Em 18/04/2013 | Resenha - Green Day (Los Angeles Sports Arena, Los Angeles, 18/04/13)

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Resenha - Green Day (Los Angeles Sports Arena, Los Angeles, 18/04/13)


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Confesso que não acompanhei a carreira do Green Day nos últimos tempos, talvez por falta de interesse, talvez por falta de hits realmente bons como nos anos 90, mas resolvi ir ao show aqui em Los Angeles para aproveitar a oportunidade e conferir uma das bandas mais promissoras (quando surgiu) do novo punk rock. Um show de uma banda com veia hard core, punk rock (ou seja lá o que for, não sou bom de rótulos de estilos) deve ser legal pra pular e cantar algumas musicas, já que não conheço as mais novas.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Chegando lá, percebi um público um pouco diferente do que eu esperava. Ao redor do ginásio, a maioria era de adolescentes e alguns realmente pirralhos, acompanhados de alguém mais velho, provavelmente mamães e papais. Bom, que o Green Day entrou numas viagens de partir para o estilo Emo de letras e visual é publico e notório, mas que o público estava tão abaixo da maioridade eu não sabia.

A banda de abertura foi uma desgraça. Um pop meloso com uma menina nos vocais, tocando violão (bem manjado), o som uma mistura de Hanna Montana com Jonas Brothers digna de embrulhar o estomago de quem foi com fome de ver um show de hard core cheio de energia. Nem vou comentar mais porque a banda era horrível, um claro produto de mídia que espero que não vire o próximo sucesso Pop americano. Oremos!

O show começa com a música ‘Blietzkrieg Bop’ do Ramones no PA e um cara vestido de coelho embriagado com uma garrafa na mão entra no palco para “animar” a galera na música. (???)

Começa o show, as primeiras músicas não animam nem os fãs na pista colados no palco. Todas da fase digamos “recente” da banda, ou seja, da fase lápis de olho e músicas para adolescentes rebeldes sem causa.

“Welcome to Paradise” finalmente anima o publico, a galera pula e apenas uma pequena roda se abre na pista. Muito pouco para um show de uma banda de hard core punk rock sei lá o que mais.

Mas as músicas novas não tem o mesmo efeito. A seguinte volta o show ao estado ‘morgado’ , parecia que “Welcome to Paradise” era um cover de uma banda famosa tocada em um show de uma banda anônima, o publico novamente esfriou.

Um parênteses: O Green Day era um power trio, entidade sagrada do rock n roll, como os três mosqueteiros, os três companheiros, os três patetas, como foi o Nirvana, o ZZTop, Cream, Rush, The Police, Krisium, etc... A formação Power Trio é uma tríade sagrada para o rock n roll e não deve ser violada. Pois o Green Day quebrou esse encanto e não é mais digno do título ‘power trio’, principalmente ao vivo. Um guitarrista (base?) já toca ao vivo com a banda desde 1999, um tecladista que toca atrás das caixas no palco e mais um backing vocal (de apoio??) ao lado do tecladista formam a banda no palco, ou seja, são 6 pessoas no palco do show do Green Day. Seis pessoas pra tocar punk rock? A guitarra extra não é para as bases dos solos (que solos mesmo??) e sim porque Billie Joe parece estar mais preocupado em ficar brincando com a galera do que realmente tocar.

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Vários cansativos e demorados “ie ie ie ioooos” e mãozinhas pro alto e pra lá e pra cá, que mais parecia uma micareta de axé, tornavam o show ainda mais monótono, sem dinâmica, e sem energia.

Pra não dizer que eu estou de implicância, imagine a situação: “É possível uma banda de punk rock fazer um show digno com 2 horas e meia de duração”? só se tocar umas 170 músicas. O Ramones fazia shows de 50 minutos com umas 40 músicas sem tirar de dentro, e apenas o clássico (1,2,3,4) separavam uma música da outra, e que você saía satisfeito e feliz. Já diz o sábio ditado “Quantidade não é qualidade” e foi exatamente isso. Muitas músicas ficavam naquele embromation de viagem instrumental, pedia pro povo cantar, iê iô pra lá e íê iô pra cá.. Muito chato.

Pontos positivos: Ginásio lotado, aproximadamente sei lá, 10 ou 15 mil pessoas. O fato que o Green Day ainda tem cartucho pra lotar um ginásio em LA não se pode negar, mas aonde eles carregam esses cartuchos que é a questão.

Bille Joe e sua máquina de lançar papel higiênico. (Nossa! Que legal hein! ¬¬ )

Chegando ao final do show, começam a aparecer as clássicas: She, Basket Case, Brain Stew animam mesmo o público, como ainda não tinham agitado até então na noite, a essa altura até eu, sedento por uma música boa pra animar as veias rockers, me animei e até cantei. O bis vem com “American Idiot”, música muito boa por sinal, letra e música, foi muito cantada (mas certa parte da música, naquela enrolação do meio da música, Billie Joe pede pra galera gritar, com toda raiva que tiverem, por pra fora toda a frustração... mas qual seria mesmo a revolta da galerinha adoles classe média presente? De ainda não terem ganhado seu Iphone 5 plus?) Não sei.. mas a galera gritou bastante, pra fechar, ”Minority” do Warning foi a última música realmente relevante ... mas.. não acabou? A banda volta pra tocar mais 3 músicas estilo sentimentais tipo “ninguém me entende e o mundo é uma merda” que pelamordedeus, podiam ter encerrado na “Minority”, que eu juro que ia elogiar, mas tocaram mais 3 músicas chatas e cheias em ‘Embromations’ que devem ter demorado uns 20 minutos pra tocar as 3 músicas.

Podiam ter trocado essas 3 últimas pelas ótimas “When I come around “, “Walking contradiction” do (Insominiac), ou “Nice guys finish last” e “Redundant” do Nimrod, mas não!, preferiram encerrar com um clima extremamente chato e morgado ao invés de encerrar o show com energia em uma sequencia de umas 8 super músicas com a galera louca pulando e cantando.

A banda que no início da carreira foi chamada de o novo punk rock, que trazia o verdadeiro punk dos anos 70 de novo para as rádios, gravou grandes álbuns, o Dookie, que é uma obra prima do punk, outros como Nimrod e American Idiot com grande vendagem, hoje em dia parece que perdeu o fôlego, se perdeu em algum lugar no caminho e hoje, o “punk rock” que fazem parece só satisfazer apenas a adolescentes rebeldes sem causa que pagam 60 dólares para um ingresso de pista (um dos mais baratos), destoando totalmente do que um dia foi um verdadeiro público de um show de punk rock. Quer o retrato do show? Ao meu lado um casal com a filha de uns 10 anos, que ao final do show dormia profundamente encostada no ombro da mãe.

Parece que infelizmente, na minha opinião, o Green Day hoje parece uma banda sem graça, cover de si mesmo.
Abraços a todos.

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Sobre Cesar Matuza

Engenheiro, baterista da Veludo Branco e da banda Ditambah, colunista do Blog Roraima Rock´n Roll, produtor.

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