Resenha - Furia Metal Festival (Hangar 110, São Paulo, 12/01/13)

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Resenha - Furia Metal Festival (Hangar 110, São Paulo, 12/01/13)


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No último dia 12 de janeiro, as condições climáticas na cidade de São Paulo não foram as mais desejáveis. Foi um sábado chuvoso e cinzento, tipo de clima ao qual os habitantes da capital já estão bem habituados. Contudo, havia pessoas na cidade com razões de sobra para se manterem bastante animadas. Digo isso porque quem compareceu ao FURIA METAL FESTIVAL pôde constatar que um dia tão desanimador não seria capaz de abater os aficionados por metal. E é muito difícil acreditar que qualquer um dos presentes no festival pudesse se sentir desanimado sabendo que bandas importantes do cenário da música pesada nacional e internacional estavam prestes a subir ao palco do Hangar 110.Tudo ocorreu em conformidade com o que já havia sido comunicado pelos organizadores do evento: a casa abriu às 19h, mas o primeiro show só teve início às 20h. A grande responsabilidade de dar o pontapé inicial para o FURIA METAL FESTIVAL coube à banda paulista GUILLOTINE, composta por Rene "Iron Hell" Simionato (guitarra e vocal), Luis Pizano (guitarra e backing vocal), Renan Carrenho (baixo e backing vocal) e Gilmar Oliveira (bateria). Apesar do curtíssimo tempo de que dispôs para apresentar seu som aos poucos que já estavam no local, o quarteto subiu ao palco e ofereceu ao público um poderoso "Deathrasheavy" (termo que a própria banda utiliza para definir seu som). Com um título bem adequado para ocasião, "Metal in the Vein" foi a primeira música a ser tocada, depois da qual vieram as pedradas "Conflict In Another Dimension", "Human Aliens" e "The Fourth Kind". Os caras mandaram também a ótima "Pagan's Altar", música com temática Viking. O show foi encerrado com "Terminator", grande exemplo do poder de fogo do GUILLOTINE, banda que ainda chamará muita atenção dentro do cenário metálico.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O segundo grupo a subir ao palco do Hangar 110 foi o LEVIAETHAN. Formada em Porto Alegre (RS) no início da década de oitenta, o line-up da lenda gaúcha contava com Flávio Soares no vocal, Manoel Rodrigues no baixo, Denis "Blackstone" Goulart na guitarra e Ricardo "Ratão" na bateria. Um detalhe curioso é que Flávio Soares é baixista e vocalista do grupo, mas estava com um dos braços enfaixado devido a um acidente que sofreu agora no fim do ano passado, o que ele mesmo fez questão de explicar no começo da apresentação. Com isso, Manoel Rodrigues, que na verdade é guitarrista do grupo, teve que assumir as quatro cordas. Felizmente, a mudança não atrapalhou a apresentação, que foi iniciada com "The Last Supper", um clássico da banda. A música em questão também dá início a "Smile", primeiro disco do LEVAETHAN, lançado em 1989. Enquanto o número de headbangers em frente ao palco aumentava, mais dois clássicos do primeiro álbum foram executados: as pedradas "Echoes From The Past" e "AIDS". Em seguida, o quarteto mandou "Disturbed Mind" do segundo disco homônimo. O público ainda estava meio tímido, mas, com certeza, o LEVIAETHAN encheu o espaço de energia com seu Thrash Metal furioso. A apresentação chegou ao fim ao som de "The Time Has Come (Yours!)" e "Hell Is Here" – ambas novas. Tendo em vista que o tempo disponível para a apresentação era bem curto, o grupo foi obrigado a deixar fora de seu setlist músicas importantes como a antológica "Drinkin' Death". Fica para uma próxima!

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E o FURIA METAL FESTIVAL prosseguiu! Quando as cortinas do palco se abriram, topamos com o BYWAR. Desta vez, o grupo de São Caetano do Sul (SP) se apresentou como um trio. Essa formação já era esperada, pois, em dezembro do ano passado, a banda anunciou, em sua página no Facebook, a saída do segundo guitarrista, Renan Roveran. Portanto, o show ficou a cargo de Adriano Perfetto (vocal e guitarra), Hélio Patrizzi (baixo) e Enrico Ozio (bateria). Embora eu tenha sentido falta da outra guitarra, os três fizeram uma apresentação notável. De cara, eles mandaram "Poltergeist Time", do excelente álbum "Abduction" – um dos melhores lançamentos de 2011. Com os vocais à La Schirmer de Adriano, a pancadaria continuou com "The Twin of Icon" e "The 'Hole' Grail" – ambas do álbum "Heretic signs" – e "Broken Witchcraft" do "invincible War", álbum de estreia dos paulistas. A essa altura, a empolgação dos bangers já era bem visível. O BYWAR mandou também "Stranded in Dark Zone" do disco "Twelve Devil's Graveyards" (por sinal, outro ótimo disco!) e "Heretic Signs". E, fechando com chave de ouro, a veloz "Thrasher's Return", outra do "Invincible War", foi executada. O setlist foi conciso, mas cobriu a discografia matadora do BYWAR.

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Aqui abro um espaço para fazer uma sugestão aos organizadores do evento: se houver um próximo FURIA METAL FESTIVAL – e torço para que haja –, concedam mais tempo às bandas.

E o momento mais aguardado por todos estava chegando. Finalmente, descobriríamos se o SUICIDAL ANGELS era capaz de reproduzir ao vivo toda violência e velocidade que havíamos escutado em estúdio. Formado em Atenas (Grécia) e com pouco mais de uma década em atividade, o SUICIDAL ANGELS tornou-se mundialmente conhecido no underground pelo seu Thrash Metal "Old School" – embora moderno! –, que inegavelmente lembra o SLAYER da era Reign in Blood. E, já que falamos de sangue, é importante mencionar que a banda grega veio ao Brasil para divulgar seu excelente último álbum, cujo título é "Bloodbath".
Às 22h30, as luzes se apagaram e uma introdução gravada (baseada no tema musical do filme Tubarão do Spielberg) começou a soar pelos alto-falantes. Quando as luzes voltaram a iluminar o Hangar 110, o SUICIDAL ANGELS já estava sobre o palco, prestes a destruir nossos tímpanos. Diante de nós estavam Nick Melissourgos (guitarra e vocal), Angelos Kritsotakis (baixo), Orpheas Tzortzopoulos (bateria) e Chris Tsitsis (guitarra), este último anunciado como novo membro da banda cerca de um mês antes deste show – imaginem só a responsabilidade que o cara teve pela frente! A pancadaria começou com a música "Bloodbath", cujo clipe é bem conhecido, seguida de dois sons destruidores, "Bleeding Holocaust" e "Reborn In Violence", ambas do penúltimo álbum da banda intitulado "Dead Again". Foi então que eu percebi uma coisa: a atitude reservada de boa parte dos bangers durante quase todo o evento era o modo como eles estavam poupando suas energias para o banho de sangue que seria proporcionado pelo SUICIDAL ANGELS. E outra coisa: à medida que o show avançava, percebi com alegria que, na verdade, o SUICIDAL ANGELS não era só capaz de reproduzir toda violência e velocidade de estúdio, mas também era capaz de superá-las. Eles superaram também minhas expectativas ao oferecer um show com muita qualidade de som e com tudo que sempre prezei dentro do Thrash Metal: muito peso, velocidade, riffs intricados, bateria monstruosa e letras gritadas na velocidade da luz! Já o guitarrista Chris mostrou ser competentíssimo e não nos decepcionou em nenhum momento.

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O show continuou com outras músicas do "Bloodbath", como "Morbid Intention to Kill" e a furiosa "Bleeding Cries". De repente, alguns fãs mais empolgados começaram a subir ao palco e a mostrar como o público num show de Thrash Metal deve responder a uma apresentação como a do SUICIDAL ANGELS: muitos circle pits e stage divings! O setlist foi fenomenal. Os caras ainda mandaram "The Pestilence of Saints" do álbum "Sanctify The Darkness" e "Moshing Crew", esta última também do "Bloodbath". Nesse momento, eu já estava quase rouco de tanto gritar e com o pescoço doendo de tanto balançar a cabeça. O SUICIDAL ANGELS finalizou o pequeno apocalipse feito no Hangar 110 com outras grandes faixas de seu repertório: "Beggar of Scorn" e "Apokathilosis". Com essas duas últimas, a casa quase veio abaixo! E, ao término do show, só um desejo me restou: que o SUICIDAL ANGELS volte o quanto antes ao Brasil para nos presentear com outro show desses!

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Setlist do GUILLOTINE:

1. Metal In The Vein
2. Conflict In Another Dimension
3. Human Aliens
4. The Fourth Kind
5. Pagan's Altar
6. Terminator

Setlist do LEVIAETHAN:

1. The Last Supper
2. Echoes From The Past
3. A.I.D.S.
4. Disturbed Mind
5. The Time Has Come
6. Hell Is Here

Setlist do BYWAR:

1. Poltergeist Time
2. The Twin of Icon
3. Broken Witchcraft
4. The "Hole" Grail
5. Stranded in Dark Zone
6. Heretic Signs
7. Thrasher's Return

Setlist do SUICIDAL ANGELS:

1. Bloodbath
2. Bleeding Holocaust
3. Reborn In Violence
4. Chaos (The Curse Is Burning Inside)
5. Morbid Intention to Kill
6. Bleeding Cries
7. Final Dawn (Dead Again)
8. The Pestilence of Saints
9. Torment Payback
10. Moshing Crew
11. Beggar of Scorn
12. Apokathilosis

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Sobre Bruno Mariano

Nascido no fim da década de oitenta, o paulistano Bruno Mariano é graduado em Letras e aficionado por Rock desde a adolescência, momento em que descobriu, ao escutar Ramones e AC/DC – bandas tão diferentes uma da outra –, a energia e o poder contestador desse gênero musical que, não por acaso, é apreciado nos quatro cantos do planeta. Daí em diante foi curto o caminho para que tivesse os primeiros contatos com o universo da música pesada e se rendesse à genialidade de vários nomes do Metal, entre os quais se incluem baluartes do Heavy tradicional, Thrash, Death e Black Metal. Influenciado por filósofos como Nietzsche e Camus, Bruno é daqueles que enxergam na arte (música, literatura, cinema, quadrinhos etc.) uma forma de superação do absurdo aparentemente indelével do mundo contemporâneo.

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