Resenha - Rock Cordel (Anéxo do Theatro José de Alencar, Fortaleza, de 10 a 13/01/13)

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Resenha - Rock Cordel (Anéxo do Theatro José de Alencar, Fortaleza, de 10 a 13/01/13)


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Ter em sua cidade um festival completamente autoral com duração de quatro dias, acontecendo anualmente com mais de trinta bandas (nesta edição foram 38) é um privilégio. E se a entrada para este festival ainda for gratuita, então, é um prêmio de loteria. Pois os cearenses, em especial os moradores da capital, Fortaleza, tem esse privilégio (e recebem este prêmio de loteria).

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Patrocinado pelo Banco do Nordeste do Brasil, instituição financeira que, além de atuar na área para a qual foi originalmente criada, é uma grande fomentadora da cultura na região, o festival Rock Cordel aconteceu de 10 a 13 de janeiro, nos jardins do Theatro José de Alencar, no Centro de Fortaleza, um cenário naturalmente explêndido. Neste festival, apresentaram-se desde bandas novatas à veteranas da cena, com mais de duas décadas de estrada. Todas autorais, embora aqui e ali role alguma cover de alguma banda gringa, mas nada alem de homenagens a bandas como WARLOCK e ENTOMBED.

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Outro grande ponto positivo do festival que merece ser ressaltado é a pontualidade. Apesar do enorme número de bandas, 38 no total, era possível, caso assim voce quisesse, ir ao show de uma banda em particular e assisti-lo sem problemas. Por isso, mesmo não tendo conseguido assistir a todos os shows por outros compromissos profissionais e familiares) pude ver bandas de quem já tinha material, mas que ainda não tinha tido oportunidade de ver ao vivo.

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Não pude estar em uma das melhores noites do festival, a primeira, na qual se apresentaram bandas como os moleques da AGRESSIVE (que, apesar da pouca idade, já tem duas demos gravadas e um número considerável de shows pela cidade), a KRENAK, a OBSKURE, a S.O.H e a DARKSIDE, tocando na íntegra o álbum "Prayers in Doomsday" no último show com o vocalista Alex Eyras. Para este show, em particular, leia a resenha do amigo e também colaborador do Whiplash, Leonardo Brauna. Para ler uma resenha do show da OBSKURE no Rock Cordel de 2012, acesse o segundo link.

http://whiplash.net/materias/shows/172615-darkside.html

http://whiplash.net/materias/shows/147603-obskure.html

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Bem, vamos aos shows que eu vi.

TREM DO FUTURO

Finalmente pude conferir no palco a TREM DO FUTURO, banda pioneira de rock progressivo, criada em 1981. Já conhecia e admirava a sua música, mas foi a primeira vez que tive a oportunidade de ver o vocalista Paulo Rossglow, que em nenhum momento economiza a voz (com acento regional e tracos de rock nacional dos anos 80 e Marcelo Nova), fazendo saltar as veias de seu pescoço em direção à plateia.

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Inspirados por Lee e Lifeson, o guitarrista Marcelo M.Leitão e o baixista Roberto William mostraram muita competência, mas o destaque mesmo vai para o violinista Sidarta Guimarães.

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Isso mesmo. violinista. E ele nao esta ali apenas para fazer figuração, não. Sua participação é peça importante no som da banda, casando perfeitamente com o som da guitarra de Marcelo Leitão, sendo ambos muito bem defendidos pela cozinha do baixista Alan Kardec Filho e do baterista Marcos Bye Bye. Apesar dos 30 anos de banda, nem todos os componentes parecem ter ao menos essa idade.

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Neste show, ficou ainda mais nítido o entusiasmo dos roqueiros cearenses na platéia, capazes de fazer circle pits até em shows de rock progressivo, como o da TREM DO FUTURO. Digno de nota, aliás, de um texto inteiro é o ambiente, muito agradável e de beleza singular, os jardins desenhados por Burle Marx, ao lado do centenário Theatro José de Alencar. E falando mais ainda sobre o público, veja no vídeo abaixo o que o público cearense é capaz de fazer no intervalo de uma banda para outra:

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DAGO RED

Em seguida, outra banda das antigas, o DAGO RED, com uma mistura dançante de rock n roll, protopunk, punk, pospunk, whatever punk. com o veteraníssimo da cena rock fortalezense Robério Augusto nos vocais e guitarra, acompanhado por Roberto Bessa (guitarra), Thiago Vaz (baixo e backing vocals) e Ítalo Gomes (drums). Aliás, devo dizer que Robério Augusto, cujos cabelos embranquiçados, dignos de respeito, seguem o caminho de Jimmy Page, inventou um novo tipo de guitarra, com cinco cordas (uma corda quebrou durante "Waiting For A Visit" e ele ligou o foda-se). Ele confessaria depois que não faz muito com seis cordas mesmo. Eu particularmente gosto muito do som dessa banda (foi um dos primeiros CDs de bandas locais que adquiri), apesar de ter sido esta a primeira vez que os vi ao vivo (mea culpa). Deu vontade de tirar o velho CD deles do velho baú e promover um reencontro dele com o meu também velho aparelho de som. Opa! Mas é tudo velho? Sim, é. E isso tudo torna o som da Dago Red ainda mais delicioso. Terminaram o show com "All Lovers Must Die", uma das minhas preferidas.
CLAMUS

Já no domingo, a CLAMUS, num dos melhores shows do ultimo dia de Rock Cordel mostrou seu death metal trilíngue, que beira o death progressivo (não por fazer conceções com trechos mais viajandões, mas pelas constantes variações de andamento, sendo cada novo trecho de suas músicas ainda mais pesado que o anterior).

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Com extrema habilidade tecnica, a banda executou sons de altíssima complexidade como "La Frontiere" e músicas do novo álbum ainda a ser lançado, e regia a plateia, que mudava a forma de bater cabeça, acompanhando cada novo andamento.
COLDNESS

Eles foram seguidos pela COLDNESS, com seu som multi-camadas, em que é difícil escolher um instrumentista como destaque, uma vez que cada um, baixo, teclado, guitarra e bateria, tem uma ou mais oportunidade de brilhar e a aproveita muito bem. Gosto muito do som desses carras. Entre as musicas tocadas, "Justify Your Existence", "Clash of Time", "Live Now" e "In The Mirror(No Choices)".

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FIRELINE

FIRELINE foi a próxima a subir no palco do TJA, com seu hard rock/heavy metal muito bem defendido pela vocalista Wilenaina Barros e pelo guitarrista André Rodger, com belíssimos solos. A banda deve lançar um novo trabalho em fevereiro ou março e, pelo que vi, vai valer muito a pena conferir.

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Outro fato a ser mencionado é a pluralidade do rock cordel, agragando roqueiros de diversas tribos e com gostos musicais tão diferentes, góticos, thrashers, do pessoal GLS à galera que curte Death Metal, velhos barrigudos que já viram de tudo na vida, como eu, a jovens que acabaram de entrar na adolescência, gente que viu os primeiros shows da OBSKURE e gente que se liga mais na IN NO SENSE.

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E por falar em velhos barrigudos, que tal uma viagem no tempo? Aos anos 70, para ser mais exato. Ou, pelo menos, até a última vez que vi os RENEGADOS ao vivo, ainda no começo deste milênio. Uma viagem também ao espaço, às estrelas, e ao fundo do mar... Meu Deus, talvez eu deva beber menos no intervalo de cada show. Ah, quer saber? Ah, deixa pra lá. Estou aqui viajando no espaço, nos tempos e nos tempos alternativos, patrocinado pela guitarra de Marcelo Pinheiro, pelo baixo pulsante de Romualdo Filho e marcado pela bateria de Ricardo Pinheiro.

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Os três sabem o que fazem, e o fazem melhor que qualquer DeLorean. E viajam para o futuro também, mostrando a música "Automatizado", que não está em nenhum dos três discos da banda - deve sair no próximo. Quando a ultima música foi anunciada, minha vontade era única: correr para casa e colocar o CD da renegados no player, dando continuidade àquela viagem.

Mas o que viria a seguir nao deixaria ninguem ir embora. E chegar à frente do palco ficou impossivel nessa hora. Eram as THE KNICKERS, com seu hard rock poderoso e tendo pleno controle do palco e da plateia.

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Aline, Paloma e Alessandra mostraram músicas da sua demo "Motherfucker" e apresentaram algumas novas do CD que será lançado em breve. Uma delas, "Devil In Me", jamais tinha sido tocada, pelo menos não por aqui. Quem assiste a um show delas percebe imediatamente que não foi a toa que as meninas abriram o show do CRUCIFIED BARBARA em Brasília, ano passado. Ah, se esqueci de falar, as três são muito bonitas, mas isso perde completamente a importância diante da qualidade da sua musica, do carisma de Aline Madelon e da competência de Paloma Oliveira, que toca demais.

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O festival acabou ao som das guitarras dobradas e baixo cavalgado da ORÁCULO, banda que, coincidentemente neste domingo, estava fazendo 18 anos. Com som baseado fortemente na NWOBHM (ou devo dizer NWOCHM - New Wave Of Ceará Heavy Metal), a banda era seguida apaixonadamente ate nas composicoes mais novas, como "Strenght Redention", que deve estar no proximo CD da banda. O show inteiro levou os bangers à catarse, mas, se é possível eleger um ponto alto, este é iniciado com Robson Alves perguntando à plateia "Qual o nome da banda?". Era a senha para um pequeno solo de bateria que inicia a música homônima, na qual cada músico faz o seu solo, alguns mais de uma vez. A banda ainda tirou um tempo para registrar a presença de pessoas importantes na plateia e pediu uma salva de palmas para um professor que está salvando vidas com seu projeto de Muay Thai.

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E teve fim o festival. Quem estava ali não fazia outra coisa senão desejar que logo chegasse a edição de 2013 e querer parabenizar à produção e todos os envolvidos, especialmente, André Marinho, Amaudson Ximenes, Fernando Pessoa e Emydio Filho.

O crédito das fotos e vídeos vão para Fernando Pessoa e Ghandi Guimarães (Arquivo Underground).

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Vale ainda ressaltar que o festival pode ser assistido ao vivo através da PosTV.org, em postv.org e alguns shows podem ser vistos a qualquer hora no canal da midialivre no ustream.

http://www.ustreamtv/channel/midialivre

E no táxi que me levou de volta para casa, registro ainda a perplexidade do taxista. "Incrível", dizia ele, "nos quatro dias em que estive aqui na praça, não vi, nem soube de nenhuma briga, de nenhum caso de violência". "É, meu amigo", disse-lhe eu, "Isso para mim não é novidade. Quem tem amor à música, não perde tempo com bobagens". Agora, esperemos até o Rock Cordel 2014.

Alguns setlists:

TREM DO FUTURO

1. Ainda Que Tarde (Inédita)

2. Die Dark Sun (Inédita)

3. Búfalos Audazes (de O Tempo)

4. Mar das Odisséias (Inédita)

5. Revolução das Flores (de Trem do Futuro)

6. O Homem Antigo (de O Tempo)

7. Trem do Futuro (de O Tempo)

8. América (Inédita)

9. Saga (de O Tempo)

CLAMUS

1. Sympatia Malevolens

2. Abstratas Demandas

3. La Frontière

4. Lead The Past

5. Simple Complex

6. Wolverine Blues (ENTOMBED)

7. L'Absence

THE KNICKERS

1. Follow This Highway

2. Motherfucker

3. Listen To Your Heart

4. Take My Hand

5. Devil In Me

6. Rock N' Roll

7. Nobody Knows

8. I'm Better Than You

9. We're The Knickers

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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