Mayhem: em show único banda mostra a brutalidade das brutalidades

Resenha - Mayhem (Hangar 110, São Paulo, 05/12/2013)

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Por Diego Camara
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Difícil imaginar atualmente uma banda que seja mais polêmica que o MAYHEM na cena. Toda a sua história está acima das conversinhas e das intrigas, se baseou nos atos mais extremos que o metal pode produzir. Mas se os atos da banda e sua atitude mudaram, e o Black Metal deixou de ser um movimento antirreligioso, como disse o próprio Attila, para se tornar mais um movimento artístico e, por ele, alcançar a mensagem de libertação da religiosidade extrema, não podemos dizer o mesmo da música. Ela continua brutal, continua crua, continua sombria e matadora. E foi isso o que receberam os brasileiros que tiveram uma horinha na noite de quinta-feira, com chuva, para ver esses caras.

A banda responsável pela abertura foi o TEST. Apesar de não ser uma banda – na verdade, é um dueto – tocam como se fossem uma! Da Kombi para os palcos, literalmente, esses caras estão mostrando como deve ser feito. E na abertura do Mayhem tiveram exatos 30 minutos para fazer uma apresentação matadora e extremamente rápida. O público que não os conhecia se espantou pela simplicidade da banda, uma bateria que daria pra carregar na mão de tão pequena, mas uma música que muito marmanjo com aquelas baterias gigantescas e ideias de virtuosidade não conseguiria seguir. O Test é um ícone da vontade, e realmente é uma banda a ser vista. Quem não chegou na hora, perdeu um puta show, que no final agradou o público e saiu ovacionado.

Passou-se então mais 30 minutos de espera e cortinas fechadas. O público parecia bastante ansioso, o show talvez pudesse ter sido mais cedo. Mas em exatas 21h30m, as cortinas se abriram e a banda já estava a postos, quando a introdução maligna dos tambores de “Silvester Anfang”. A banda apenas observava, séria, a plateia. Foi no pós intro, com o som de “Pagan Fears”, que a plateia estourou de animação. Aquilo era o verdadeiro Black Metal correndo nas veias daquele povo.

Mas o show ia ficando melhor com o tempo, e “Deathcrush” já marcou os primeiros bate cabeças e o empurra empurra na frente do palco. A banda, por outro lado, foi firme na entrega de um som completo e de ótima qualidade, além de uma performance extremamente técnica, especialmente marcada pelas baquetas do grandioso Hellhammer.

“Obrigado!”, gritou Attila, balançando seu crânio para o público. A seguinte, apresentada pelo vocalista, foi “Ancient Skin”, com uma grande performance de Hedger e Teloch. A música extremamente rápida levantou o público, que não conteve as mãos e as levantou ao alto, com chifres e punhos erguidos. Com essa música o público estava ganho, e os gritos de “Mayhem! Mayhem!” mostraram o reconhecimento dos presentes.

O ótimo show até agora viu um pequeno principio de confusão no início de “A Time to Die”, com uma roda gigantesca que abriu na frente do palco. Alguns dos seguranças do Hangar 110 se dirigiram para lá, mas aparentemente nada de grave ocorreu, apenas os fãs ficaram um pouco exaltados demais no bate cabeça, felizmente não era nada além da brutalidade do Mayhem e a resposta de seus fervorosos fãs a pancada que estava sendo o show.

Dando uma acalmada no público, a sombria “Illuminate Eliminate” mostrou uma banda com capacidade para manter também músicas cadenciadas com a mesma qualidade de suas mais rápidas. O público aceitou a mudança de ritmo e se concentrou na frente do palco, dividindo cada centímetro do estreitíssimo palco do Hangar 110, que ficou pequeno para uma banda com tantos integrantes.

Se o show parecia ótimo até agora, porém as surpresas que viriam foram pra fechar ele com chave de ouro. A primeira foi o grande sucesso “Freezing Moon”, do “De Mysteriis Dom Sathanas”. Foi uma das mais recepcionadas pelo público. O belo som da introdução, concentrado nas guitarras, animou o público e se criou outra roda brutal na frente do palco. O pau comeu solto nessa música, e sem dúvidas muita gente voltou pra casa com algumas “marquinhas” graças ao Mayhem por essa música.

Das poucas interações, Attila ainda tinha mais uma antes de finalizar o show: agradeceu a todos os fãs por terem vindo ao show, sendo aplaudido por todos os presentes. Assim tocaram outros dois super sucessos, “Carnage” e “Pure Fucking Armageddon”, sem duvidas uma das melhores maneiras de se fechar um show de maneira brutal.

Quando as cortinas fecharam, pouco mais de uma hora de terem começado a apresentação, ficou ali na plateia um gostinho de quero mais. Esperavam mais músicas? Com certeza! O show foi bastante curto, apenas uma hora – nada comum ao “padrão europeu” – mas o que não se pode dizer é que foi uma hora pouco aproveitada. A banda tocou grandes sucessos e passou um pouquinho por cada um de seus álbuns.

O resultado é fácil de ser resumido: a banda arrasou, o público arrasou. A produtora, que acreditou na cena do metal extremo, também arrasou, e a casa, apesar de não ser do tamanho que todos esperam para um show internacional, funcionou bem e comportou o público bastante exaltado que viu o Mayhem.

Nos finalmentes, difícil pensar num resultado melhor.

Mayhem é:
Necrobutcher – Baixo
Hellhammer – Bateria
Attila Csihar – Vocal
Teloch – Guitarra
Charles Hedger – Guitarra

Setlist:
Intro: Silvester Anfang
1. Pagan Fears
2. Buried by Time and Dust
3. Deathcrush
4. Ancient Skin
5. My Death
6. A Time to Die
7. Illuminate Eliminate
8. Symbols of Bloodswords
9. Freezing Moon
10. Carnage
11. Pure Fucking Armageddon

Fotos: Kennedy Silva
facebook.com/KennedyFotografiaShow

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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