Resenha - Lollapalooza (São Paulo, 31/03/13)

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Resenha - Lollapalooza (São Paulo, 31/03/13)


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Assisti à transmissão do show do Foo Fighters no primeiro Lollapalooza Brasil ano passado morrendo de vontade de estar lá e prometi a mim mesmo que esse ano se tivesse uma banda que eu curtisse eu iria, e acabei cumprindo a promessa.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Quando anunciaram para o festival desse ano em meados de 2012, me interessei pelas noites de sábado e domingo, pois estava ouvindo bastante Black Keys e gosto muito de Queens of the Stone Age que iriam tocar no sábado; e da mesma forma adoro Pearl Jam e Planet Hemp; com relação à sexta-feira apesar de gostar do The Killers achei o resto do line up meio caído e já tirei da roda. Após pesar um pouco alguns quesitos, acabei optando por ir na noite de domingo pra assistir o Pearl Jam, pois imaginei que seria o show mais grandioso e mais entusiasmante para um virgem de shows grandes e festivais como eu. Sábia decisão!

Mal pude acreditar quando cheguei no Jockey Club que realmente estava lá e iria ver alguns dos meus ídolos de perto. Logo de cara acompanhei uma rápida passagem de som dos baianos do Vivendo do Ócio no palco Butantã, porém foi rápido. Na sequência fui ao palco Cidade Jardim e lá rolou o show do Baia, que me surpreendeu pela semelhança sonora com Raul Seixas na levada das canções, rolando um trecho de “Ouro de Tolo” inclusive.

Voltando ao palco Butantã assisti o Vivendo do Ócio fazer um puta show. Ainda era cedo e por não haver tanta gente, consegui vê-los bem de perto, o público presente vibrou com ótimas canções como “Nostalgia”, “Fora Mônica”, “Hey Hey”, entre outros petardos. Tenho certeza de que quem não os conhecia nunca mais vai esquecer dos caras, foi surpreendente a performance ao vivo da banda, execução técnica perfeita e a alegria dos músicos de estar no palco tocando no festival era contagiante.

A maratona continuava e ainda no começo da tarde já ia para o terceiro show, Lirinha e Eddie novamente no palco Cidade Jardim, eles fazem um som calcado em ritmos nordestinos como frevo, xote e manguebeat, numa mistura bacana, mas que não faz muito minha cabeça, no meu caso foi uma boa hora pra tomar uma gelada.

Ao fim do show, tínhamos duas opções, uma banda chamada República fazia um som bem pesado no palco alternativo e o Foals que tocava no Palco Butantã, escolhemos o segundo. Eles fazem esse rock com algumas batidas eletrônicas, que cada vez surgem mais bandas aderindo. Fizeram um show correto que agradou bastante o público que conhecia a banda.

Após o Foals ia rolar o show do Puscifer no Palco Cidade Jardim, mas preferi dar uma descansada da viagem pra poder aguentar a jornada até o fim. Foi nessa hora, meio da tarde, que dei a primeira ida ao Palco Perry, voltado à música eletrônica, lá parecia uma rave, com a galera enlouquecida na batida das músicas.

Já encaminhando para o fim de tarde, fomos ao show do Kaiser Chiefs no palco Butantã, banda britânica que emplacou o hit “Ruby” aqui no Brasil. Eles estavam meio por fora dos holofotes por algum tempo e mesmo não tendo visto o show inteiro deu pra ver que eles ainda tem lenha pra queimar, vide a animação do vocalista, tentando inclusive pronunciar algumas palavras em português.

Saí na primeira metade do show do Kaiser Chiefs e fui ao palco Alternativo, onde tocava a banda brasileira de folk rock Vanguart. Suas melodias se uniram ao fim de tarde com rara beleza e os poucos presentes cantavam a plenos pulmões sucessos como “Semáforo” e “Mi Vida Eres Tu”. A empolgação dos integrantes era nítida, enquanto pediam mais apoio às bandas nacionais e agradeciam os organizadores do festival.

Daí o festival começou de verdade. Fomos para o palco Cidade Jardim assistir a performance incendiária dos suecos do The Hives, comandados pelo vocalista Per Almqvist que parecia o líder de uma seita religiosa dizendo em bom português: “Batam palmas”. A banda esbanjou carisma e mostrou como se toca num festival, foram hits implacáveis (“Hate to Say I Told You So”, “Main Offender”, “Walk Idiot Walk”, “Tick Tick Boom”, entre outras), presença de palco matadora de todos os integrantes, interação com a plateia e tudo que um grande show de rock deve ter. A banda até então era um tanto subestimada no Brasil, talvez por não fazer parte do eixo Estados Unidos / Inglaterra, mas enfiaram seu talento goela abaixo de quem paga pau pros Strokes da vida. Tão surpreendente quanto inesquecível!

Juntei minhas forças e fiquei de longe vendo o Planet Hemp no palco Butantã pra tentar pegar um bom lugar para o Pearl Jam no Cidade Jardim, mesmo distante deu pra sentir a energia da banda e público nas já clássicas “Mantenha o Respeito”, “Legalize Já” e “Quem Tem Seda”. Muito legal ver uma banda nacional tendo tamanho destaque num festival do porte do Lollapalooza.

Antes do fim do show do Planet, voltei ao palco principal pra tentar um bom lugar pra ver Eddie Vedder e seus comparsas, após alguns empurrões, pisoes, aglomerações e afins cheguei num lugar que dava pra ver bem o telão e de longe o palco. Por volta das 21:00h o show começou e a energia dos caras é simplesmente sensacional, de forma surreal todos comovidos cantando com todas suas forças, superando os perrengues e cansaço do festival, aquele momento fazia tudo valer a pena, era um orgasmo múltiplo causado pela banda de Seattle.

Como se sabe, a banda varia muito seu set list, fato raro entre as grandes (e preguiçosas) bandas, e no Lolla não foi diferente, tocaram clássicos como “Jeremy”, “Even Flow”, “Do The Evolution” e “Alive” e outras não tão conhecidas, mas sempre presentes nos concertos da banda, como “Corduroy”, “Wishlist” e “State of Love and Trust”, vale destaque também a sensacional versão de “I Believe In Miracles” do Ramones. Porém o ponto alto ficou para o bis com “Black”, canção gravada em 1991, no clássico “Ten”, sendo cantada por todos presentes de uma forma emocionante. Realmente o festival não podia ter um final mais grandioso, o Pearl Jam é do caralho!

Fazendo um saldo final, o resultado é altamente positivo, pois apesar dos perrengues como: cheiro de merda de cavalo, lama, banheiros toscos e dificuldades de transportes, sabemos que esses percalços fazem parte dos festivais. Além do mais, é difícil conceber em qual outra oportunidade eu teria a chance de ver bandas desse porte e desse quilate num só dia. Num país em que a música pop é o sertanejo universitário é difícil de imaginar.

Que venham outros festivais, com grandes atrações, surpresas e perrengues, quem sabe assim os jovens não se interessem por música de qualidade e que as gerações seguintes tenham mais discernimento cultural.

Valeu Lolla!

David Oaski

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Sobre David Oaski

David Oaski é editor do blog Ideologia Rock, colunista do site Stereo Pop Club e colabora frequentemente com os sites Galeria Musical e Whiplash, além de já ter escrito para outras plataformas online. Amante de música (principalmente rock) independente de rótulos, escreve por hobby e para exercitar o senso crítico.

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