Agony: o Thrash Metal revive sua glória no Ceará

Resenha - Agony (Brom's Beach Club, Fortaleza, 28/04/2013)

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Por Leonardo M. Brauna
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Foi uma tarde que desaguou na noite ao som de muito thrash/speed metal. O concerto estava marcado para as 15:00h (horário tradicional para aberturas de eventos underground em Fortaleza) e naquele momento já existia uma quantidade enorme de headbangers concentrados do lado de fora da ‘Brom’s Beach Club’.

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Os primeiros indícios de chuva começavam a aparecer, o tempo nublado olhando de cima parecia querer ameaçar a festa, como a casa era descoberta na dimensão da pista, isso poderia representar problema para alguns, só que a primeira banda a se apresentar nesse festival que reuniu as conterrâneas BLASFEMADOR, DARKSIDE e a visitante ENFORCER (SUE) não ligava para a “rispidez” das nuvens negras. AGONY sobe ao palco com MARCUS VINÍCIUS-guitarrista (ex-GS TRUDS), EDI FIGUEIREDO-guitarrista (LOVEDRIVE), MILSON FEITOSA-baixista (BLACK MASS), RÔMULO SHAW (WARBIFF) e o irreverente JERÔNIMO PIRES-vocalista (BLACK MASS).

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A banda é antiga na cena cearense, mas passou por um longo hiato sem se apresentar ao vivo mesmo depois da gravação da sua demo mais recente, “Thrashers United” de 2011. “Convidados” a fazer ‘open act’ nesse dia, os rapazes não pouparam esforços e mostraram aos novos e antigos fãs que agonia mesmo só existe nos agudos infernais de JERÔNIMO e que a banda está hoje tão ativa quanto em 1996 (seu começo).
A primeira canção executada foi “Wasted Time” que consta na nova demo. O tempo não parecia ajudar mesmo, mas se tratando de AGONY no palco podia chover canivetes, os mais empolgados não estavam ligando para os poucos pingos que caiam e bastaram apenas alguns minutos até o clima resolver abrir para a felicidade de todos. A pista agora tomada pelos thrashbangers não perdia mais nenhum segundo da vibração poderosa dos riffs matadores.

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O vocalista não é só um músico de talento inigualável, ele também sabe conduzir uma festa como um verdadeiro anfitrião, um homem de frente como muitos mainstreams não conseguem ser. Hora sarcástico, hora agressivo, J. PIRES ia quebrando o tédio música após música. A segunda pedrada foi nada menos que “Chemical Warfare” de seu segundo trabalho de estúdio, "A Second Sign” (2000). Essa já pode ser considerada como o primeiro clássico da banda, e pela desenvoltura dos fundadores EDI e VINICIUS pode ser que haja uma satisfação extra nesses dois parceiros em tocá-la ao vivo.

“Dead Man In A Dead World”, outra do novo trabalho, também funcionou com suas rajadas de guitarra aquecendo ainda mais o público fiel. O show da AGONY parece ter saído de um túnel do tempo, pois o grupo além de possuir uma musicalidade muito bem calcada nos anos oitenta, consegue juntar aquele povo característico calçados em botas brancas cano-logo, calças jeans apertadas e jaquetas tomadas por patches. O thrash metal revive a sua glória!

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Um evento assim não poderia deixar faltar homenagens a grandes nomes. Como os caras assumidamente são apaixonados pelo som vindo de San Francisco-EUA (Bay Area), o primeiro tributo veio logicamente, para o METALLICA na execução de “For Whom the Bell Tolls”. A galera que já estava ensandecida com a volta dos veteranos fez “riscar fogo” na pista com esse cover. Destaque para MILSON que mostrou menos careta no solo do baixo que ROBERT TRUJILLO costuma fazer.

Enquanto JERÔNIMO improvisava para o público até encontrar a sequência de seu set list, os bangers esperavam por mais uma aula de riffs que veio no nome de “Thrashers United”, a faixa título de sua demo atual. Com isso a única faixa desse CD que ficou de fora da apresentação foi “Blazing Fury” que poderia ter merecido um destaque na relação, mas isso não ofuscou a “luz de Fênix” que se ergueu das cinzas.

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Para o momento final, a banda satisfaz mais uma vez a sede dos trashers com outro hino do metal. Extraído da obra “Bonded By Blood” (EXODUS), começam a tocar “Metal Command” com um toque de fúria do baterista (multibandas) RÔMULO causando torcicolo nos presentes. O recomeço desses cinco profissionais do underground é prova de que o sangue ainda flui nas veias transportando muito metal pesado. Infelizmente a AGONY tinha que deixar o palco, mas esse pequeno “drops” já deu para conseguir boa parte da aprovação do festival que teve continuidade com mais donos da casa e seus visitantes europeus. O Ceará está de portas abertas e nunca uma cena nordestina esteve tão forte e presente como a de hoje. Mais surpresas vão surgir e todo o calor humano de Fortaleza estará à disposição para quem quiser valorizar e se unir a conquista underground!

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FOTOS: Gandhi Guimarães, Carla Silvino, Felipe Aasgard Magni.

Set list:

Wasted Time;
Chemical Warfare;
Dead Man In A Dead World;
For Whom The Bell Tolls (Metallica);
Thashers United;
Metal Command (Exodus).

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde 1989 vive à cultura e ideologia do Metal Pesado sendo fã ardoroso do Classic Rock ao Death Metal. A sua dedicação se define na constante busca por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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