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Genocídio: 20 anos de "Hoctaedrom" em São Paulo

Resenha - Genocídio (Manifesto Bar, São Paulo, 30/06/2013)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em quatro edições, o projeto PESO BRASIL já provou sua qualidade e bom gosto. Tudo começou por meio de uma ideia proposta por Silvano Brancati, proprietário do Manifesto Bar, local-base dos concertos, envolvendo o jornalista Ricardo Batalha. A sugestão foi a criação de um evento que fosse destinado somente a bandas autorais de heavy/rock, independente do tempo de estrada. Sendo assim, nomes como Attomica, Anthares, Necromancia, Goatlove, Sioux 66, Kamboja e Dr. Sin realizaram shows memoráveis e mantiveram em alta o nome da iniciativa. Desta feita, o Peso Brasil ocorrido no último dia 30 de junho foi inteiramente dedicado ao metal extremo tendo como protagonista a lenda Genocídio acompanhada dos excelentes Nervochaos e Descrated Sphere. Eu presenciei o momento ao lado da nossa convidada mega especial, a fotógrafa Mahiba Atum. Acompanhe o resumo dos fatos e os cliques dela a seguir.

Texto: Durr Campos
Fotos: Mahiba Atum

O Desecrated Sphere, quarteto de Mogi-Guaçu, iniciou seu set quase às 20h. Praticando um death metal extremamente técnico, dispararam músicas de seu debut “The Unmasking Reality” (2011), bem como novas composições as quais estarão no novíssimo "Emancipate", que já estará disponível a partir de julho através dos selos Eternal Hatred e Rapture. A última vez que os vi foi em fevereiro de 2012, quando abriram para o Aborted no Hangar 110. Daquela feita Renato Sgarbi (vocal), Gustavo Lozano (guitarras), José "Motor" Mantovani (baixo) e Saulo Benedetti (bateria), já haviam me impressionado tamanha a qualidade de sua performance, mas tudo ganhou ainda mais potência. Certamente a turnê pela Europa ano passado, quando se apresentaram em oito países, contribuiu bastante no quesito maturidade, mas não pode ter sido apenas isso. Todos merecem destaque, entretanto preciso mencionar de novo Mantovani. O cara é fácil o Steve DiGiorgio (Sadus, Vintersorg, Testament, Death, Autopsy, Control Denied, Iced Earth e muitos outros) ou o Sean Malone (Cynic) brazuca, sem exageros. Impossível não parar em frente e contemplar sua técnica e feeling ao vivo ao tocar seu fretless. Desde o início com “Unnatural Transformation”/ “Ruin”, passando pelas sensacionais “Century of Tyranny”, “Departure From Flesh”, a já clássica “Gospel is Dead” até o desfecho com “Biological Butchery”, o que se viu em cena foi um dos nomes mais fortes do heavy metal feito no Brasil. Se ainda não conseguiu vê-los nos palcos corra, pois é de cair o queixo!

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Set-list Desecrated Sphere
Unnatural Transformation (Intro)
Ruin
Century of Tyranny
Departure From Flesh
Gospel is Dead
Defraudation
Trancending Materialism
Humanufactory
Biological Butchery

Sites relacionados:
https://www.facebook.com/DesecratedSphere
http://www.myspace.com/desecratedsphere

Pouco antes das 21h aquele que é um dos mais profanos nomes do death metal brasileiro inicia sua aniquilação. O que falar do Nervochaos sem soar redundante? Tive a honra de vê-los ao vivo algumas vezes e quantas mais puder farei, sem nem pensar. Por exemplo, estive no show do quarteto em meados do mês passado, mais precisamente no Panzer Fest, quando os vi praticamente colocar o Cine Jóia abaixo. Aqui se algo mudou foi para melhor, porque um repertório que condensa, em sequência, a perfeita “Dark Chaotic Destruction”, “Infernal War”, a já essencial “To The Death”, que batiza o mais recente trampo de estúdio, e a sensacional “Total Satan” é para querer sair por aí quebrando alguma coisa. Quando anunciaram a seguinte, “Mighty Justice”, pensei em como a letra dela é atual, especialmente por conta das manifestações por todo o território nacional. Saca um trecho em inglês mesmo: “Cops, bossed by a child/ You can go get fucked/ We will insult you/ You have no rights at all/ Beat the shit out of us/ We're not resisting you/ But we'll never forget your attitude”.

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O line-up você já conhece: Guiller na voz e guitarra, Quinho também na guitarra, o baixista Felipe Freitas e Edu Lane, membro fundador e simpatia em pessoa, comandando as baquetas. E quando escutamos “Deus não está aqui esta noite...”, sabemos o que vem, não é? Isso mesmo, “Pazuzu is Here”, até agora detentora do posto de favorita para este que vos escreve. Como eu mencionei da última vez que escrevi sobre o Nervochaos, há algo único na linha de bateria desta música que a deixa perversa sem abrir mão do groove. Coisas que apenas o death metal tupiniquim é capaz de parir. Encerraram com outra das que mais aprecio, “Pure Hemp”, gentilmente dedicada a “todos os maconheiros presentes”, nas palavras do Guiller. Foi assim, cantarolando “we rolled a joint and we got high, green leafs inside my brain…” que os quatro demônios paulistanos deixaram o palco do Manifesto com o dever cumprido!

Sites relacionados:
http://www.nervochaos.com.br/
http://www.facebook.com/NervoChaos
http://www.metalmedia.com.br/nervochaos/
http://www.myspace.com/nervochaos
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1257666

Após uma pequena pausa para ajustes, troca de pano de fundo e uma cerveja, o Genocídio inicia com a “Intro” do álbum tocado na íntegra, isto é, “Hoctaedrom”, editado em LP há exatos 20 anos, recentemente relançado em formato digipack com bônus pelo selo Mutilation Records. A sequência deu-se com a fantástica “Here Are The Masques”, que só não estava perfeita por conta das guitarras um tanto baixas. Felizmente o técnico de som percebeu em tempo de termos “UpRoar” em uma das versões mais insanas já vistas. Murillo Leite está cantando muito, até melhor que o Marcão, responsável pelas vozes quando o disco foi lançado em 1993. A aquisição de Rafael Orsi na guitarra solo também é notável. Destaque belo bom gosto na timbragem, algo que “Rule Over The Message” merece por ser não só uma das melhores em “Hoctaedrom”, mas de toda a (vasta) discografia do Genocídio.

"A música que fala sobre o futuro", revela Murillo, para então anunciar “Heredity”. E olha, ela é meio avantgarde mesmo, inclusive se pensarmos a época em que foi escrita. De fato não consigo me lembrar de uma banda que compôs algo parecido no país naquele mesmo contexto. Eles podem discordar, mas sempre que a escuto lembro-me do Voivod fase “Killing Technology” (1987). “Numbness Sunshine” é outro dos destaques. Aquela pegada hardcore old school misturado a algo do Morbid Angel fase “Altars of Madness” é algo que parece sem sentido pondo em palavras (não é!), porém uma audição atenta poderia, quem sabe, confirmar meu devaneio. Comentários são bem-vindos. "Desconfio que esta nunca tocamos ao vivo...", entrega Murillo antes de iniciar “Lamurya”. Sorte a minha estar ali, porque esta sempre foi uma das que mais escutava quando comprei o LP, item que possuo até hoje. Linhas vocais mórbidas, perfeitamente combinadas a levadas de bateria obrigatórias à poga. Gosto dos solos de guitarra nela também, mesmo sendo tão curtos.

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“The Unknown Swindle”, uma pouco tocada ao longo das duas últimas décadas, conta com alguns dos melhores solos de guitarra de todo o disco, fácil uma das que mais funcionam ao vivo, o que nos levanta o porquê de ter sido deixada um pouco de lado por tantos anos. Eu suponho que deve ter sido por conta de sua estrutura a diferenciar das demais em “Hoctaedrom”, ligando-a até mais com o “Posthumous”, que viria três anos mais tarde marcando a estreia de Murillo Leite assumindo os vocais por conta da saída de Marcão cerca de dois anos antes. "Fizemos essa música com muita vontade. São 25 anos de muitas coisas conquistadas e outras não. Eu entrei após um bom tempo de Genocídio como um trio. Mas estamos aí até hoje", disse Leite antes de anunciar a canção que batiza o homenageado da noite. E que vontade eu diria, porque estávamos ali diante de uma das mais belas coisas forjadas sobre a alcunha do metal da morte. O que é aquela bateria, originalmente criada pelo Juma? Dificilmente veríamos algo assim em uma banda de fora.

“Conseguimos!”, bradou Murillo ao finalizar a primeira parte do set. Era a deixa para algo inédito, o que veio na forma da rifferama chamada “Passion and Pride”, do vindouro "In Love With Hatred" o qual deve ser lançado em breve. Eu já a conhecia um pouco devido aos “studio reports” divulgados pela banda na internet recentemente. Por ela é possível mensurar o nível do que está por vir. A banda então convida um velho amigo, Roger Lombardi (ex-Sunseth Midnight, atual Goatlove), para juntos mandarem uma versão feroz de “Settimia”, retirada de “The Clan” (2010), cujo vídeo você confere logo abaixo. A união dos vocais de Lombardi e Murillo funciona muito bem, confira. Outra bastante festejada, “The Sphere of Nahemah” foi dedicada ao já citado organizador do evento, Ricardo Batalha, por ser ela sua favorita em “Posthumous” conforme foi dito ali. “The Grave”, do indefectível EP que leva o nome da banda, lançado em 1988, fora tocada em sua nova versão presente na edição de aniversário de “Hoctaedrom”. Particularmente curto ambas, mas ainda fico com a dos anos oitenta pelo impacto que tive ao escutar pela primeira vez por volta de 90 ou 91. Encerrando um momento tão especial, nada melhor que um hino tanto quanto: “Countess Bathory”, do Venom, a qual ficou ainda mais brutal devido às participações de Renato e Guiller, do Desecrated Sphere e Nervochaos, respectivamente. Perdeu quem trocou estar ali pela final da tal Copa das Confederações, até porque o jogo estava sendo exibido – no mute, lógico – nas TVs espalhadas pelo Manifesto.

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Set-list Genocídio
Intro
Here Are The Masques
UpRoar
Rule Over The Message
Heredity
Numbness Sunshine
Lamurya
The Unknown Swindle
Hoctaedrom
Passion And Pride
Settimia (com Roger Lombardi)
The Sphere of Nahemah
The Grave
Countess Bathory

Line-up
Murillo Leite – Vocais/Guitarra
Wanderley Perna – Baixo
João Gobo – Bateria
Rafael Orsi – Guitarra

Sites relacionados:
http://www.genocidio.com.br
http://www.youtube.com/user/Genocidioofficial
http://www.facebook.com/pages/Genoc%C3%ADdio/137326492950242...

Outros sites relacionados:
http://www.manifestobar.com.br
http://www.brasilmusicpress.com/pesobrasil

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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