Este foi o primeiro evento do Garage após a passagem de Fábio Costa, que levou o nome adiante por anos, logo, fica a homenagem a este que foi um dos maiores incentivadores da cena underground carioca, não só de Metal, mas como um todo.
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A tarde estava bem quente e abafada, e o Teatro Odisseia se mostrou mais uma vez uma casa cujo suporte é ótimo, pois o condicionamento do ar interno estava bom, minimizando o calor e permitindo que os presentes pudessem apreciar os shows com comodidade e conforto.
O primeiro grupo a se apresentar foi o BERKAIAL, banda de Black Metal veterana da cena carioca, que após um hiato, retoma suas atividades.

Com seu Black Metal um pouco mais focado em uma climática mais mórbida e soturna e alguns elementos do Death Metal, na veia de bandas como MAYHEM antigo e DISSECTION, o grupo estava mostrando grande forma e que o tempo não os afetou de maneira alguma, com Daemonthor (baixo) e Astath (guitarras) mostrando empolgação e agitando bastante, mas o vocalista Seth, embora tenha uma ótimo voz, precisa de um pouquinho mais de comunicação com o público. Este é o único 'porém' a ser dito, pois a banda, por sua experiência, mostrou-se à vontade no palco.
O repertório foi baseado em músicas autorais, vindas de seu único CD, 'Eternal Curse', como 'Berkaial's Rise', 'Heir of Satan' e a ótima 'Ancient Texts of Abdul', mostrando que a banda ainda tem lenha para queimar, ou seja, existe espaço para eles na cena, então, que fiquem e continuem brindando os fãs com boa música. E foi muito bom ver a banda prestando reverência a Fábio Costa, o 'Diabo Velho' do Garage.
Após um rápido intervalo, outro veterano da cena sobe ao palco, o insano quarteto LÁSTIMA, também do RJ.

A postura da banda de palco é algo insano, uma vez que nenhum deles fica parado, especialmente o vocalista Rodrigo Bastardo, que segue uma linha performática à lá Jello Biafra, sempre se movimentando e com ótima comunicação com o público. E tudo isso apoiado em uma mistura de Grindcore com Black Metal old school, algo bem diverso do que se ouve na atualidade, logo, tome pedradas (no bom sentido) vindas de seus dois trabalhos lançados (sendo que o terceiro está quase sendo acabado) como 'Prece', 'Suicídio', 'Ganância', 'Sacroholocausto' e outras, ao que o público respondeu muito bem, mostrando que o próximo disco será outra marretada. O discurso de homenagem a Fabio foi emocionante, coisa de quem vive e conhece o underground.
Depois de um intervalo para nos refrescar, foi a vez do quinteto equatoriano de Black Metal EUTANOS, que pela primeira vez pisou em terras cariocas e, com certeza, ganhou muitos fãs.

O quinteto esbanja não só simpatia e carisma, com comunicação constante e bem humorada com o público (inclusive, mesmo sem ter conhecido Fabio, prestaram homenagem ao 'Diabo Velho'), bem como muita energia e empolgação, que fica evidente pela postura, pois eles não param de agitar um segundo que seja.
Ignacio (baixo) e Nicolas (bateria) seguram uma base rítmica bem diversificada, com peso e solidez, para que Bismarck e Roberto despejem torrentes de riffs que mesclam Thrash e Death Metal (e até algumas coisa de Metal Tradicional), e solos que ora são muitos agressivos, ora mais melodiosos e climáticos, e capitaneados por James, que além de cantar bem, alternado entre vocais rasgados e outros mais limpos, é carismático e tem o público nas mãos.
O quinteto faz um Black Metal na linha dos 'hermanos' sul-americanos, usando e abusando de originalidade e peso, com muito bom gosto e técnica. O repertório foi baseado em seus discos 'Lo Que Te Lleva A La Muerte', de 2006, e 'Majesta Sancta Frigoriis Exterminum', de 2011, como 'Cristi ANO', 'Drogas Armagedon Sexo y Alkohol', e 'Maquina de Matanza', todas elas sangrando energia e agressividade aos borbotões.
Esperamos que este quinteto insano volte em breve!
Fechando a noite, o power trio HELLKOMMANDER, após algum tempo sem se apresentar no RJ, retornou em grande forma.

O trio aposta suas fichas em um estilo que transita entre bandas como HELLHAMMER, CELTIC FROST e WARFARE, bem despojado, mas firme e pesado. O trio desfilou músicas de 'Death to My Enemies' e 'Making the Devil Work', seus trabalhos de estúdio, com boa postura e comunicação com o público por parte de Poison Hell (guitarras e vocais) e Leatherface (baixo), e tendo a ajuda de MKult, baterista do COLDBLOOD, nas baquetas.
Obviamente, o público reagiu bem ao seu set, com destaque para 'Fuck the World', uma pedrada, e fora a homenagem a Fabio, pois Poison Hell destacou que ele foi um dos muitos adolescentes que foram apadrinhados pelo 'Diabo Velho' no início de carreira.

Uma tarde/noite que valeu pelos shows, e que todos saibam: o Garage continuará, pois o legado de Fábio Costa não morrerá, mas é eterno.
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Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".
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