Andre Matos: 20 anos de Angels Cry em São Paulo

Resenha - Andre Matos (Via Marquês, São Paulo, 11/05/2003)

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Por Durr Campos
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A derradeira vez que estive na Via Marquês foi há quase um ano e meio, mas à época não me lembrava de que o quesito segurança para adentrar ao local era tão acirrado. Felizmente a equipe de assessoria de imprensa do evento cuidou da situação de forma rápida e, não muito tempo após chegar, já estávamos circulando. A noite prometia, pois além das atrações de abertura KING OF BONES e MADGATOR, o momento traria ANDRE MATOS (ex-ANGRA, VIPER, SHAMAN, SYMPHONIA, AVANTASIA, etc.) tocando o clássico álbum de estreia do ANGRA, “Angel´s Cry”, de ponta a ponta, comemorando 20 anos desde o seu lançamento. A expectativa era grande dentre os fãs e imprensa, pude inclusive bater um papo com alguns profissionais e público ainda no lado de fora e todos eram (quase) unânimes em falar sobre o quão especial seria o set-list e performance dos músicos envolvidos, especialmente porque – provavelmente – a tal reunião com a formação original da supracitada banda a qual gravou originalmente o “Angels Cry” parece a cada dia mais e mais distante.

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Fotos: Diego Camara

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Confesso nunca ter ouvido a música do King of Bones, apesar de já ter ouvido bons comentários sobre ele nas redes sociais. Percebi de cara a presença de várias pessoas trajando a camiseta deles, algo que lembrava até um fã-clube. Daí foi só iniciarem o set para a turma ali na frente pirar e cantar TODAS as letras! Isso mesmo, o quarteto que, segundo palavras do vocalista Júlio Federici debutava nos palcos da capital paulista, chegou com a plateia nas mãos. O som é uma deliciosa mescla de hard rock e metal, alguns momentos lembrando Savatage, Gotthard, Queensryche e Bad Habit. Destaque ao ótimo guitarrista Rene Matela com sua pegada única e timbre de muito bom gosto. Tocaram canções de seu debut “We Are the Law”, o qual vem recebendo críticas bastante positivas. Pelo que pude observar ao vivo os elogios são merecidos. A faixa que dá nome ao disco, assim como a pesada “Broken Dreams” e a excelente “Hell´s Pub”, arrancaram aplausos e comprovaram a potência no gogó de Federici. Finalizaram com uma versão interessante de “Perry Mason”, do Ozzy Osbourne.

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Não muito tempo após e o Madgator já estava em cena cheio de energia e disposição, em especial o vocalista Andrés Recasens, dono de uma voz bastante diversificada. Confesso no início ter achado o som meio confuso e não entendi a proposta deles, cheguei a comentar a um amigo tratar-se de um Pantera desnorteado. Comentários sem sentido a parte, fui me envolvendo no set e percebi diversos elementos agradáveis ali, provavelmente pela adição do novo guitarrista Vandré Nascimento. Só depois fiquei sabendo que ali no palco havia membros do velho Alligator, banda bem bacana dos anos 90. A experiência dos músicos contou muito a favor, pois notei arranjos bem elaborados e soluções mega inteligentes em boa parte do repertório. Voltando ao Andrés, era visível sua alegria em estar ali, o cara corria de um lado ao outro do palco, conversava com a plateia, interagia com seus companheiros de banda e esbanjava vigor. Os agudos rasgados de sua voz tem algo do Rob Halford – em uma versão mais nervosa, digamos assim – e do Steve Grimmet (ex-Grim Reaper), mas também algo bem particular. Também fiquei sabendo no local que o disco deles fora gravado no Mr. Som Studios, daí provavelmente a presença do produtor Marcelo Pompeu (Korzus) observando atentamente a performance. Um ótimo representante do metal feito no Brasil, com absoluta certeza!

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As cortinas foram fechadas para os preparativos finais da noite, não tardando muito a uma introdução ecoar nos PA´s da Via Marquês. Um a um os integrantes tomaram sua posições, ligaram no volume máximo seus intrumentos e após a chegada do Andre Matos, mandaram sem dó “Liberty”, música que também abre seu mais recente trabalho solo, “Turn Of The Lights”, lançado ano passado pela Azul Music. A formação atual conta com o baterista Rodrigo Silveira, o baixista Bruno Ladislau, além dos veteranos André Hernandes e Hugo Mariutti nas guitarras. A duplas estava afiadíssima e não foram poucas as vezes que provaram o porquê do título de dois dos melhores instrumentistas de nosso país. “Rio”, uma das mais celebradas da carreira solo do Andre, não foi esquecida e bastou as primeiras notas para a casa cantar junto à banda, inclusive mais alto que ela. Se refrão é daqueles feitos sob medida para promover a interação com o público, tornando-a praticamente obrigatória nos sets apresentados em todas as turnês do grupo. Matos conversava e agradecia a todo o tempo seus fãs, esbanjando empolgação e simpatia. Apresentaram pela primeira vez ao vivo a faixa que batiza o novo disco, mas foi em “Fairy Tale”, única do Shaman apresentada, que pude ver a primeira de muitas vezes em que banda e audiência tornaram-se uma coisa só. A música já ficou meio batida por ter sido executada tantas vezes, incluindo sendo tema de novela das sete e tudo, mas ainda há algo especial nela. E quem se importa se uma canção é tocada à exaustão se a mesma possui ótimos predicados? O mesmo poderia dizer de “Lisbon”, canção que hoje é muito mais da carreira solo de Andre que do próprio Angra, responsável por tê-la registrado no excelente álbum “Fireworks”, derradeiro de estúdio com a presença da nossa ilustre estrela da noite.

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A primeira parte da apresentação se deu com outro hino, desta vez do Viper, primeira banda de Andre e bastante especial não só para eles, mas para seus seguidores e membros dela, todos presentes no local conforme registrou o próprio vocalista. “Living For the Night” é uma composição atemporal, digna e cheia de elementos únicos. O sentimento em ouvir esta canção na voz de Matos é o mesmo, por exemplo, ao ouvirmos “Child in Time” com Ian Gillan (Deep Purple), isto é, só funciona com ele! Bem, este último já não consegue mais segurar a onda na composição de sua banda, mas nosso baixinho segue no sentido oposto e manda muito bem ao relembrar seu passado nos anos 80, época em que nos deu os irretocáveis “Soldiers of Sunrise” e “Theatre of Fate”. A única ressalva ficou por conta de um solo de bateria massante e uma pausa no meio da canção para a apresentação da banda, que poderia ter sido mais rápida. Andre levou o tempo de pelo menos mais umas duas músicas na tarefa.

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A recompensa veio quando “Unfinished Allegro” iniciou. Quem estava sentado levantou-se, os dorminhocos acordaram, as meninas gritavam sem parar, os marmanjos – mais acanhados – também e quem ainda duvidava do que viria a seguir ficou de queixo caído com a matadora performance de “Carry On”, hit incontestável do Angra e uma das composições mais influentes da música pesada brasileira, quiçá mudial. Andre arrebentou nela como há tempos não ouvia, sem falar de sua banda que executou fielmente nota a nota. “Time” veio em seguida, mantendo o clima de nostalgia intacto. Esta canção é bastante especial, inclusive para este vos escreve. Talvez a minha favorita do “Angels Cry”, ela nos conecta à “To Live Again”, do “Theatre of Fate”, de uma forma única. Logicamente esta é uma observação pessoal, mas repare que ambas ocupam a mesma posição nos álbuns e possuem linhas vocais semelhantes do ponto de vista da dinâmica em que as letras são entoadas. Até a frase “(...) to live it again... (...)” aparece em “Time”. Enfim, fica a dica para em uma outra oportunidade comentarmos a respeito.

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Naturalmente a seguinte foi “Angels Cry”, a música. A formação pós-Matos sempre a tocou, mas sem o mesmo brilho. Ouvi-la com as vozes de Andre fica bem melhor, apesar dele não segurar algumas notas. Certamente os fãs nem se importaram e o ajudaram bravamente. “Stand Away” me causava expectativa, pois nunca a ouvi ao vivo, felizmente cumpriu seu papel. Linda composição do Rafael Bittecourt, uma de suas melhores inclusive. Lembro-me de à época do lançamento do debut do Angra de tê-la escutado repetidamente, era algo totalmente novo em termos de metal melódico e nem sei se havia esta vertente declarada naqueles dias. “Never Understand” mostrou a proposta do Angra desde o início em mesclar música clássica, metal e elementos da cultura brasileira. Gostei dela na primeira ouvida e ainda continuo me empolgando mesmo após 20 anos de seu lançamento. Até pensei que “Wuthering Heights”, cover de Kate Bush, fosse deixada de fora, mas ali estava ela. De longe a mais fraca apresentada, não pela qualidade da composição, mas pela atuação de Andre e dos guitarristas. Sua voz falhou bastante e os intrumentos embolaram, deixando uma canção tão doce áspera demais para ser levada a sério.

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Passada a decepção, “Streets of Tomorrow” nos devolveu a banda que vinha arrebentando tudo minutos antes. Não sei o que houve, mas tudo voltou a soar bem, incluindo as guitarras. Da última vez que vi o Angra tocá-la não me agradou, mas a banda solo de Andre fez bonito. Não havia um ser ali sem cantar, posso afirmar. O mesmo ocorreu em “Evil Warning”, outro highlight não só do álbum, mas do show em si. Que música! Cantada em uníssono, podemos dizer que nesta os músicos estavam “com sangue nos olhos”, tamanha ira e pegada. Eu que já começava a bocejar pela avançar da hora acordei em um piscar de olhos! O encerramento deu-se com a belíssima “Lasting Child”. A primeira parte possui linha vocal e chama-se “Parting Words”, um primor em arranjos e é a cara de Matos, assim como o segundo ato, Renaissance. Digamos que trata-se da “Moonlight” de “Angels Cry”, encerrando lindamente um disco tão importante para nós brasileiros.

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Comemorar 20 anos de “Angels Cry” na cidade natal da banda que o compôs é algo único. Talvez a reunião da formação original não ocorra ou mesmo a versão da homenagem ao álbum a ser feita pelo Angra fique mais apagada sem a presença de seu cantor, não podemos afirmar nada ainda. O que é possível supor, ignorando a identidade de quem irá cantar, é que o Angra tem sim o direito de também fazer uma turnê comemorativa ao disco, seja com ou sem Andre. Alguém pensa diferente? Vamos comentar aí abaixo. Parabéns, “Angels Cry”!

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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