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Incubus: uma performance fantástica em Belo Horizonte

Resenha - Incubus (Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 12/12/2013)

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Por Pedro Turambar
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Uma das poucas boas bandas do falecido “New Metal” (talvez nem se pode classificá-la assim), do final dos anos 90/início dos anos 2000, que conseguiu não só evoluir, mas amadurecer e se firmar com ótimos discos e hits sensacionais. Sempre arriscando e mostrando que pode ir além de ficar na zona de conforto. Incubus merece os elogios. Merece ainda mais, depois da performance fantástica desta quinta-feira no Chevrolet Hall. Se eu estivesse sentado, aplaudiria de pé.

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Se não agora, quando?

Quem tem lá seus vinte e poucos anos, como eu, viveu na adolescência a vida e morte do que a mídia ‘especializada' chamava de New Metal (Nu Metal, ou simplesmente “bandas de rock com DJ’s”, já que eu detesto essas classificações). Limp Bizkit, Linkin Park, Slipknot, Korn, Deftones, Coal Champer, Drowning Pool, Mudvayne, P.O.D… absolutamente tudo era dominado por essas bandas - e outras tantas. Tão logo o Nu Metal teve seu ápice, ele morreu - dizem - com o lançamento de Fallen do Evanescence, e deu lugar ao Emocore.

Foi nessa época pré-Youtube, que baixávamos e trocávamos dezenas de CD’s recheados de clipes que eu descobri Pardon Me. Assisti o clipe e além de ficar fascinado com o som me perguntava “como é que esse cara com 15 anos consegue cantar tanto assim?”. Brandon Boyd ainda parece um garoto, mas não mudou nem um pouco a capacidade de cantar. Eu fui procurar mais sobre a banda e ouvi o S.C.I.E.N.C.E, o Make Yourself e o Mourning View. Se eu meio que já tinha dado bola em Pardon Me, eu virei fanboy em Privilege, Circles e Stellar. E mais nas dezenas de hits que esses caras tiveram a brilhante capacidade de criar. Putamerda, com o perdão da palavra.

Mais do que ser uma das dezenas de “bandas de rock que tinham DJ’s” que ouvíamos naquela época, Incubus além de se destacar por ser um tanto diferente das outras, foi evoluindo. Uma das poucas, quase inexistentes que se recusaram a ficar naquela mesmice. Enquanto alguns dos bastiões iam morrendo Incubus, Slipknot e Linkin Park iam se propondo experimentos e mudanças. Nenhum disco do Incubus é igual ao outro e o último álbum de estúdio da banda destoa ainda mais. Sem perder nem uma gama de qualidade. É um dos grandes motivos de eu ouvir a banda com frequência ainda hoje.

E de ter ficado tão, tão empolgado com a possibilidade de não só ver, como escrever sobre o show dos caras aqui em BH.

Cumpri o ritual de sempre: passar a semana que antecede o show ouvindo a discografia, procurar e montar mais ou menos o set list do show, pensar em como seria o tom do início da resenha e claro morrer de ansiedade pelo segundo show mais esperado do ano por mim. E por mais que a expectativa sobre o show fosse grande, eu ainda fui surpreendido.

Nunca pensei que iria ser tão bom.

Ir para o show foi uma dificuldade, uma vez que o mundo acabava em forma de chuva em BH. E como acontece em quase toda cidade grande, quando chove o trânsito vira uma loucura. Mesmo assim cheguei cedo, me credenciei, conversei um pouco com alguns conhecidos e fui para o show. Fiquei surpreendido pela quantidade de pessoas. Haviam pouquíssimas pessoas. Será que seria só aquilo ali até o fim? Assim que o início do show foi se aproximando as pessoas foram chegando e enchendo um pouco mais. As arquibancadas até ficaram vazias, mas isso não importou nem um pouco.

Já fui em vários shows com lotação máxima no Chevrolet Hall, mas em nenhum deles, o público fez tanto barulho como no dia 12. Primeiro que foi estranhíssimo ir num show onde a maioria esmagadora não vestia preto e nem fosse cabeluda. Público muito diferente do que eu estou acostumado, devia ter uns dois ou três headbangers, eu estava disfarçado. O preconceito acabou assim que os acordes de “Quicksand/A Kiss To Send Us Off” tomaram forma.

Parecia que estávamos numa cama elástica de tanto que o chão balançava. E o barulho no refrão era ensurdecedor. Abri um sorriso enorme, seria no mínimo um show empolgante por causa do público fiel que sabia cada palavra que Brandon Boyd cantava.

Logo depois de uma abertura na pancadaria com as músicas do ótimo Light Granades, veio outra porrada com “Megalomaniac”. Delírio. O som foi se acertando e pudemos começar a ouvir melhor os vocais de Boyd que simplesmente estraçalha. Por mais que eu soubesse e já havia identificado a influência do Red Hot nos caras - além de som, o Incubus também é da Califórnia - me surpreendi com a semelhança do guitarrista Mike Einziger com John Frusciante, Brandon e Anthony Kieds. Até o baterista Jose Pasillas usava um boné estilo Chad Smith.

O som da banda estava fantástico, e uma coisa que eu sempre tento perceber da vibração da performance da banda, e como eu fiquei feliz ao perceber que eles se divertiam. O que eu sentia é que esses caras amam de verdade o que fazem, e toda vez que o público gritava, cantando em uníssono as músicas eles se empolgavam mais. “Nice to Know You”, “Adolescents”, “Beware! Criminal”, “Talk Shows On Mute” e “Ana Molly” mantiveram o show num nível maravilhoso. Ninguém parou de cantar um minuto, e as performances foram melhorando.

E Brandon Boyd ia ficando sem camisa, fazendo com que as muitas mulheres no recinto fossem ao delírio. A umidade relativa do ar dentro do Chevrolet Hall atingia níveis alarmantes.

“In The Company of Wolves”, uma das músicas do sensacional If Not Now, When? foi inesquecível. Mais uma vez fiquei impressionado com os vocais e principalmente com as luzes. Se me permitem, um puta que pariu aqui. Parabéns para quem estava no controle das luzes e do som da banda. Que trabalho fenomenal. Posso dizer aqui, sem medo algum que foi o melhor trabalho de luz e som que já vi em um show. Mas assim, ganha de muito longe de qualquer um. Absolutamente maravilhoso.

“Southern Girl” veio para preparar o público de quatro hits na cara. “Drive”, “Stellar”, “Warning” e “Dig”. Foi de tirar o fôlego. A banda ia melhorando a cada música, e o público se empolgando mais e mais com os grandes sucessos da banda. Depois de acalmar os ânimos com uma música “muito, muito, muito antiga” - Glass do primeiro disco -, vieram “Pardon Me” e “Wish You Were Here”, essa última, pra mim a melhor performance do show. Da banda e do público pequeno, mas que fez o Chevrolet Hall tremer, pular e cantar.

Grande show. E ainda faltavam quatro músicas.

“Sick Sad Little World” fechou a apresentação antes do bis. Que veio com “If Not Now, When?” - lindíssima -, “Are You In?” com toques de "Riders On The Storm" do Doors, e para fechar com chave de ouro um dos melhores shows que eu já vi, “A Crow Left Of The Murder/She’s So Heavy (Beatles)”. Palmas, palmas, palmas.

Incubus me surpreendeu muito. Uma banda que começou fazendo covers de Megadeth e Metallica, conseguiu não só encontrar o próprio som, mas criou algo original, só deles. Virei ainda mais fã.

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Sobre Pedro Turambar

Pedro Turambar nasceu Pedro Américo e sonha em ganhar a vida escrevendo, de bula de remédio a romances épicos. Descobriu o rock 'n roll nas viagens de família quando criança, ouvindo Bob Dylan, Cat Stevens e Pink Floyd, mas sua cabeça explodiu de verdade quando ouviu a voz de Ozzy Osbourne e os riffs de Iommi pela primeira vez. Fundou o blog O Crepúsculo para falar sobre tudo e aguenta as piadinhas até hoje. No twitter atende por @pedroturambar.

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