitarristas Arthur Betiolli e Rafael Romanelli, o qual ainda acumula a função de vocalista. Dentre os ritos apresentados destaco a excelente ”Death of Dreams”, o single “Stand Up And Rise” (cujo video encontra-se logo abaixo), “Satan is Coming”, a nova “Slaves of the Lost Time” e o hino “Leatherface”, que pôs fim à participação da rapaziada. Show da Leather Faces é imperdível, caro leitor.

A LAMA NEGRA, banda a qual eu não conhecia muito, mas sabia o suficiente para despertar minha curiosidade, veio logo na sequência respeitando os horários divulgados pela produção semanas antes. Grata surpresa a apresentação dos caras, ainda mais por cantarem em português, o que dá aquele diferencial mega bacana. As letras são fortes, assim como a presença dos músicos em cena. Sem exceções, Anderson Veiga (baixo), Alex Coelho (guitarra), Rodrigo Rossi (bateria) e Tiago Moreli (vocais), sabem exatamente o que estão fazendo e denotam honestidade musical. “Poderoso”, como eles próprios gostam de definir o som que praticam. Thrash metal de primeira, ora mais old-school a la Slayer e Exodus ora com aquela pegada e groove de nomes como Biohazard, Suicidal Tendencies, S.O.D. e Madball. Até algo do Crowbar eu percebi aqui e acolá nos andamentos de algumas canções. Itens como “Insanidade”, “Vítimas” e “O Que Sobrou do Inferno?” ficam na cabeça após um bom tempo e ratificam a qualidade do Lama Negra. Posso lhe provar isso? Assista ao vídeo das três ao vivo no evento descrito nesta resenha. Está logo mais abaixo.

Pouco passava das 16h quando as cortinas foram abertas e a intro do debut “Victim of Yourself” deu início ao que seria a primeira apresentação em casa da NERVOSA desde que a bolachinha chegou às prateleiras das lojas especializadas deste país (via Die Hard Records) e do mundo, através da Napalm Records. Uma a uma as garotas foram tomando seus lugares. O que escrever sobre Fernanda Lira (vocal/baixo), Prika Amaral (guitarra/backing vocal) e Pitchu Ferraz (bateria) sem parecer bisado? Desde os primeiros dias desta nova formação, de longe a mais forte da banda, percebi que iria durar e dar muito que falar, incluindo por parte de seus detratores. Costumo acompanhar o que falam do trio no facebook e aqui no Whiplash.Net e por vezes fico revoltado com tamanha inveja empregada nas palavras de alguns internautas. Sem entrar nos méritos da Internet, mas sentar em frente a um monitor e escrever com irresponsabilidade tornou-se uma “moda” quando o assunto é Nervosa. Não falo isso clamando por piedade a elas, até porque estão longe de precisar disso, nem de unanimidade sobre gostar da música do grupo. Abordo sobre RESPEITO!

Voltando ao show, de cara nos atacaram com duas de suas mais ferozes, “Twisted Values” e “Justice Be Done”. O que é essa menina Pitchu na bateria, caro leitor? A “caloura” da Nervosa já conquistou seu lugar no rol de melhores bateristas brasileiros e detém uma empatia ímpar junto aos seus – muitos! – fãs. Suas batidas são perfeitas para os acordes despejados por Fernanda e Prika, esta uma máquina de riffs. Entre lágrimas e agradecimentos, “nervosa só no nome”, disse Lira, tocaram o que o povo queria ver e ouvir, prosseguindo com a estonteante “Invisible Oppression”, passando por “Nasty Injury”, outro destaque. “Into Mosh Pit” deu sequência ao massacre e abriu uma roda linda em meio à plateia. Ela ainda trouxe a participação de Marcello Pompeu (Korzus) nos vocais. Aliás, este fez um ótimo relato sobre como conheceu as meninas e afirmou ser fã do trabalho praticado por elas. Vale lembrar que o músico produziu em seu estúdio o álbum “Victim of Yourself” ao lado do Heros Trench. “Maquiagem já era, né?”, brincou Fernanda para risos e lágrimas gerais. “Into Mosh Pit” deu sequência ao massacre e abriu uma roda linda em meio à plateia.

“Wake Up and Fight”, uma de minhas favoritas, que fala sobre a corrupção em nosso governo, sempre me remeteu ao Sepultura dos tempos de Max Cavalera e de fato há algo de “Arise” e “Chaos AD” nela se repararmos com atenção. Sei que elas não negam a influência. A ótima “Deep Misery” abriu alas à fabulosa “Envious”, a qual fala daqueles detratores citados por mim mais acima, e “Time of Death”, esta tendo Amílcar Christófaro (Torture Squad) nas baquetas. O rapaz, que gravou o álbum inclusive, não só deu um espetáculo, como arrancou efusivos aplausos da Pitchu, que assistia ali do lado seu amigo detonando ao lado de suas nervosíssimas companheiras. Daí foi só porradaria, meu amigo, e tome “Morbid Courage”, a faixa-título do homenageado da tarde, “Victim of Yourself”, e “Urânio em Nós”, única música cantada em português, descrita por Fernanda como a “balada” da Nervosa. Engraçado o momento em que Prika quebrou uma das cordas de sua guitarra. Mas também pudera tamanha pujança nas palhetadas daquela mulher. O final apoteótico veio com o ‘hit’ “Masked Betrayer” e “Death”, uma das mais saudadas pelo público. O vídeo desta última você confere abaixo, inclusive. Depois foi só festa. As integrantes abraçaram, tiraram fotos e conversaram com todos os que permaneceram no Hangar 110, distribuíram CDs – eu fui agraciado com um, além de um abraço inesquecível da Fernanda -, sorrisos, lágrimas e muita, mas muita simpatia.

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http://www.nervosaofficial.com
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Fotos: Diego Cabral da Camara
Galeria completa em
http://www.flickr.com/diegocamara

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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