Bons shows, geralmente, tem três ou quatro momentos que se destacam nos comentários na saída. Mas, na última sexta-feira, no Music Hall de Belo Horizonte, a coisa foi um pouco mais além. Há 18 anos, o Sepultura tocava na capital mineira pela última vez com os irmãos Cavalera juntos (abertura para os Ramones no Parque de Exposições da Gameleira). Esse reencontro dos irmãos com o público da cidade 'onde tudo começou' ainda reservava mais uma surpresa para deixar a noite ainda mais especial.
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A semana foi de ansiedade para os headbangers de Belo Horizonte. Quem já tinha seu ingresso comprado para o show do Cavalera Conspiracy, estava em contagem regressiva para a noite de sexta-feira. Enfim o dia 16 chegou! Em Belo Horizonte, o céu ficou nublado por toda manhã e tarde, mas só ameaçou chover. Com o cair da noite, a fila foi se formando no passeio do Music Hall. Havia uma certa preocupação sobre a realização do show, pelo adiamento da apresentação em SP. Porém, os motivos do adiamento lá, não afetariam em nada o show de BH.
Demorou para liberarem a entrada do público, mas quando liberou o acesso foi rápido. Por volta de 22:30 a chuva forte desabou e os que gostam de ficar tomando uma cerveja lá fora, precisaram correr para dentro da casa... Até mesmo porque a apresentação já ia começar. Não demorou muito, eram quase 23hs e a introdução com luzes apagadas anunciava que os caras estavam prontos para subir ao palco. Boa parte do público ainda entrava.


A pesada Warlord abriu o show. Ela também abre o disco Blunt Force Trauma (2011) e foi cantada pelo público que, insano, transformou a pista do Music Hall num mosh gigante (foi mais ou menos assim durante o show todo). A comum "empolgação de início de show" incrivelmente durou por umas seis músicas. A presença dos irmãos Cavalera, principalmente do Max, pelo longo tempo que não tocava em BH, deixou o público totalmente pirado.
O repertório do Cavalera Conspiracy não mudou muito em relação ao tocado no Rio um dia antes. Ao invés da dobradinha Arise/Dead Embryonic Cells, por exemplo, tocaram Arise/Desperate Cry. Foram oito músicas do Sepultura e nove do Cavalera Conspiracy, sendo cinco do disco Blunt Force Trauma. Os filhos de Max, Igor Cavalera Jr. e Zyon Cavalera, participaram dos vocais em Black Ark, música do disco Inflikted (2008). Eles tem 17 e 19 anos, respectivamente, e cantaram, possivelmente, pela primeira vez em Belo Horizonte, cidade natal de seu pai.


Voltando a falar nos pontos altos, podemos citar uns cinco ou seis. Mas, dentre esses momentos especiais, um se destaca. O clímax da noite foi quando Max perguntou onde estava "o maior de todos" e avisou que iríamos presenciar uma jam histórica. Ele se referia ao guitarrista da formação original do Sepultura: Jairo Guedz.
Jairo, após sair do Sepultura e dar lugar a Andreas Kisser, foi baixista de bandas como The Mist e Eminence, outras grandes revelações da cena heavy metal mineira. Então, quando o guitarrista de aproximadamente 1,90m subiu ao palco, Max brincou dizendo que ia conseguir uma guitarra de quatro cordas para ele. A execução de Troops of Doom foi o momento mais insano do show. O público mineiro presenciou uma jam que headbangers do mundo inteiro se matariam para ver.


Menos de um minutos, após finalizar Roots Bloody Roots, Max Cavalera passou pela parte de cima do Music Hall e foi direto para a van que o levou ao hotel. Iggor demorou um pouco mais e atendeu algumas pessoas que estavam no camarote, deu autógrafos e tirou algumas fotos. Max Cavalera, Iggor Cavalera, Marc Rizo, Tony Campos e, claro, Jairo Guedz foram responsáveis por um dos shows mais marcantes do ano... Para muitos, o mais marcante de 2012. Agora o Cavalera Conspiracy parte para São Paulo, onde fará sua apresentação no dia 18 no Cine Jóia.




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