Humberto Gessinger: Show mostra uma carreira amadurecida

Resenha - Humberto Gessinger (HSBC, São Paulo, 22/03/2014)

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Por Monica Prado
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Humberto Gessinger não é um artista fácil de adjetivar. Isso se deve ao pluralismo de suas capacidades, sempre acompanhado pelo seu fiel exército (que não é de um homem só). Esse mesmo exército esteve presente no HSBC em São Paulo para prestigiar todas as fases da carreira de Humberto, em especial a estreia de ‘Insular’, seu novo CD.

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Fotos: Milena Mori

Após participar de 19 discos ao longo de diversos projetos (Engenheiros do Hawaii, HG, Gessinger Trio, Pouca Vogal), Humberto assume o nome solo, já que não usou uma banda fixa, na gravação de ‘Insular’, que conta com a participação de vários músicos que ele admira, como afirma em entrevista. Ele também diz, sobre o álbum novo, que ‘não houve ruptura na maneira como escrevo e toco, só amadurecimento’.

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Amadurecimento é, sem dúvida, uma palavra que permeia toda carreira de Humberto, tanto pela sua crescente sensibilidade e capacidade poética, como também pelo seu desenvolvimento como escritor e multi-instrumentista. Ele cita: ‘Cada projeto tem seu tempo certo de amadurecimento. Fui muito severo na escolha do material, na estrutura do disco, na escolha dos convidados. Mais que uma coleção de canções, pensei no disco como uma viagem sonora, com início meio e fim. Sinto que agora é a hora certa para um disco assim’.

Das 22:35 às 00:35 horas o que pudemos ver foram duas horas de uma atmosfera que irradiava êxtase. Uma alegria tomava conta de toda galera que sentia a vibração magnética de Humberto, que detêm um carisma imenso. O público ficou boquiaberto ao vê-lo manejar tantos instrumentos durante a execução das faixas, e isso ele faz tão naturalmente quanto nós ao repetimos os versos de suas canções.

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O repertório do show alternou canções dos ‘Engenheiros’ com material do álbum ‘Insular’. O público, que acompanhava tocas as canções e cantava junto, matou a saudade dos Engenheiros e também mostrou que já é fã do material novo, pois já se ouviam vozes acompanhando Humberto nos vocais durante a execução das faixas.

O símbolo do novo álbum fez parte de um cenário muito caprichado, que a iluminação tornava mais bonito à medida que modificava as cores em diversos momentos. A acústica estava correta, proporcionando um ambiente propício para uma ótima noite de sexta feira chuvosa.

Cada música era recebida como uma surpresa (sempre boa) e o show, que já estava ótimo, ganhou ainda mais brilho não apenas com um, mas com dois bis. No primeiro retorno ao palco, “Dom Quixote” e “Refrão de Bolero” ganharam o coro do público. Após uma rápida pausa, ‘Violência Travestida’ precedeu a derradeira ‘Infinita Highway’.

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‘Insular’, palavra que dá título ao álbum, significa: isolar-se, afastar-se da sociedade. Certamente é isso que Humberto faz para compor letras tão reais, poéticas, ricas em analogias, realistas, mas não duras, pois a voz de Humberto é capaz de transformar toda tristeza e crueza do mundo em melodia suave.

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Essa é uma das marcas desse artista. Ele se isola para compor, mas é no palco, sentindo a vibração daqueles que admiram seu trabalho que o ciclo se completa, onde tudo faz realmente sentido. Mais uma vez o público mostrou que o acompanhará por muito tempo nesta ‘highway’. Que seja, infinita highway!

Line up:
Humberto Gessinger – vocais, baixo, teclado, harmônica, acordeon
Rodrigo “Esteban” Tavares - guitarra
Rafael Bisonho – bateria

Set List:
*os títulos sublinhados são faixas do novo CD ‘Insular’
Sampa no Walkman
Tudo está Parado
Toda Forma de Poder
Até o Fim
Armas Químicas
Pose
Bora
Surfando Karmas & DNA
Eu Que Não Amo Você
Insular + Ando Só
Sua Graça
Revolta
A Ponte Para o Dia
Somos
De Fé
Terra de Gigantes
Piano Bar
EssasVidas + 3x4
Tchau Radar
Prá Ser Sincero
Exército de Um Homem Só

Bis I
Dom Quixote
Refrão de Bolero

Bis II
Violência Travestida
Infinita Highway

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Sobre Monica Prado

Sou formada em Engenharia pela E. E. Mauá e atualmente curso Filosofia na FFLCH-USP. Sou professora e tradutora de Inglês. Amo música e curto desde música clássica até o Heavy Metal. Música brasileira não é meu forte, mas sei apreciar um som de qualidade. A música me ajuda a sobreviver neste mundo, e ele ainda vale a pena por causa dela!

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