Resenha - Ugly Kid Joe (Opinião, Porto Alegre, 12/08/2012)

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Por Paulo Finatto Jr.
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O rock norte-americano dos anos noventa está de volta. Com um currículo invejável de hits e um show realizado no memorável Hollywood Rock de 1994, o quinteto californiano UGLY KID JOE apostou todas as suas fichas em um retorno, mesmo após mais de uma década separado. O empenho foi transformado no ótimo EP “Stairway to Hell” (2012) e evidenciou a necessidade do grupo retomar as excursões para mostrar que o espírito jovem do conjunto permanece intacto. O clima extremamente favorável do novo material e o ambiente saudosista criado em torno do conjunto marcaram o primeiro espetáculo do UGLY KID JOE em terras gaúchas. A aura criada para a noite do último domingo definitivamente não poderia ter sido melhor.

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Fotos por Liny Rocks (www.flickr.com/linyrocks)

Embora com a casa ainda relativamente vazia, a gaúcha CARTEL DA CEVADA mostrou profissionalismo e subiu ao palco do Opinião no horário estipulado para o show de abertura. A banda formada por Igor Assunção (vocal e guitarra), Nando Rosa (guitarra), Richard Zimmer (baixo) e Samuel Sbaraini (bateria) empolgaram o público em um set de aproximadamente 35 minutos e de muito rock n’ roll sem frescuras. A pegada agressiva do quarteto e o teor escrachado de suas letras certamente constituem o diferencial da banda em comparação com os outros nomes do underground porto-alegrense. O show foi realmente ótimo e o público percebeu isso de imediato. Os destaques ficaram por conta das faixas “A Puta Mais Feia” – disparada a melhor – e “Caminhoneira”.

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A pontualidade da CARTEL DA CEVADA serviu de modelo e o UGLY KID JOE também entrou em cena no horário previamente marcado. A banda atualmente formada por Whitfield Crane (vocal), Klaus Eichstadt (guitarra), Dave Fortman (guitarra), Cordell Crockett (baixo) e Shannon Larkin (bateria) estava pronta para iniciar o seu espetáculo às 22h, para um público um pouco mais consistente em questão de números. A longa introdução instrumental escolhida pelo grupo californiano se mostrou um pouco desnecessária para a sequência de músicas rápidas e vibrantes que viria em seguida. Com os principais sucessos dos seus dois primeiros discos, “American’s Least Wanted” (1992) e “Menace to Sobriety” (1993), o grupo compôs a maior parte do seu repertório. A escolha se mostrou correta, pois era justamente o que os fãs gaúchos esperavam ver ao vivo.

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Com um toque de rap, “V.I.P” evidenciou muitíssimo bem o que seria uma constante em todo o espetáculo do UGLY KID JOE. O carisma do vocalista Whitfield Crane – assim como do restante do conjunto – saltaram aos olhos e tornaram o show da banda um evento interessante e, ao mesmo tempo, divertidíssimo. Do álbum “Motel California” (1996), “Dialogue” antecedeu o primeiro ápice da noite. A faixa “Neighbor” tirou o público do chão e foi cantada por boa parte dos presentes. O frontman do quinteto californiano era o mestre de cerimônias da noite. Ele era quem comandava tudo o que acontecia em frente ao palco. Na sequência, “Jesus Rode a Harley” e “C.U.S.T.” provaram que nem mesmo o hiato de mais de uma década foi capaz de desfazer a química entre os integrantes UGLY KID JOE. A noite estava envolvida no mais perfeito clima de saudosismo.

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A “recente” formação do UGLY KID JOE – se é que se pode chamá-la assim – é a base mais consistente do novo direcionamento musical dos caras. O trabalho apresentado no EP “Stairway to Hell” (2012) é mais pesado e elaborado calculadamente para arrasar ao vivo. As faixas “No One Survives” e “Devil’s Paradise” foram as únicas duas retiradas do novo trabalho do conjunto e mostraram que possuem fôlego e impacto suficiente para permanecerem por muito tempo no repertório do UGLY KID JOE. Embora pouco conhecidas, as músicas foram extremamente bem recebidas pela plateia. Em seguida, o hit “Cats in the Cradle” reacendeu os ânimos dos presentes. O clima de animado de “It’s Alright” manteve o pique e destacou o envolvimento do vocalista Whitfield Crane com o espetáculo. Ele pediu para que os fãs posicionados mais ao fundo viessem para frente do palco. A estratégia funcionou e o UGLY KID JOE ainda emendaria “Tomorrow’s World” e a pesada “You Make Me Sick” logo após.

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O show do UGLY KID JOE não reservava grandes surpresas para a sua terceira e última data no Brasil. No entanto, a energia e o comprometimento de cada um dos integrantes eram visíveis. O cover de “Sweet Leaf” (BLACK SABBATH) e a execução sensacional de “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” (AC/DC) apenas complementaram uma noite que já era embalada de maneira formidável com faixas do calibre de “Milkman’s Son” e “Madman” – que contou mais uma vez com o apoio das vozes da plateia. Em “Goddman Devil”, o primeiro momento inusitado da noite. O “mascote” da CARTEL DA CEVADA – uma espécie de diabo gaúcho – retornou ao palco do Opinião para acompanhar o quinteto californiano com um espeto de churrasco e labaredas de fogo. A entrada do “sexto elemento” foi acertada e encerrou de maneira mais do que criativa a primeira parte do espetáculo. Entretanto, ainda faltava alguma coisa.

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Na volta para o bis, o UGLY KID JOE utilizou uma boa fatia do tempo para brincar e interagir com a plateia. A execução da rappeada “Sandwich” foi uma surpresa para muitos, já que a faixa era a única novidade no set-list, se comparado com a lista de músicas escolhida para o show de São Paulo, na noite anterior. O desafio proposto por Whitfield Crane levou o guitarrista Dave Fortman a executar trechos de RATT e de “Holy Diver”, de mito DIO, para o delírio de muitos. Por outro lado, pesadíssima “God” e a densa “Clover” serviram apenas para preparar o terreno para o que viria logo depois. O hit “Everything About You” encerrou o show do UGLY KID JOE exatamente como os fãs esperavam. O resultado final atingido por Whitfiled Crane & Cia. foi excelente e mais do que suficiente para a parcela do público que aguardou – e por muito tempo – a oportunidade de ver finalmente o grupo ao vivo.

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O UGLY KID JOE provou em 1h45 de show que o seu retorno à ativa não é apenas pelo dinheiro. A banda mostrou que ainda esbanja competência técnica e muito bom gosto na hora de criar novas composições. O EP “Stairway to Hell” (2012) é apenas uma pequena parte do que Whitfield Crane & Cia. tem em mente para o futuro do conjunto. A expectativa agora é que o UGLY KID JOE retorne ao Brasil e a capital gaúcha em uma próxima oportunidade. O que é bom nunca sai de moda. O rock norte-americano dos anos noventa está realmente de volta.

Site:
http://www.carteldacevada.com

Set-list:

01. Intro
02. V.I.P
03. Dialogue
04. Neighbor
05. Jesus Rode a Harley
06. C.U.S.T.
07. Panhandlin’ Prince
08. No One Survives
09. Devil’s Paradise
10. Cats in the Cradle
11. I’m Alright
12. Tomorrow’s World
13. You Make Me Sick
14. Milkman’s Son
15. Sweet Leaf (Black Sabbath)
16. Madman
17. Goddman Devil
18. Dirty Deeds Done Dirt Cheap (AC/DC)
19. God
20. Sandwich
21. Clover
22. Everything About You

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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