Em 01/09/2012 | Resenha - Dream Theater (Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília/DF, 01/09/12)

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Resenha - Dream Theater (Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília/DF, 01/09/12)


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Essa redatora já começa admitindo sua parcialidade: basta dar uma lida em seu release para descobrir que a banda que se apresenta figura entre suas favoritas. É a terceira vez que tenho a alegria de testemunhar uma apresentação do Dream Theater. Eles são assíduos em território brasileiro, mas a presença deles nessa oportunidade guarda uma faceta especial, pois é a primeira vez que o baterista Mike Mangini se encontra na formação acompanhando La Brie, Petrucci, Rudess e Myung. E depois da um tanto quanto tumultuada substituição de Mike Portnoy, o interesse em ver se o cara das baquetas tinha garrafa velha para vender era grande.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

O quinto e último show, não só da turnê brasileira, como também de toda turnê mundial teve lugar no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, um ambiente melhor descrito como um verdadeiro teatro. O palco, não muito grande, tinha em sua parte superior 3 imagens geométricas como que “dependuradas” no alto e dois telões nas laterais externas. E desde antes do início do show já se podia ver o majestoso e colossal kit de Mike Mangini respousando sob luzes roxas: equipamento que fica até difícil descrever, com uma estrutura onde alguns dos elementos ficam acima do baterista.

Às 21:24, todas as luzes se apagaram para o início do espetáculo, e a função dos quadros geométricos se revelou enquanto neles eram projetadas figuras. Os membros da banda foram transformados em personagens de um desenho animado: La Brie um pirata, Mangini um gênio azul, Rudess um mago, Myung um samurai e Petrucci um guerreiro medieval. Os músicos finalmente entram no palco, com Petrucci e Mangini se apresentando e fazendo as honras. LaBrie é o último a entrar, saudando o público para a performance da Bridges in the Sky, que foi a abertura de todos os shows no Brasil, canção do último álbum da banda, com um início que te faz imaginar um enorme gigante bocejando ao despertar.

Em seguida, a exemplo das apresentações em São Paulo e Rio de Janeiro, veio a 6:00, com sua intro que destaca a bateria seca e bem ritmada, seguida pela guitarra, enquanto imagens de relógios passavam nos quadros geométricos, acompanhadas do vocal irritado de LaBrie. Ao terminar, LaBrie cumprimenta o público, anunciando que é o show final da turnê e agradece, dizendo que eles têm muita música e muito tempo.

A sequencia da Dark Eternal Night faz o público vibrar efusivamente com seu som pesado acompanhado pela projeção de imagens do imortalizado filme Nosferatu, tudo evocando um pesadelo, em uma verdadeira confusão de luzes e sons, como o despertar de um sonho ruim. Ao final o público está totalmente envolvido pela força da música, acompanhando o ritmo da música com gritos de “ei, ei, ei”, enquanto Petrucci e Myug sobem na plataforma da bateria de Mangini.

As luzes se apagam e surge Petrucci levando os primeiros acordes melódicos da This is the Life, seguido por LaBrie que sussurra com delicadeza os primeiros versos da música, uma verdadeira massagem nos tímpanos. Depois de tamanha brandura, o peso da introdução da The Root of All Evil é um estrondoso contraste, fazendo parecer que o ambiente está a começar a tremer, com a guitarra arranhada e a dramaticidade da canção. O fim da música provoca gritos do público enquanto tudo se escurece novamente.

Iniciam sons de água enquanto Rudess inicia os acordes da Lost Not Forgotten, acompanhado por Petrucci que no momento ostentava uma maravilhosa guitarra de profundo azul com as bordas pretas. Finalizada, LaBrie apresenta orgulhosamente Mike Mangini para executar seu solo e mostrar que não há razão nenhuma para a existência das chamadas “viúvas de Portnoy”, esbanjando uma técnica absolutamente impecável que encanta e empolga o público.

Sem descanso após o solo, Mangini já puxa o início da A Fortune in Lies, do primeiro álbum da banda, numa toada frenética e acelerada, comandada pelo vocal pungente, estridente e aguçado de James LaBrie, que vem fazendo uma performance absolutamente impecável. Com o apagar das luzes Petrucci ressurge sentado num banquinho com um violão, sinalizando o momento acústico do espetáculo. Depois da levada nervosa da música anterior, Labrie volta para encher de suavidade os ouvidos do público, numa voz de travesseiro cantando a The Silent Man, acompanhado pelo público que canta junto e bate palmas no ritmo da canção. Em seguida fica tudo azul para o início da Beneath the Surface, uma verdadeira obra prima na modesta opinião desta redatora, uma das canções mais belas que já tocaram meus ouvidos.

Encerrado o momento banquinho e violão, segue a Outcry, que tem sua letra falando coisas de guerra, sangue e destruição ilustrada por imagens remissivas ao Oriente Médio projetadas nas figuras geométricas. Depois Rudess começa dedilhando lindamente dando início a seu belíssimo solo, iluminado por uma suave luz rosa, digno de levar sorrisos aos rostos de Bach, Mozart e Beethoven, onde quer que estejam, fazendo com que o público com empolgação grite “Jordan, Jordan, Jordan” ao fim.

LaBrie retorna e saúda Rudess, para começar a Surrounded em mais uma performance vocal impecável, belíssima, aguda, alta e potente. Posteriormente vem a On the Backs of Angels, canção que garantiu à banda sua primeira indicação ao Grammy na categoria de melhor performance de Rock/Metal.

Prosseguindo após a seqüência de War Inside My Head e The Test that Stumped Them All, ambas do álbum Six Degrees of Inner Turbulence, é a vez de John Petrucci solar e, por incrível que pareça, não veio com os shreds que lhe são tão habituais e lhe saem com tanta facilidade. O solo remeteu à magia e sutileza de ídolos dele como Steve Howe e David Gilmour.

LaBrie retorna e convoca o público avisando que a The Spirit Carries On demanda a voz de todos, que prontamente respondem lindamente ao chamado. Se há canções cuja beleza é difícil descrever, essa de fato é uma delas. O momento proporcionado foi de pura contemplação.

Após a Breaking All Illusions destacar o melhor e mais autêntico estilo do Dream Theater, no amálgama de teclado, guitarra e bateria, a banda se retira do palco. Mas o público sabe que o show não acabou e permanece imóvel. A pausa foi bem rápida e brevemente eles voltam com a Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper. Rudess ostenta seu chapéu de mago e Myung mostra, soberbo, toda sua eloqüência, enquanto imagens de uma metrópole são projetadas nas figuras geométricas. A complexidade da música faz o ouvinte massagear seu ego na assertiva de que tem de ser inteligente para apreciar uma canção assim.

Em clima de despedida, LaBrie faz questão de agradecer à equipe que esteve com a banda durante a longa jornada. Mais uma vez parecia ser o fim do espetáculo, mas o público gritava insistentemente pela “Pull Me Under” que fechou o bis de todas as passagens nacionais. Afinal, o set não fora segredo.

Mas de fato era o fim: foi um espetáculo fabuloso, como era de se esperar de uma banda da virtuosidade do Dream Theater, que apresentou com perfeição um set bem inteligente, que conseguiu não só passar por todas as fases da carreira da banda como também destacar o último trabalho da banda.

Set:

1. Bridges in the Sky (do álbum A Dramatic Turn of Events)
2. 6:00 (do álbum Awake)
3. The Dark Eternal Night (do álbum Systematic Chaos)
4. This is the Life (do álbum A Dramatic Turn of Events)
5. The Root of All Evil (do álbum Octavarium)
6. Lost Not Forgotten (do álbum A Dramatic Turn of Events)
7. A Fortune in Lies (do álbm When Dream and Day Unite) Acústico
8. The Silent Man (do álbum Awake)
9. Beneath the Surface (do álbum A Dramatic Turn of Events)
10. Outcry (do álbum A Dramatic Turn of Events)
11. Surrounded (do álbum Images and Words)
12. On the Backs of Angels (do álbum A Dramatic Turn of Events)
13. War Inside My Head (do álbum Six Degrees of Inner Turbulence)
14. The Test that Stumped Them All (do álbum Six Degrees of Inner Turbulence)
15. The Spirit Carries On (do álbum Metropolis, Part 2: Scenes From a Memory)
16. Breaking All Illusions (do álbum A Dramatic Turn of Events)

Bis:
17. Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper (do álbum Images and Words)

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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