Krisiun: sem jabá nem concessões banda se consagra no Rock In Rio

Resenha - Krisiun (Rock In Rio, Rio de Janeiro, 22/09/2013)

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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“O Rio de Janeiro é a capital mundial do jabaculê.” – Sebastião Rodrigues Maia [1942 – 1998]

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A inclusão do expoente maior do Metal Extremo nacional – o KRISIUN – no casting do último Rock In Rio, que se encerrou na madrugada de hoje, mostrou-se um grande acerto por parte da produção do evento.

Formado no Rio Grande do Sul em 1990, o Krisiun é uma história rara – pra não dizer única por medo de ser injusto – de uma banda que não contou, em momento nenhum de sua carreira, com ‘boi’ de nenhum tipo. Nada veio fácil pra eles. Tudo foi construído com adversidade, e adversidade aqui não se refere só ao fato de o trio de irmãos tocar um estilo – propositalmente – avesso a tudo que é massificado, pasteurizado e suavizado para as massas. Os Kolesne não só ficaram alheios a ‘esquemas’, ‘prezas’ e ‘brodagens’ típicos da viciada cena musical paulistana, como também foram contra ela. Alheios à asquerosa panelinha editorial e midiática de São Paulo que se julga proprietária do Metal no Brasil, o aríete Death Metal construiu sua fortaleza sônica com sangue e suor em cada tijolo.

E foi celebrando mais um alvo destroçado que o Krisiun subiu no palco Sunset na tarde desse domingo, 22 de Setembro, para tornar-se a primeira banda de Death Metal a tocar na história do festival.

Verdade seja dita: Roberto Medina e seu staff não dão ponto sem nó. Muitos podem reclamar da falta de certo tipo de gêneros na escalação do festival a cada edição, mas não haveria sentido gastar com mais um palco, equipamento, equipe técnica, transmissão televisiva e despesas operacionais com bandas que não atraem público. Se está no palco do Rock In Rio, ou é comercialmente viável e/ou artisticamente legítimo, ou é por jabá. Mas voltaremos a falar disso em breve.

Quando o SEPULTURA finalmente chamou a atenção da mídia brasileira – em 1989, após a revista inglesa NME elogiar o álbum ‘Beneath The Remains’ [o brasileiro tem essa latente necessidade de se ver pelos olhos do colonizador, sempre] – a segunda edição do RIR confirmou o quaternário então liderado por Max Cavalera em sua lineup. Sob as melhores condições? Longe disso. Mas colocando o grupo em rede nacional de televisão com imagens profissionais e associando-o a nomes como JUDAS PRIEST, MEGADETH e GUNS N’ ROSES. Foi a primeira banda de Metal extremo a tocar no Rock In Rio, e a parceria foi tão bem-sucedida para ambas as partes que fica difícil hoje em dia imaginar um Rock In Rio, seja doméstico ou internacional, sem a presença de Andreas Kisser.

Ontem, acompanhados da metralhadora Thrash teutônica, o DESTRUCTION, o Krisiun expôs, para um público sem tamanho espalhado pelo globo, toda a maestria que conquistou em seus instrumentos ao longo de quase 30 anos de prática, e alternou material de seu catálogo com o grupo de Marcel Schmier e Mike Sifringer, além de um cover para ‘Black Metal’, dos decanos ingleses do VENOM. O show – que na verdade era titular do Destruction com participação especial dos gaúchos – acabou sendo uma jam avassaladora com direito a um dos maiores mosh pits já vistos desde a primeira edição do Rock In Rio, em 1985.

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“O rock brasileiro é uma farsa comercial” – ‘AIDS, Pop, Repressão’, Ratos de Porão.

Tudo isso sem jabá, sem payola, sem forçar a barra, sem vocalista beócio fazendo discursos demagogos sobre a conjuntura política e social do país, sem vaidade, nenhum músico no palco pagando de bad boy quando na verdade está sendo visto como comédia boy naipe Paulo Ricardo. O Krisiun só tem uma meta, sempre: tocar pra arregaçar, dar aos presentes um show que valha mais do que o que eles pagaram pelo ingresso, seja num palco gigante para 50 mil pessoas, seja num fim de tarde de domingo para seis pessoas num bar do ABC em 1993 [como eu testemunhei pessoalmente]. O SLAYER pode ter sido aviltado ao ser posto para tocar antes do pastiche New Kids On The Block, o Avenged Sevenfold, mas os nativos de Ijuí lavaram a alma dos fãs de Metal com o marco de ontem.

Numa terra onde o underground chora mais do que faz, pede mais do que oferece e conspira muito mais do que agrega, o Krisiun é a evidência essencial de que uma banda que faz um som marginal, num país miserável, com uma cena que insiste em se sabotar numa biblioteca de ignorância e falácia, pode realizar QUALQUER coisa que se proponha, sem ego nem deslumbramento.

Aposto um dos meus bagos que esses caras ainda tocam em Donington.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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