Darkside: um ataque letal em Fortaleza

Resenha - Darkside (Brom's Beach Club, Fortaleza, 28/04/2013)

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Por Leonardo M. Brauna
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Praia de Iracema, um dos mais belos cartões postais do Brasil. Metro quadrado da tradição boêmia de Fortaleza (CE) esbanja a beleza de seu mar e arranca a admiração de quem a visita. Seu nome reverencia a índia Iracema, amor do capitão Martim Soares Moreno, protagonistas de um dos mais célebres romances brasileiros escrito por José de Alencar publicado em 1865. Foi lá o palco escolhido para a apresentação da nova fase da banda DARKSIDE que trouxe pela primeira vez a ascensão do seu novo vocalista MARCELO FALCÃO e a formação do grupo como quarteto, já que seu ex-guitarrista HELDER JACKSON saiu para se dedicar a projetos pessoais.

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A última vez em que escrevi sobre um “ataque letal” da DARKSIDE foi exatamente ao show de despedida do seu antigo vocalista ALEX EYRAS realizado no dia 10 de janeiro, na ocasião do histórico festival ‘Rock Cordel 2013’ em Fortaleza. De volta a mesma tarefa, agora descrevendo a estréia do novo ‘frontman’ a emoção não poderia deixar de ser homônima. Logo na chegada do local, um pouco antes da abertura da casa, pude bater um papo com o baterista RICHARDSON CHAVES e o baixista RENATO FILTRO acompanhados de suas namoradas, não demorou muito até a chegada dos outros dois, MARCELO FALCÃO (também com sua parceira) e o “Don Corleone” TALES GROO (guitarrista). Enquanto a produção preparava o serviço técnico para o começo da festa (que já estava atrasada há pelo menos uma hora) os pacientes ‘Headbangers’ fora do recinto aproveitavam aquele tempo para pôr em dia os mais diversos temas dentro de cada roda aglomerada. Amigos da imprensa especializada também estavam presentes como Daniel Tavares (Whiplash.Net, Roadie Crew), Leonardo Bezerra (Rock Nordeste/Diário do Nordeste), Fernando Pessoa (Ceará Cultural Rock, Cena Rock) e Gandhi Guimarães (Arquivo Underground). Isso tudo porque a festa era um grande festival que além dos contemplados dessa matéria também contou com a volta de AGONY aos palcos, BLASFEMADOR e os ‘readliners’ do ENFORCER (SUE).

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Após o ‘open act’ de AGONY a expectativa dos fãs era nítida em cada olhar, afinal DARKSIDE estava para subir no palco com um guitarrista a menos e um sangue novo. No meio de uma chamada “atropelada” do locutor do evento, TALES já soltava a sua fúria invocando a banda para a primeira martelada, “Sacrificed Parasites” presente no álbum “Prayers in Doomsday” que já roda no mundo todo eletrizando as almas de quem o ouve. O palco nunca foi um desafio para a banda, e se tratando de um evento em casa, os anfitriões puderam se sentir mais à vontade que em qualquer outra parte do mundo. MARCELO também soube aproveitar o seu grande momento, pois carisma, respeito e muita atenção para com o público deram a esse artista a aprovação imediata dos fãs. E assim a noite ia caindo rendida pela riferama destruidora desses “oradores do juízo final”.

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“Bubonic” que já é clássico da banda e canção obrigatória no ‘set list’ trouxe a participação de VINNY FIST, que fez ‘jam’ com os músicos durante a seletiva para vocalista. Sua voz e postura selvagem que lembram bem as características oitentistas muito se encaixam com a proposta sonora da banda, e com certeza esse será mais um talento da viva cena ‘underground’ nordestina. Parabéns a esse grande homem!

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Depois de algumas palavras de agradecimento do vocalista MARCELO pela força e apoio que ele juntamente com a banda vêm recebendo, era chegada a hora da execução de mais um clássico, “Born for War” que levou muita gente ao êxtase com seu refrão grito de guerra proferido quase que unanimemente pelos presentes. O ‘riff’ galopante que acompanha esse mesmo refrão servia de condução na empolgação do líder TALES que ia de um canto a outro do palco ao melhor estilo SCOTT IAN (ANTHRAX) soltando notas esmagadoras para o deleite dos ‘thrashbangers’.

O presente da festa foi aberto quando anunciada uma canção inédita, e esta deverá estar no sucessor de “Prayers in Doomsday”. A música chamada “Megashits on Microminds” traz toda a energia que encontramos em temas como “Bubonic” e foi muito bem recebida pelos fãs, tendo em vista que as ‘pit circles’ não paravam. Devo confessar que essa nova música trouxe não apenas a mim, como também ao jornalista Daniel Tavares (chegamos à mesma conclusão), um sentimento breve de nostalgia pela falta de uma segunda guitarra. Porém o desempenho de RENATO nas suas cinco cordas também fazia-nos lembrar do seu incrível rendimento. De instrumento em punho e suor correndo em sua face ficava nítida a saga de um guerreiro!

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Pela primeira vez em dez anos a DARKSIDE toca a faixa título de sua demo de 1993, “Gates to Madness” e isso é um fator muito interessante do quarteto, pois prova que os valores de antigamente continuam vivos, pulsantes no sangue e sem falar que os novos fãs agradecem pela audição de registros históricos do metal cearense executados por seus originais. O ‘set list’ contou também com pedradas do álbum “Eclipsed Soul” de 2004. Não poderiam deixar faltar os clássicos do disco que os lançara para o público nacional. E para o talentoso vocalista desafios já não existiam mais, pois as faixas desse ‘debut’ que possui uma fórmula mais puxada para o metal tradicional e ‘power metal’ caiu como luva na voz desse “garoto” que ainda canta numa banda cover de BLIND GUARDIAN (MAJESTY). “Shades Of Decay” então foi executada, mas com uma pegada bem mais ‘speed’ se encaixando melhor à nova sonoridade da banda.

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Durante a apresentação vi que mais um personagem importante da história da DARKSIDE se fazia presente na casa, AURÉLIO FONTELES (SLEEPING AWAKE), vocalista da primeira formação que prestigiava o evento com seu filho, o pequeno Aurélio de apenas seis anos. Não deu outra, o gigante “Hulk” como foi chamado por TALES, foi convocado a assumir o microfone para participar na canção “Fragmemts of Time”. Em seu habitat natural que é o palco, AURÉLIO mostrava ao público uma empolgação contagiante que animava a festa. De punho cerrado segurando a sua ‘long neck’, o homem soltava a sua voz como se chamasse a todos para uma batalha.

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Algo que não se pode deixar de notar foi relação primorosa entre RICHARDSON CHAVES e seu kit de bateria. A força motriz originada daquela parte da cozinha certamente deixou muita gente com a cervical inflamada de tanto bater cabeça (lê-se muita dor na nuca). O rapaz de baixa estatura quando assume o seu “trono” lá atrás, passa por uma transformação de Golias e tem sido assim em todas as suas apresentações. Um profissional que mede talento e qualidade no mesmo pacote.

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O momento final do show se aproximava, mas ainda havia tempo para uma última surpresa. “Belial” que é uma música da antiga banda PROCRIATION da qual TALES já tocou em 1988, foi executada por seu vocalista original RICARDO CHUMBICA. A mesma canção hoje faz parte do CD “Eclipsed Soul” como bônus e é cantada por Dudu Magnani. Aliás, a faixa título desse ‘play’ bem que poderia ter sido incluída no ‘set list’.

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Dever de casa cumprido, a DARKSIDE se despede e deixa mais um registro para ficar na história. Vale lembrar que durante o tempo oferecido à banda, palavras de agradecimento foram dirigidas aos organizadores (Underground Produções), ao público que enfervecidamente vivenciou esse grande momento e aos seus convidados. Uma troca de gerações constante é o que mais se observou graças a essa simplicidade que se tornou fantástica. A reciprocidade e a cumplicidade de cada ‘headbanger’ também foi um espetáculo que seguiu com as bandas BLASFEMADOR até a entrada dos visitantes, ENFORCER. É o Ceará mostrando para o Brasil que entretenimento não é apenas comédia!

Fotos: Gandhi Guimarâes (Arquivo Underground);
Felipe “Aasgard” Magni.

Set List:
“Sacrificed Parasites”;
“Bubonic” (participação de Vinny Fist);
“Born for War”;
“Megashits on Microminds”;
“Gates to Madness”;
“Shades of Decay”;
“Fragments of Time” (participação de Aurélio Fonteles);
“Belial” (cover, participação de Ricardo Chumbica).

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde 1989 vive à cultura e ideologia do Metal Pesado sendo fã ardoroso do Classic Rock ao Death Metal. A sua dedicação se define na constante busca por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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