Em 18/11/2012 | Resenha - Kiss (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 18/11/12)

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Resenha - Kiss (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 18/11/12)

Por Suellen Carvalho e Eduardo Bianchi Rolim

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O Rio de Janeiro foi o local do último show do Kiss no Brasil desta “The Tour”, no HSBC Arena na Barra da Tijuca, de onde não guardava boas lembranças da última vez que tinha ido lá. E levando em conta que era um domingo, no meio de um grande feriado, até que a casa estava bastante cheia (cerca de 9 mil pessoas, segundo a organização) embora as arquibancadas não estivessem lotadas e a pista bastante confortável e transitável.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Infelizmente não cheguei a tempo de conferir o show do Viper, banda de abertura da noite assim como em São Paulo, o que foi uma pena visto que esta é uma das últimas apresentações com Andre Matos nos vocais antes do último show no dia 2 de dezembro no Via Marquês. Mas segundo o setlist.fm, o set foi bem parecido com o de SP, exceto pela ausência de Prelude to Oblivion.

O Kiss entrou um pouquinho após as 21h00 com o tradicional anúncio do locutor "You wanted the best, you’ve got the best! The hottest band in the world… KISS!!!", com o pano com o logo da banda que cobria o palco caindo, a banda chegando em um palco elevatório, fogos, explosões e o riff empolgante de "Detroit Rock City". Poucos conseguem ganhar o seu público logo no primeiro minuto de show e o Kiss, sem dúvidas, é um dos mestres nesta arte. Para manter o ritmo empolgante da abertura, o que veio em seguida foi "Shout It Out Loud". E neste momento eu comecei a fazer as pazes com o HSBC Arena. O seu espaço limitado proporciona uma proximidade muito grande com o palco, mesmo para aqueles que não estavam na bud zone (meu caso). Eu estava quase na última fileira e ainda assim conseguia sentir o calor dos fogos a cada explosão além de o som estar perfeitamente alto, como um show de rock deve ser.

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"Calling Dr. Love" foi a música que veio logo após, dando a pista de que o set seria o mesmo dos shows de São Paulo e de Porto Alegre. Mas num show como este, com tantos fogos e efeitos para sincronizar, não dá mesmo para brincar muito com a sequência das músicas. Após este início só de clássicos, a banda apresenta duas do seu recente "Monster": "Hell Or Hallelujah" e "Wall Of Sound", esta última com seu riffzinho do início em "homenagem" a "Helter Skelter" dos Beatles. Ambas funcionaram muito bem ao vivo, com "Hell Or Hallelujah" ganhando até a participação dos fãs no refrão.

De volta ao início da carreira com "Hotter Than Hell", do disco de mesmo nome – um dos mais celebrados entre artistas de heavy metal como Dave Mustaine e os caras do Anthrax – com Gene Simmons fazendo seu showzinho no fim cuspindo fogo ao som de sirenes, e a mais famosa do disco de 1982 "Creatures Of The Night", "I Love It Loud".

Paul Stanley relembra a todos da primeira vez que vieram ao Brasil em 1983, no Maracanã, e diz que se sente em casa no Rio desde então. Engraçado notar neste momento que ao menos 60% do público alí presente na Arena era criança naquela época ou mesmo não tinha nem nascido! Uma prova de como o público do Kiss se renova. Ou uma mostra de que falta banda hoje em dia para substituir estes grandes nomes do rock?

Mais uma do disco novo, "Outta This World", com Tommy Thayer no vocal principal emendando direto com um solo de guitarra-bateria de Tommy com Eric Singer. Mas como tudo com relação ao Kiss, nada é tão simples com um mero solo dos músicos exibindo suas habilidades com seus instrumentos, como acontece em shows de outras bandas. Os momentos dos solos são mais uma justificativa para pirotecnias com direito a bateria do Eric Singer sendo suspensa até o teto e disparo de fogo de uma bazuca. Gene Simmons veio logo em seguida com seu número cospe-sangue e o baixo cheio de distorção sendo também elevado até o teto, depois dos canhões de luz, onde, de lá, cantou "God Of Thunder", do "Destroyer".

Paul Stanley volta aos vocais e anuncia "Psycho Circus", com a plateia cantando bastante a música do início ao fim. Aliás, isso de anunciar cada música que iria ser tocada em seguida, citando inclusive o disco, é uma coisa muito legal que foi feita neste show. Uma ótima maneira de apresentar a banda para o público, como se com 40 anos de carreira isto ainda fosse necessário.

Mais uma do Creatures, a tão querida pelo pessoal aqui do blog, "War Machine", que além de empolgar pelos seu riff, marcação e refrões marcantes ainda exibia no telão de alta definição uma divertida animação de uma espécie de um Kiss Army com uns soldados que lembravam os stormtroopers da série Star Wars com maquiagens à maneira Kiss.

Depois de todos os integrantes já terem brilhado individualmente, chegava o momento de Paul Stanley ter o seu destaque individual sobrevoando na tirolesa por toda a plateia do HSBC, indo pousar numa torre no fundo da pista, a pouquíssimos metros da galera que estava nas arquibancadas. E foi de lá que ele cantou "Love Gun" com participação entusiasmada de todos, principalmente daqueles que estavam no fundão, bem próximo a torre. É de se admirar a disposição do sessentão Stanley, pendurado na tirolesa, com guitarra a tiracolo e usando saltos plataformas, para chegar na torre e ainda ter que cantar e tocar sua guitarra. Isso não é pra qualquer um, ainda que sua voz não tenha mais o mesmo vigor e potência de antes, falhando em vários momentos do show.

"Black Diamond", do primeiro disco do Kiss, fechou para o bis com uma linda iluminação com um globo platinado daqueles de discoteca e Eric Singer no vocal principal, com sua bateria, novamente, lá no teto. O Kiss é uma das poucas bandas onde todos os seus integrantes se revezam com o vocal principal no microfone durante o show. Na revista Billboard Brasil deste mês que tem o Kiss na capa, há uma entrevista com Gene Simmons em que ele fala que o Kiss é como um "Beatles anabolizado", onde todo mundo canta e todo mundo compõe.

A banda volta ao palco, com provocações de Stanley dizendo que se estavam todos cansados, então poderiam ir pra casa e mencionando que na noite anterior estiveram em São Paulo e eles foram incríveis e que se o Rio queria ser número 1, que fizessem mais barulho. Foi o suficiente para inflamar a galera para a primeira música do bis, "Lick It Up" emendada direto com "I Was Made For Lovin’ You". O show termina em total clima de festa com a já esperada e talvez a música mais grudenta de toda história do rock, "Rock And Roll All Nite", com uma enorme chuva de papel picado que cobria todo o HSBC Arena, Paul Stanley destruindo sua guitarra e fogos ensurdecedores pipocando por todo o palco.

Superado o trauma daquele show do Iron Maiden que acabou não acontecendo, o HSBC Arena mostrou ser um ótimo local para um show para um público médio, ainda que num ponto bem afastado do centro da cidade, com uma boa qualidade no som e visão do palco mesmo para aqueles na pista normal, além do seu amplo estacionamento (embora não saiba quanto estava sendo cobrado) e diversas opções de ônibus estacionados na saída da arena com destino para vários cantos da cidade. Basta um pouco de organização que as coisas funcionam .

O Kiss mostrou estar em plena forma mesmo com 40 anos de carreira, com um show repleto de hits, em que cada pirotecnia, voos sobre o palco, chuva de papel picado fazem valer o (caro) ingresso pago. E apesar de todos os efeitos visuais, nada ali é encenação. São mesmo os 4 caras presentes no palco que tocam e cantam de verdade os clássicos que encantaram e ainda encantam gerações visto que era possível ver desde crianças até coroas sessentões na plateia. As pirotecnias são só o complemento que tornam a festa mais divertida porque, no fim das contas, o que empolga mesmo é a música.

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Para ver os setlists do Viper e Kiss, vídeos selecionados e mais fotos de ótima qualidade, acesse a matéria original no Minuto HM.

http://minutohm.com/2012/11/19/cobertura-minuto-hm-kiss-e-vi...

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