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Black Sabbath: o emocionante show da banda em São Paulo

Resenha - Black Sabbath, Megadeth (Campo de Marte, São Paulo, 11/10/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em primeiro lugar, é preciso reforçar: O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores. Você verá isso em vermelho logo abaixo, mas não custa repetir (ou melhor, antecipar). O que contaremos adiante é a experiência pessoal de um fã de heavy metal que estaria, na noite de 11 de outubro de 2013, frente a frente com os criadores do estilo (desconsiderando, claro, "Helter Skelter", dos fab four), daí o tom bem pessoal encontrado em todo o texto. O texto poderia até ser sintetizado, tornando-se bem menor, mas o que vamos falar aqui é de emoção. E a emoção de ver o BLACK SABBATH nunca é pequena.

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Fotos cedidas por MRossi https://www.facebook.com/mrossifotografia

O BLACK SABBATH movimentou pessoas do país inteiro ao anunciar os três shows que originalmente faria no país durante a sua turnê sul-americana, uma turnê que pode ser a última. Em São Paulo, o show teve como local o Campo de Marte. Sobre o local, pouco posso falar. Sempre soube que era um aeroporto não-comercial. Se ainda tem essa função, sinceramente, não faço ideia nem o adiantado da hora me permite pesquisar. O fato é que, ao contrário do show do IRON MAIDEN e SLAYER, ocorrido recentemente na capital paulista em um local bem perto dali, a estrutura pareceu bem melhor, pelo menos do meu ponto de vista, pareceu bem melhor. A pista premium não me pareceu tão grande, garantindo que quem chegou cedo ao local ainda pudesse ter boa visibilidade. Isto seria garantido mais ainda mais tarde com dois telões bem no meio da pista comum, além dos dois da lateral do palco e dos centrais (voltarei a estes últimos mais tarde). Para quem escolheu o transporte público para ir ao evento e teve condições de se dirigir ao Campo de Marte ainda no início ou meio da tarde de sexta, também não houve qualquer problema. Palmas para São Paulo (repetirei esta frase mais tarde, mas não no mesmo tom). Ao contrário de outras cidades, não tive o menor problema em me deslocar pela cidade usando o transporte público disponível na cidade nos vários eventos que participei nas últimas semanas.

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Enquanto todos esperávamos pelo início do show, nos PAs do Campo de Marte rolavam algumas canções do AC/DC. Bem apropriado de início, mas insuportável após algum tempo. Se foi boa a ideia de colocar um rockão rolando enquanto a hora dos shows não chegava, foi muito ruim que só tivessem um CD. Espero não ter que ouvir "Dirty Deeds Done Dirt Cheap" tão cedo (bastam as doze vezes que ouvimos naquela tarde e noite).

A ansiedade de todos os presentes era tão grande que chegaram a entoar o coro de Iron Man durante a exibição do vídeo de segurança. Por outro lado, os artistas escolhidos (JOTA QUEST e Cláudia Leitte) para a campanha da Sky (um dos patrocinadores), também exibida nos telões, mostrou-se bastante inadequada, recebendo uma longa vaia de toda a plateia. Ponto negativo para o publicitário que pensou (ou não pensou) nisso.

Depois de ser uma das bandas que roubaram a cena no Rock In Rio poucos dias antes, o HIBRIA foi confirmado como banda de abertura em Porto Alegre. Infelizmente, os gaúchos ficaram só em seu estado. Teria sido interessante vê-los abrindo os shows nas demais cidades.

MEGADETH

Finalmente, cinco minutos antes da data marcada inicialmente, sobe ao palco o MEGADETH, enquanto a plateia gritava o seu nome. O show começou com o clássico "Hangar 18", com seus quinhentos solos. O som, ao contrário da já citada banda de abertura do IRON MAIDEN, o SLAYER, estava muito bom, com todos os instrumentos muito nítidos e em volume adequado. Impressionante também era a exibição nos três telões de palco, mesclando imagens ao vivo com imagens relativas ao teor lírico das músicas, como, por exemplo, ETs em "Hangar 18", Lobisomens em "She-Wolf" e por aí vai. Uma banda de abertura de luxo com uma luxuosa produção.

"Kingmaker", única do equivocado "Super Collider" teve partes de sua letra nos telões (foi a única que precisou disso, uma vez que todas as outras letras já eram cantadas por boa parte da plateia) e pareceu ainda melhor ao vivo que em sua versão do CD. Foi seguida de "Symphony of Destruction", em que os fãs da banda americana chegaram a cantar até mesmo o riff (me-ga-deth, me-ga-deth, me-ga-deth).

Algo que também é digno de nota é que não se podia ver nenhuma roda de mosh (comum em shows de thrash metal). A banda tampouco interagia com a plateia. O baixista David Ellefson e o guitarrista Chris Broderick até eram mais simpáticos, mas não falaram nada até Ellefson tomar o microfone antes de "Peace Sells" (que é introduzida por seu baixo) e dizer: E aí, São Paulo?". Só ao fim da música, o primeiro "Thank You" de Dave Mustaine. Apagam-se as luzes, mas logo o quarteto volta com Dave mais sorridente e com outra guitarra, com motivos do "Rust in Peace". O agora falante Dave Mustaine pergunta a plateia: "Vocês estão se sentindo bem? ", antes de declarar -"Eu estava ouvindo vocês cantando e isto é um fato: São Paulo tem a plateia que canta mais alto na turnê". Amigos cariocas e mineiros, ele talvez vá dizer a mesma coisa nos próximos shows.

"Holly Wars" fechou de forma brilhante um show bastante direto em que o MEGADETH chegou, resolveu o problema e foi embora. Dave ainda aconselhou: "Dirijam com cuidado quando forem pra casa, porque nós queremos ver vocês outra vez".

BLACK SABBATH

No intervalo entre uma banda e outra, amigos que se conheceram ali mesmo contavam a roqueiros novatos como era gostar de música nos anos 80 e 90, principalmente sobre como era usar fitas cassetes e as mil e uma utilidades de uma caneta bic (se você sabe, você não é tão jovem). Sem nenhum aviso, uma voz começa a entoar no microfone um "ô ô ô ô ô ô ô ô". Surpresa. Era o madman que não queria saber mais de esperar. O público vai a loucura e, mesmo com as sirenes de "War Pigs" aqueles três monstros sagrados estavam bem ali na frente. Todas as mãos estavam pra cima. Ainda não dava pra saber o que estava acontecendo. Só no meio da música é que "cai a ficha", com todas as vozes cantando "War Pigs". Com o baixo e a plateia na mão, Geezer Butler sozinho já pagaria o show. Mas ele não está sozinho. Vem acompanhado de Ozzy Osbourne, velho, louco, corcunda, falido e ainda um dos melhores front-men da história do heavy metal, e de Tony Iommi, criador de riffs que ficaram marcados na música e que vão viver pra sempre (assim como ele). Atrás do trio, todos vestidos de preto, está Tommy Clufetos, um aprendiz de John Bonham, um aprendiz de Bill Ward. "Sabbath, Sabbath, Sabbath", grita a plateia.

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Ozzy anuncia "Into The Void", música que ouso dizer que tem o primeiro riff thrash metal da história (até nisso os velhos são pioneiros). E é aqui que ele dá sua primeira mancada em solo paulista. "Alô, Rio. Como vocês estão indo aí? ". Isso mesmo. Em São Paulo, Ozzy saudou o Rio. Nada demais pra quem muito recentemente exibiu uma bandeira brasileira na Argentina. E haviam bandeiras do Figueirense (time de Santa Catarina) e do Paraná na plateia. Por sorte (ou por azar), o madman não pegou alguma delas.

Mas Ozzy é o Ozzy e sempre será perdoado. E, ao fim de "Under The Sun", ele agradece com um "Obrigado, Deus os abençoe". Nesse caso, deve ter sido uma ironia (a letra é bem contrária a seguir uma religião) ou apenas mais uma mostra da dualidade que sempre esteve presente no BLACK SABBATH.

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Depois de "Snowblind" (cujo verso "oculto" foi muito bem pronunciado mais de uma vez), "Age of Reason" é a primeira de "13". Apesar da qualidade da faixa, uma das melhores do novo álbum, o público fica mais calmo (o que não quer dizer que não a estavam apreciando). Ao fim, todos já estavam balançando as mãos. Uma opinião colhida no meio da plateia é importante ser explicitada aqui. Um amigo, que ainda não tinha ouvido o "13", chegou a dizer que acreditaria se lhe contassem que a faixa era dos anos 70.

Da faixa mais recente, voltamos ao começo da história do Heavy Metal, com a chuva, os sinos e os trítonos da faixa que dá nome à banda e a seu primeiro disco: BLACK SABBATH. Ozzy interpreta a primeira parte demonstrando um medo terrível para, então, Iommi dar um passo a frente, fazer o sinal que ficou conhecido nas mãos do ex-colega de banda, DIO, e fazer um solo que faz o Campo de Marte explodir. Seus dedos falsos maltratam, masturbam, contorcem as seis cordas. Uma aula de rock que foi o "Grays Anatomy" obrigatório para todos os roqueiros de 1970 até aqui. Nota: refiro-me ao livro-texto, não à série de TV.

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Com a imagem dos telões em preto e branco, é a vez de Geezer ser o centro das atenções, com um maravilhoso solo de baixo que abre "N.I.B". A imagem volta suavemente a ser colorida quando o resto da banda passa a participar da faixa. Eu já falei de Geezer Butler? Já. Então apenas repito. Os timbres do baixo de Butler são a alma do corpo que é formado pelos riffs de Iommi. Se o show terminasse ali, já teria valido o dinheiro do ingresso e a passagem do Ceará para São Paulo. Mas não é isso que acontece. O show começa de novo com "End of The Beggining", com seu solo de 120 minutos.

"Fairies Wear Boots" trás nos telões de palco algumas moças que não estariam nos contos da Disney. Mais tarde, em "Dirty Woman", elas estariam ainda mais desinibidas. Ozzy, corcunda, como no show inteiro, anda de um lado pro outro com seu passo de velho, mas pula, bate palmas, agita a multidão enquanto Iommi sola.

"Rat Salad" rapidamente dá lugar a um solo de Clufetos. A pausa dos senhores para uma água é compreensível, mas, apesar do talento de Clufetos (como disse, discípulo de Bonham e Ward), o solo pareceu se estender mais que o previsto. Em alguns momentos, Clufetos parecia finalizá-lo, para iniciar novamente algum outro fraseado. Estaria recebendo instruções para "ficar mais um pouco". Jamais saberemos. Mesmo assim, foi talvez o segundo melhor solo de bateria que já pude ver (claro, eu nunca pude ver Bonham ao vivo), perdendo apenas, talvez, para um de Max Kolesne (KRISIUN).

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"Iron Man", uma das canções preferidas de meu filho de três anos, foi um momento pessoalmente especial para mim. Quem dera ele pudesse estar ali também. Sua pouca idade não lhe permitirá ver os mesmos monstros que o pai dele viu. Dificilmente algum dos músicos de hoje estará no mesmo patamar que estão aqueles três a minha frente daqui a uma década ou duas. Talvez o IRON MAIDEN, talvez o METALLICA, talvez o próprio MEGADETH (se não lançar mais "Super Colliders"). Só o tempo dirá.

Em "Iron Man" Ozzy acerta pela primeira vez o nome do lugar onde está (devem tê-lo alertado durante o solo de Clufetos). "São Paulo rocks", diz ele. Algo como "São Paulo bota pra quebrar", numa tradução bem livre.

Se as milhares de pessoas presentes são levadas a perguntar se Deus está morto na faixa seguinte "God Is Dead?", há pelo menos uma certeza: o Deus da guitarra continua vivo. E criando solos e riffs como se estivéssemos nos anos 70.

Ozzy ainda arranjaria tempo para fazer tratos com a plateia, como fez em outras praças. "Se vocês ficarem muito doidos, a gente toca mais duas músicas". E é a vez dos riffs monstruosos de "Children of The Grave". A voz de Ozzy manteve-se boa durante quase todo o show. Aqui, falha, mesmo que levemente.

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Para por fim à noite de nosso encontro com os criadores do metal, "Paranoid". E finalmente aparece a roda que até ali a plateia estava devendo.

Fim. Não o começo do fim ou fim do começo. É o fim do fim. Se poderemos ver novamente esses monstros no palco fazendo o que eles nasceram pra fazer, só o tempo dirá. Mas, se depender da vontade de cada um dos 50, 60, 70 mil presentes, este foi apenas o começo do começo.

Se até ali, tudo, ou quase tudo, só tinha merecido elogios, a volta pra casa se mostrou uma tarefa árdua, cobrando de cada um pelos momentos felizes que tinham acabado de receber. Sair do Campo de Marte foi bem mais complicado que sair da Arena Anhembi. E a tão alardeada opção pelo transporte público só seria fonte de desgosto. Mais uma vez, palmas pra São Paulo. Clap. Clap. Clap (dessa vez, com ironia). Mesmo tendo o show terminado cedo o suficiente para que boa parte do público pudesse pegar o metrô, a estação Carandiru chegou a ser fechada deixando milhares de pessoas nas ruas. Medo de vandalismo foi um motivo alegado. De qualquer forma, o que se viu foi um completo despreparo para receber e dar destino a todas aquelas pessoas, contribuintes do estado ou turistas como eu. Boatos felizmente não confirmados davam conta que as Estações Tietê e Santana também estariam fechadas. Com a caminhada extra que muitos foram obrigados a fazer, em busca de uma estação de metrô em que pudessem embarcar, algumas pessoas que tinham que fazer baldeação em outras estações podem ter perdido a parte final de suas conduções. Prefeitura, CET, e a quem mais couber responsabilidade, não se incentiva o uso do transporte público com ações irresponsáveis como essa. Espero que os colegas que vão ver os shows no Rio e em BH tenham mais sorte.

Setlist MEGADETH

Hangar 18
Wake Up Dead
In My Darkest Hour
She-Wolf
Sweating Bullets
Kingmaker
Tornado of Souls
Symphony of Destruction
Peace Sells
Holy Wars... The Punishment Due

Setlist BLACK SABBATH

War Pigs
Into the Void
Under the Sun
Snowblind
Age of Reason
Black Sabbath
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
End of the Beginning
Fairies Wear Boots
Rat Salad / Drum Solo
Iron Man
God Is Dead?
Dirty Women
Children of the Grave

Encore:
Paranoid
(Sabbath Bloody Sabbath Intro)

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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