Dream Theater: mais que um espetáculo virtuoso em São Paulo

Resenha - Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 26/08/2012)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Pedro Zambarda de Araújo
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

No mesmo dia em que o pop rock do Maroon 5 se apresentava no Anhembi, o metal progressivo do Dream Theater deu as caras no Credicard Hall. Confesso que, depois do último show em 2010, eu esperava apenas uma apresentação normal da banda, um espetáculo de virtuosismo que agradaria apenas aos fãs do gênero. Não foi nada do que eu vi nas mais de duas horas de apresentação no último dia 26 de agosto.

Portnoy: Bumblefoot e Derek Sherinian podem estar em supergrupoLos Angeles: fotos de roqueiros célebres em situações cotidianas

Para começar, a casa de shows estava lotada. O motivo? O sucesso do novo CD, A Dramatic Turn of Events - que foi lançado durante a polêmica saída de Mike Portnoy da banda -, e a estreia de Mike Mangini, o novo baterista do grupo. Para quem estava no meio da aglomeração, os roqueiros do DT fizeram um show que agradou quem bastante esperava mais do mesmo.

O palco, composto por três cubos ao fundo, fez um show de luzes e efeitos especiais que, apesar da forte luz, deram toda uma aparência renovada ao Dream Theater. O show foi iniciado e terminado com a trilha sonora de Hans Zimmer para o filme A Origem (Inception), o que deu um tom dramático e interessante para toda a musicalidade da banda, brincando com a ideia de "sonho".

Logo na primeira música, Bridges in the Sky, os músicos são apresentados como super-heróis, em uma animação similar a da turnê Systematic Chaos: o vocalista James LaBrie é um guerreiro que vence um dragão, Jordan Rudess é o mago dos teclados, John Petrucci é um deus do trovão que toca guitarra, o baixista John Myung é um ninja e, para finalizar, Mike Mangini é apresentado como uma espécie de místico. Essa transformação dos integrantes em desenho animado arrancou aplausos e simpatia do público antes dos primeiros acordes e todas as composições complexas do Dream Theater.

Não ficando apenas no material novo de A Dramatic Turn of Events, o DT passou por clássicos como 6:00, A Fortune in Lies, War Inside My Head e The Test that Stumped Them All. The Silent Man, do álbum Awake, foi um momento de relaxamento da banda, com um acústico bem executado entre John Petrucci e James LaBrie, acompanhado pelas distorções e todo o arranjo de Jordan Rudess.

Com a saída de Portnoy, nitidamente, a banda ficou sem um líder no palco e nas composições, mas eles, neste show em São Paulo, pareceram livres para experimentar novas sensações ao vivo. LaBrie, que normalmente é estático nas apresentações, livremente puxou o público da pista e do camarote para vibrar com suas canções. John Petrucci, Jordan Rudess e John Myung ficaram brincando e andando com suas guitarras, teclados e baixos no palco, interagindo entre si. Mas, dos cinco integrantes, o que estava mais à vontade era Mike Mangini. Com uma bateria que é construída até o teto, ele se viu livre para brincar com os pedais duplos e com técnicas pouco usuais com as baquetas. Mangini estava tão solto que conseguiu até comer uma banana durante o solo de bateria.

John Petrucci pareceu ser o músico próximo de um líder dessa nova fase do Dream Theater, embora não comandasse de forma explícita no palco. Sua guitarra em músicas novas como Outcry, do novo CD, e em outras composições antigas, como A Fortune in Lies, do When a Dream and Day Unite, soaram limpas e adequadas para casa fase da banda. A improvisação que ele criou em The Spirit Carries On foi digna de emoções e aplausos - e foi executada com total iniciativa e criatividade do músico.

James LaBrie também cantou usando o boné atirado por um dos fãs. Teve poucos problemas com a voz, se comparado com shows de turnês antigas, e parece estar aprendendo a usar mais as sonoridades graves ao vivo, abandonando um pouco os agudos excessivos. Jordan Rudess continua com excessos de efeitos dos teclados, soando muito diferente de Kevin Moore e seus antecessores. Mas ele consegue cativar o público que aprecia seu som.

Foi a quarta vez que vi Dream Theater ao vivo em São Paulo. E, desta vez, era uma nova banda no palco. Com novos rumos, mesmo com o vácuo deixado pela ausência do marcante baterista Mike Portnoy.

Pedro Zambarda foi convidado ao show pela assessoria da Cielo. A análise do espetáculo não sofreu qualquer influência da empresa.

Quer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Outras resenhas de Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 26/08/2012)

Dream Theater: um show magistral no domingo em São PauloDream Theater: quase três horas de perfeição em São Paulo

Vocalistas
Os menos conhecidos de bandas famosas

Portnoy: Bumblefoot e Derek Sherinian podem estar em supergrupoBlend Guitar: John Petrucci tenta tocar como Lil WayneMike Portnoy: tocando sua "12 Steps Suits"Todas as matérias e notícias sobre "Dream Theater"

Mike Portnoy
A reação ao ouvir garoto de 8 anos tocando cover do Dream Theater

Mike Portnoy
"Gostaria que fôssemos uma família feliz"

Flashback
Os 10 melhores álbuns do ano de 1992

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 04 de setembro de 2012

Todas as matérias da seção Resenhas de ShowsTodas as matérias sobre "Dream Theater"

Los Angeles
Fotos de roqueiros célebres em situações cotidianas

Red Hot Chili Peppers
Rock & Roll está morto, diz Flea

Bruce Dickinson
Ouça o alcance de quatro oitavas do vocalista

Dave Mustaine x Metallica: entenda a complicada relaçãoCradle of Filth: Chimbinha, do Calypso, usando camiseta?Fora do Armário: Ex-membros do Death se assumem como gaysSepultura: Derrick Green agora é um músico profissionalCatra e os Templários: Se comparando a Coverdale e salvador do Rock'n'RollLoudwire: os 25 melhores álbuns de estreia do Metal

Sobre Pedro Zambarda de Araújo

Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.

Mais matérias de Pedro Zambarda de Araújo no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online