Resenha - Anthrax (House of Blues, Anahein, CA, 22/03/13)

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Resenha - Anthrax (House of Blues, Anahein, CA, 22/03/13)


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22 de março de 2013. Simplesmente era a primeira data da turnê americana Metal Aliance Tour 2013, liderada pelo Anthrax, juntamente com o Exodus, Municipal Waste e High on Fire e Holy Grail. Com essa escalação dá pra ter idéia do que serão as noites da Metal Aliance 2013?. A casa escolhida para a primeira noite é a House of Blues, casa de eventos dentro do complexo da Disneyland da California, na cidade de Anahein. É isso mesmo, o show do Anthrax, abertura da tour Metal Aliance 2013, seria na Disneylandia da California. Melhor lugar que esse? Impossível. Eu estava lá e vou contar essa história pra vocês.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
É de impressionar o tamanho da área do complexo, só pra chegar até o estacionamento é um longo caminho (de carro – à pé impossível) dentro da Disney, e eu me preocupava, pois ainda não via sinal dos bangers do Tio Sam (será que estou no lugar certo?). Em contra partida, muita gente, famílias, crianças, turistas orientais com as tradicionais orelhinhas do Mickey, mas cadê os “camisa preta”? Era cedo, 6.15PM, o show estava marcado pra começar as 7h da noite, e por isso o movimento de saída do parque era grande, já estava quase escurecendo, a noite caindo e o frio chegando.

Anthrax e Exodus? Se fosse nas Terras Brasílis veríamos de longe o pessoal caminhando pra chegar ao show. É, mas aqui my friends, quase ninguém anda de busão ou a pé. Carro novo é barato, carro velho quase de graça, portanto, só vi movimento de bangers na entrada de estacionamento. Perguntei logo a um cara com a camiseta do Anthrax aonde era o show, pois eu nunca tinha ido naquele modafocker imenso local, e a irmandade do metal logo fez questão de ajudar e logo explicaram o caminho, seguimos os camaradas.

Mas quanto mais adentrava ao parque temático, mais eu via o contraste das famílias americanas em plena semana do Spring-break (uma espécie de semana de feriado pras escolas e universidades) curtindo as férias na Disney com as crianças e em meio a eles, às vezes um gordo de barba, camisa preta e cabelo grande quebrava a monotonia da paisagem.

Já em frente ao local, me deparei com a fila e a aglomeração (pacífica e educada) dos american bangers. E quer saber? É exatamente a mesma tribo seja onde for, diferenciado pelo tipo físico, mas as camisetas, tattoos, cabelos e barbas, são todos parte da cultura global metal, maior exemplo de globalização, acho que não existe.

Entrei no House of Blues, fantástico! A decoração como um saloon dos antigos tempos do Mississippi, dois andares, e me surpreendi com o tamanho da casa. Pelo pensamento tupiniquim, achei que seria um quase ginásio para tal evento, mas aqui é diferente, o local era “pequeno”, aconchegante, bonito e perfeito para a ocasião.

Fui na banquinha do Anthrax comprar minha camiseta oficial da tour, lógico, e quando saí de lá caiu a ficha... “cacete, como é? Eu acabei de comprar uma camiseta na banquinha do ANTHRAX?!?!?!”.. kkkk. surreal (risos).. as vezes a ficha demora cair. O passo seguinte, procurar uma cerveja. Fui até um dos bares do local, uma atendente educada, bonita, típica loira americana, cheia de tattoos, e bem vestida no estilo (incrível né?) também faz parte da temática do local. Pedi: (-A big Budweiser please..!) pedi logo o latão de Bud que deve ter meio litro, (eleven dólar sr!) ela disse, (-UAATTTEEEE???) pensei eu internamente (R$22 uma mothafocker breja??) puta merda, é a primeira e a ultima, sinto muito.. aqui também é assim, dentro do evento é mais caro, dentro da Disney então, a facada é no pescoço.. Apreciei e aproveitei cada gota da cerveja mais cara que bebi na minha vida. Mas era noite de ver Anthrax, vale a pena!.

19:30h, a primeira banda entra no palco, começava a noite de metal na California. Yeah!!

Holy Grail era a banda que abria a noite, mas acho que a banda deveria ter se preocupado mais em levar um bom técnico de som para o evento (sem dúvida o mais importante dessa banda) e menos em ir ao cabeleireiro antes do show. Não ouvir o bumbo duplo de uma banda de Metal mata metade do som logo de cara, o vocal discípulo do Detonator, e um guitarrista que forçadamente sempre solava na beira da galera se achando o Malmsteen, e uma manjada batida de cabeça sincronizada dos cabelos lisos cuidadosamente escovados, não foi suficiente para me convencer não, masssss.. a galera até vibrou, mas fraquinha demais. Sei de umas 4 ou 5 bandas de Manaus que comeriam essa Holy Grail com tucumã no café da manhã.

A próxima era a Municipal Waste, da qual já vi várias pessoas com a camiseta na fila da entrada. A banda toma o palco e logo já deram as cartas. Agora sim, nada de cabelinho escovado nem pose de rockstar, os gordinhos, feios, cabeludos, barbados mostraram na primeira música o que é Metal. Rápido, rasgado e preciso, com um som bem equalizado.

Nada de pose, só som na veia. O performático vocalista dominava a galera, o guitarrista canhoto segurava o ronco da guitarra sozinho, sem deixar brechas nas músicas, botaram o local abaixo. Isso sim é Metal de verdade, ufa, agora sim o palco era dos Bangers de verdade. Mas atenção, não basta ser cabeludo, gordinho, ou feio, tem que tocar bem (fica a dica).

Conhece Municipal Waste? Saca só:

21:00h - Terceira banda vai pro palco, High on Fire, nunca ouvi falar, mas pra estar nessa tour só pode ser boa. Que bom que não me enganei, power trio de Metal, um vocalista mal encarado, buchudo, mais um gordinho na batera, com um cabelo tufado (típico gordinho que deve ter sofrido bullying na high school, ficou revoltado e foi tocar metal – aposto) e um baixista hiperativo. Puta banda boa da porra. O vocal lembra Kreator, e o som muito pesado, com muita ênfase no instrumental, mas nada daquela chatice de Prog, instrumental pesado, pra banguear.

Uma coisa me chamou a atenção, reparei no tamanho da mão do braço da guitarra do vocal mal encarado. Cara, peraí, tá muito grande, tem tarracha demais ali. Não deu pra contar, mas parecia que eram umas 8 cordas. Fui conferir no vídeo, saca só, eu contei 9 cordas. Vê aí se eu estou louco ou o cara inventou uma nova maneira de tocar? Pelo menos eu nunca tinha visto. Uma banda desconhecida no Brasil que eu recomendo:

High On Fire

Em um dos intervalos, Frank Bello manda o recado antes do show dos backstages.. o vídeo vai aos telões antes do show, a galera fica louca.

A próxima banda seria o Exodus, mas eles não tocaram, não sei porque, não sei o motivo, mas fuck off, não fui lá ver eles, fui pra ver o Anthrax, banda que faz parte da minha discografia desde a adolescência, completando agora 30 anos de carreira.

Como em todo lugar do mundo, a galera começa a lotar o front do palco, começa a descer gente demais. (“-Aonde vai abrir o Pit nessa aglomeração?” – Pensei) 40 minutos de preparação, passagem de som rápida, e pronto. O palco apaga, a cortina começa a abrir (eu mencionei que tinha a cortina no palco? que fechava a cada banda para troca do set? não né? A casa tem lastro mesmo).

A introdução já deixa a galera louca e eles entram no palco. Joey Belladonna, com seu meio microfone, manda o salve “How are you out there Anahein? Are you ready??” gritos ensandecidos tomam o ambiente... e eles já manda a primeira faixa do “Among The Living” de 1987. Melhor impossível, já começaram com o que prometeram, Among the living na íntegra.

A plenos pulmões foi cantada e o Mosh Pit em fúria deu as boas vindas a uma das bandas de thrash metal mais cultuadas de todos os tempos. Já emendam a super clássica “Caught in a Mosh” (segunda faixa do Among the Living). Se a primeira música foi um caos, nessa o caos foi maior ainda, arrepiava cada vez que cantava o refrão “Caught in a mosh..”. Sem perder o pique a terceira emendada foi “I´m the Law”, terceira faixa do Among The Living? (“PQP, vai ser assim na lata o Among the Living direto logo de cara?”- Pensei). Belladonna cantando em plena forma, mais potente, experiente, o tempo não passou pra ele, aos 50tinhas. Só depois dessa sequencia que a banda deixa tempo pra galera respirar. É muito bom ver Joey Belladonna ao vivo de volta ao Anthrax original, que junto com Scott Ian, dominam totalmente a galera. Com certeza é uma das maiores bandas de Metal da história e mantém há 30 anos uma carreira inabalável. Têm muita moral com os bangers. Alguém já ouviu alguém dizer? “não gosto do Anthrax, é muito ruim!” Eu nunca.

Belladona e Scott Ian interagem com a galera (Scott Ian - Obrigado por lotarem nossa casa na primeira noite da Tour 2013 do Anthrax meus irmãos).

Mais algumas músicas e o palco se apaga, surgem duas bandeiras sobre os amplificadores, uma de cada lado do palco, uma tinha a imagem de Dimebag Darrel, na outra, do Deus que o nome já previa sua importância para o mundo, Dio.

Em homenagem aos dois, o Anthrax manda a música do mais recente álbum gravado em 2011 no retorno de Belladonna a banda. “In the end”, uma das músicas mais bonitas e pesadas que já ouvi nos últimos tempos, composta em homenagem a Ronnie James Dio, do qual Scott Ian era amigo pessoal e a Dimebag, que era amigo da banda (Ele era como um irmão para nós – Frank Belo). Isso sim é uma homenagem digna e à altura do que foram esses dois para a história do Metal.

Trecho da música:

A estrela solitária estava escura essa noite
Nosso diamante brilhou tão forte
Eu o vi ir embora
Pra mais longe do que ele jamais sonhou
Não aguentarei isso
Não importa o quanto eu tente
Não posso parar de perguntar o por que
Pois alguma coisa está quebrada,
Cicatrizada, parte o meu coração

Ouça a música.

Todos no local se emocionaram muito, e as palmas e os gritos de “Dio... Dio...” duraram quase um minuto após o termino da música, foi inesquecível. O amor e a dedicação que todos bangers tem a Dio e a Dimebag é de impressionar, ainda mais pela forma que eles partiram desse mundo, serão lendas da música, eternamente. Nó na garganta, palmas e olhos lacrimejando... um baixinho em minha frente com as mãos pro alto grita alucinadamente (Rest in Peace Man, Rest in peace.. – Descanse em paz). Já podia encerrar o show que eu já estaria contente e satisfeito com tudo que eu vi... mas... ainda tinha mais..

O novo disco lançado esse ano, chama-se “Anthens”, ou Hinos. Esse álbum é só de covers das bandas que os caras são fãs, entre as músicas tem Boston, Rush, Thin Lizzy, e é claro, AC/DC, que Scott Ian tem a tatuagem em seu braço direito. E foi “TNT” a música que eles tocaram nessa noite. Precisa dizer que o povo cantou? Não né? Blz. Imagina aí o Anthrax tocando TNT, porque essa não vou descrever (risos).

Mais surpresas, a próxima música anunciada é “Death Rider”, primeira faixa do primeiro álbum da carreira do Anthrax, “Fistfull of Metal” de 1983. Nada melhor para uma noite nostálgica.

Mais surpresas, vieram as obscuras (mas não pra mim) “Efilnikufesin” e a quase nunca tocada ao vivo “One World”, ambas do Among the livig (estavam a essa altura tocando quase na integra o álbum de 1987) e nenhuma da fase dos outros vocalistas. Pra mim estava óteeemoooo..

Parece mesmo que o Anthrax novamente em sua formação original está mais forte e feliz do que nunca, mandaram depois a “I´m the man!”, acho que é uma das primeiras bandas, se não a primeira, banda a cantar metal com levada hip-hop. Essa música fez parte de um álbum ousado, gravado em forma de EP, considerado cult entre os fãs, lançado em 1987, mesmo ano do Among the Living. Trazia 3 versões diferentes de “I´m the man”, uma ao vivo, uma censurada para tocar nas rádios, silenciando os palavrões, e outra explicita, totalmente inusitada para a época e para os padrões Heavy Metal de couro e tachinhas dos 80´s, provavelmente esse álbum foi o ícone do Metal Crossover. Ainda tinha de brinde uma faixa com o cover de Sabbath Bloody Sabbath.

Após várias balas na testa, vamos chegando ao final do show. A introdução de Indians (mais uma do Among the Living – Uhu!!) deixa a galera louca, quer ver como foi? Então você que como eu é fã de Anthrax, e nunca teve a sorte de ver um show desses modafóckers ao vivo, chora!

Indians:

Quer sentir uma tomada diferente? Saca do MoshPit:

Pra fechar, a mega clássica, como não poderia deixar de ser, “Antisocial” coloca o Pit em caos novamente, e Belladonna nem precisa se esforçar, pois absolutamente todo munda canta o refrão “You´re anti, you´re antisociaaaaal..” ...

E foi a última música, fim, estava encerrado um dos shows mais aguardados da minha vida headbanger, e encerrava ali a primeira noite da tour norte americana da Metal Aliance Tour 2013. Pra mim faltou a velhinha “Madhouse”, mas como reclamar de um show desses? 6 músicas do meu álbum favorito, todas da era Joey Belladonna, antigas, clássicas, obscuras, um som perfeito, um ambiente perfeito, um pit enlouquecido, pessoas curtindo, mas ao mesmo tempo educadas e gentis. Pra ser perfeito só faltou a cerveja ser mais barata (risos). Saio do show do Anthrax e estou na Disneylandia de novo. E é exatamente essa a sensação, como uma criança saindo da Disney, extasiado da noite de diversão, em meio a uma multidão de bangers de preto, saciados por uma das melhores noites de Metal que já vi na vida, sem dúvida. Agora torcer pra ter a sorte de poder ver os caras em outra oportunidade, quem sabe? Em maio eles vão pra SP, não percam esse show, meus irmãos.

Com a mesma frase que Belladona encerrou a noite deixando o palco, fico por aqui, and “Long Live Rock n Roll.. Long Live.. Rock n Roll!”

Abraços a todos

(Colaborador: Cesar Matuza – Baterista da banda Veludo Branco e colunista do Blog RoraimaRocknRoll.blogspot.com)

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Sobre Cesar Matuza

Engenheiro, baterista da Veludo Branco e da banda Ditambah, colunista do Blog Roraima Rock´n Roll, produtor.

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