Em 23/06/2013 | Resenha - Cannibal Corpse (Carioca Club, São Paulo, 23/06/13)

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Resenha - Cannibal Corpse (Carioca Club, São Paulo, 23/06/13)


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Um ano e meio é tempo demais sem Cannibal Corpse por perto. E tenho dito. Quem discorda não sei, nem me interessa, mas para os que apreciam o quinteto magnânimo da Flórida, verdadeira instituição gore mundial, assistir a um show como o que presenciamos no último domingo vale cada segundo fora de casa. O número 20 mais uma vez prevaleceu, isto é, assim como naquele saudoso concerto de dezembro de 2011 neste mesmo Carioca Club, foram duas dezenas de singelos e moribundos ritos em pouco mais de 90 minutos, os quais mais pareceram 30. Sem exageros, se ainda não experimentou estar na companhia de Alex Webster (baixo), Paul Mazurkiewicz (bateria), George "Corpsegrinder" Fisher (vocais), Patrick “Pat” O'Brien (guitarra) e Rob Barrett (guitarra) indico que o faça com certa urgência, pois é das mais prazerosas. Desta feita ainda pudemos contar com a colaboração ilustre da fotógrafa Edi Fortini. Veja que beleza de cliques.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Texto: Durr Campos
Fotos: Edi Fortini

Fico a imaginar como montaria um set-list se eu tivesse uma banda com doze álbuns lançados, todos importantes e relevantes. Ainda mais quando a base de fãs é exigente, conhecedora das músicas, letras, conceitos e ainda por cima não abre mão de clássicos obrigatórios, cada qual com sua lista pessoal de favoritos. Olha aí mais uma razão para apreciar o CANNIBAL CORPSE. Os caras conseguiram não só abranger TODA a sua discografia, como balancearam o repertório de modo a colar algumas canções distintas e fazê-las parecerem uma só. O exemplo mais claro disso trouxe uma dobradinha inicial de fazer qualquer marmanjo se debater na pista: “A Skull Full of Maggots”, hino definitivo da estreia, “Eaten Back To Life” (1990) e “Staring Through the Eyes of the Dead”, do “The Bleeding” (1994). Perfeição na execução e no som da casa. Daí, como se não bastasse, ainda nos vomitaram mais duas essenciais com “Edible Autopsy”, também do debut, e “Addicted to Vaginal Skin”, presente no álbum “Tomb of the Mutilated” (1992). Antes, porém, George “Corpsegrinder” disse: "Esta próxima fala da coisa que mais amo no mundo. “Você usa, estripa, tira e joga fora quando não precisar mais...”. Um cavalheiro.

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Continuando a sessão “covardia”, tivemos outra de “The Bleeding”, “An Experiment in Homicide”, inclusive não tocada da última vez que vieram aqui, seguida de uma das que mais gosto do “Gallery of Suicide” (1998), a fenomenal “Sentenced to Burn”. Tocaram tão bem, que muitos provavelmente nem notaram um pequeno erro na letra logo no início. O segundo registro de estúdio, “Butchered at Birth” (1991), foi lembrado com a definitiva “Gutted”, uma das mais imundas dentre o rico estoque de insultos do Cannibal. Sente só: “(...) A tortura de uma pessoa, é o prazer de outra/ Má formação, um cérebro doente/ Morrendo insuspeitavelmente devagar, enquanto sua faca invade/ A criança grita de dor, ninguém ouve”. Espera, tem mais: “(...) A criança morta, só mais uma criança estripada/ Para satisfazer sua fome, tentações da carne/ Apetite voraz/ Matando para libertar almas puras para os céus”. Logicamente que uma letra assim em mãos desavisadas geraria uma dor de cabeça tremenda à banda, algo que já ocorreu, mas é bom frisar o teor de fantasia e humor negro característicos deles desde o início. Os apreciadores de splatter, como eu, comemoram.

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Mais uma pequena pausa para os agradecimentos, “Corpsegrinder” então pergunta: "Que música vocês querem que toquemos?” Após uma sucessão de berros desenfreados ele ri e brada: “Não entendi uma palavra nessa porra, então vou dar uma olhada aqui neste papel e se não se importam - acredito que não (risos) - vamos tocar 'Demented Aggression'”. Foi então que a primeira representante do mais recente, “Torture”, lançado ano passado, surgiu nos PAs do Carioca seguida de mais uma dele, “Scourge of Iron”. Duas belas escolhas de um disco já bastante cultuado. “Disfigured” veio na sequência. Esta é figurinha carimbada nos sets do Cannibal Corpse, o que acho justo, mas deixar de fora “Devoured By Vermin”, do mesmo álbum “Vile” (1996), o qual marcou a estreia de George, foi um balde de água fria. Olha aí como é complicada aquela tarefa da escolha do que será tocado, conforme coloquei mais acima. Enfim, quando “Evisceration Plague” teve início com aquelas linhas de guitarra tão deles eu até esqueci os meus resmungos. Se tivessem emendado com a “Carnivorous Swarm”, do mesmo disco, eu não iria reclamar ;)

Seguiram com “Dormant Bodies Bursting”, uma das mais velozes, tirada do “Gore Obsessed” (2012). Creio que o frenesi desta seja pelo fato de ter sido composta pelo batera Paul Mazurkiewicz, de todo modo eu adorei sua inclusão, pois nunca a escutei ao vivo. “Disposal of the Body” manteve a empolgação no mosh-pit, algo que durou quase todo o show. Observe algumas das fotos aqui e veja que bonito ficou! A única tocada de “The Wretched Spawn” (Nota do redator: Incrível que este álbum já vai completar uma década!), ou seja, “Decency Defied”, não é a minha favorita de lá, até porque este mérito eu dei à inacreditável “Frantic Disembowelment”, uma das coisas mais insanas já compostas desde o início dos tempos. Tá certo que reproduzir isso ao vivo deve ser, literalmente, de doer, mas como fã não poderia deixar de lamentar sua ausência. Bem, valeu pela forma como “Decency...” fora apresentada, até porque o George conectou com sua própria tatuagem no braço direito. Explico. A letra pertence ao ex-guitarrista Jack Owen, o qual à época do lançamento do disco disse ter-se baseado em um sonho de uma amiga que sonhara ter tido um pesadelo onde suas tatuagens eram arrancadas de sua pele enquanto estava viva. Nem quero imaginar...

"Estão se divertindo?”, pergunta “Corpsegrinder”, que continua: “Bem, esta próxima não fala exatamente sobre diversão, mas sobre um monte de gente morrendo...". Era a hora de “Dead Human Collection”, do ótimo “Bloodthirst” (1999). Daí veio outra dobradinha linda, tipo aquela lá no começo. Colar “I Cum Blood” (Nota do redator: "Esta é sobre ver sangue sair do nosso ‘amiguinho’”, em tradução livre do comentário feito pelo vocalista antes de anunciá-la.) e “Encased in Concrete” foi uma sacada de mestre. Os trabalhos no mosh-pit foram intensos naquele momento, acreditem. Nessa hora eu já sentia falta de algo do “Kill” (2006), sanada com “Make Them Suffer”. Em tempo, o que é aquele DVD bônus da versão limitada deste álbum? Só para refrescar a memória, o Cannibal filmou um show realizado na cidade francesa de Estrasburgo dois anos antes, em 2004, batizando o mesmo de “Hammer Smashed Laiterie”. A cidade em si é uma coisa linda, já na divisa com a Alemanha – daí seus moradores serem bilíngues. A presença da banda por ali deve ter sido como assistir a série “The Walking Dead” em uma versão europeia.

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Mas era hora de encerrar. E qual poderia fazer isso? Lógico que “Hammer Smashed Face”, sem dúvidas uma das que precisarão tocar por toda a eternidade. Sei que é clichê, mas tem como não se lembrar daquela hilária cena do filme Ace Ventura? Se é que alguém já não saiba, o ator Jim Carrey em pessoa escolheu o Cannibal Corpse para figurar na película lançada em 1994. Segundo uma entrevista antiga para a revista Rock Brigade, o baixista, fundador e simpatia em pessoa Alex Webster revelou que Jim levou seus CDs para que autografassem. Eu pagaria para vê-lo ouvindo-os em casa, na boa. Ah! Não poderia me esquecer de mencionar as palavras de George antes de tocar “Hammer...”, quando, emocionado, disse: “Esta tour e set-list são dedicados à memória de Jeff Hanneman” (Última nota do redator da vez: Guitarrista do Slayer, morto no dia 2 de maio deste ano.). A comoção foi geral, todos aplaudindo merecidamente a homenagem àquele que sempre será lembrado como um dos mais influentes artistas da música pesada mundial. Bem, seria a derradeira música, mas como de costume “Corpsegrinder” sempre brinca dizendo que "quando eu anuncio a última sempre minto", e tome “Stripped, Raped and Strangled”, daqueles exemplos de genialidade em estado puro. Um hit, eu diria. Terminada a chacina alguns dos membros da banda distribuíram simpatia pelo Carioca, a exemplo do próprio Webster. Pena eu ter saído antes de dar um abraço neste cara.

Line-up

Alex Webster – baixo
Paul Mazurkiewicz – bateria
George "Corpsegrinder" Fisher – vocais
Patrick O'Brien – guitarra
Rob Barrett - guitarra

Set-List

A Skull Full of Maggots
Staring Through the Eyes of the Dead
Edible Autopsy
Addicted to Vaginal Skin
An Experiment in Homicide
Sentenced to Burn
Gutted
Demented Aggression
Scourge of Iron
Disfigured
Evisceration Plague
Dormant Bodies Bursting
Disposal of the Body
Decency Defied
Dead Human Collection
I Cum Blood
Encased in Concrete
Make Them Suffer
Hammer Smashed Face
Stripped, Raped and Strangled

Sites Relacionados

http://www.cannibalcorpse.net/
http://www.myspace.com/cannibalcorpse
http://www.facebook.com/cannibalcorpse
twitter.com/corpseofficial

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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