Mokoma: um cantinho, um violão e thrash metal finlandês

Resenha - Mokoma (Tammerfest, Finlândia, 13/07/2012)

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Por Marina Reis
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O barco M/S Tammerkoski deixou o porto Laukontorin Satama às 19:00. Do lado de dentro, a fila para o único bar disponível era grande e não havia mais lugares para sentar. Do lado de fora, aproveitando a brisa, era possível ouvir o barulho do barco a iniciar nosso pequeno cruzeiro em um dos milhares de lagos finlandeses. O desejo era que esse som se tornasse mais alto que a música ruim que nos alcançava de algum outro canto da cidade, certamente oriunda de alguma das várias tendas do festival musical que agora tomava conta de Tampere, o Tammerfest.

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Da parte externa, tinha a visão perfeita do palco, a uma certa distância. Ao menos foi assim durante o show de abertura, quando a fila para o bar diminuiu e eu pude também comprar minha cerveja a 5,50 Euros. Pois é! Talvez no preço estivesse incluso o arco-íris que nos surpreendeu depois da chuva?

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Quando a banda de thrash metal MOKOMA se colocou a postos e tomou os instrumentos para apresentar o seu acústico, várias pessoas formaram um aglomerado que tomou desde a parte frente ao palco até ao menos metade do barco, enquanto alguns, como eu, conformaram-se com o fundão. Como não me conformei por muito tempo, fui tentando me emaranhar em meio a massa de camisas pretas para tentar enxergar alguma coisa.

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Ao contrário das diversas bandas finlandesas que cantam em Inglês e são então mais facilmente conhecidas e apreciadas no Brasil e em países mundo afora, o MOKOMA é uma banda finlandesa que canta em Finlandês. Com dois discos lançados pela EMI que não foram lá um grande sucesso de vendas (“Valu”, de 1999 e “Mokoman 120 päivää”, de 2001), a banda foi dispensada pela gravadora, o que os levou a criar o selo Sakara Records em 2003, a fim de lançar seus próprios álbuns. Atualmente, o MOKOMA desfruta de uma carreira com cerca de 8 álbuns lançados, além de EPs e DVDs bem recebidos por seus dedicados fãs e pela crítica especializada. A Sakara Records passou a ser também o selo de lançamento para outras bandas no país, como STAM1NA, RYTMIHÄIRIÖ, BLACK BILE, DIABLO e YUP, sendo que 16 dos 17 lançamentos do selo alcançaram o topo das paradas finlandesas.

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Durante o show, fomos abordadas por algumas pessoas e, para nosso desespero, em Finlandês. Quando respondíamos em Inglês explicando que não entendíamos, espantavam-se, como se o fato de estarmos ali não fizesse sentido algum. Um deles ria quando eu cantava trechos das canções que conhecia, perguntando-me se eu entendia o significado das letras. Entendo a graça, mas não entendo a razão de precisarmos nos justificar tantas vezes nesse tipo de situação, afinal, nem todos os admiradores de ÉDITH PIAF entendem Francês! De uma forma razoável, as ferramentas de tradução ajudam um bocado, mas são obviamente limitadas quando o assunto é música ou qualquer escrita criativa em que as nuances e jogos de palavras são muitas vezes o que mais importa. Marko Annala, o vocalista e principal compositor da banda, é considerado um grande letrista, ousando abordar no metal temas pouco usuais para um gênero hermético e pouco receptivo a exceções.

Quando desisti de ficar na ponta dos pés vendo os pescoços a minha frente, uma das almas gentis que conhecemos disse que era possível dar a volta por cima do barco e descer a escada do outro lado para finalmente ver o show. Fomos eu e Lina Nyberg que, a essas alturas, estava sobre uma das mesas onde conseguiu um lugar para fotografar o evento. Como mesmo dando a volta por cima (literalmente) não conseguimos lugar lá dentro, ficamos atrás de um casal na escada externa, próxima à porta que dava para o palco, de onde era as vezes possível ver alguma coisa, por exemplo, a camiseta de Marko, que mostrava os diferentes estados de humor de Darth Vader.

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E o que para nós era um show que acabava de começar, mostrou-se um show que acabava de terminar. Fomos repentinamente surpreendidos pelos integrantes da banda deixando os instrumentos e subindo as escadas onde estávamos. Não convencida, resolvi perguntar: “Mas acabou?”. Marko subia as escadas e sorria, aparentemente confuso com minha pergunta (talvez porque falava Inglês?) e devolveu um incerto “Sim…”. Ainda não satisfeita, ou por puro masoquismo, resolvi perguntar novamente, dessa vez para Tuomo, que subia as escadas por último: “Acabou?”, no que ele respondeu de forma certeira e fatal: “SIM!”. Agora não restava dúvida.

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O pequeno M/S Tammerkoski prosseguiu sua viagem de volta ao cais. No bar, nenhuma fila, apenas nos banheiros. Havia espaço de sobra nas mesas, estavam todos do lado de fora aproveitando o vento do verão finlandês, que me lembrou o outono-inverno brasileiro. Após o show relâmpago, do qual vi apenas flashs, concluo que esse não é um mundo para pessoas de 1,64 m de altura, mas ainda assim, foi muito bom ouvir todos cantando “Koiruoho”, “Kuu saa valtansa auringolta” e gostei bastante das versões acústicas de “Hei hei heinäkuu” e da pancada “Sydänjuuret”.

Para ouvir no Youtube a versão original e acústica de “Sydänjuuret”:

Acústica:

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Original:

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Para mais informações:
http://www.mokoma.com

Agradecimentos: Lina Nyberg, pelas fotos, e Denise Alba, idealizadora do site “Sobre Café e Cigarro” (www.sobrecafecigarro.com.br ), que me apresentou a música do MOKOMA, há alguns anos. Obrigada!

Marina Reis

Obs.: As fotos são de autoria de Lina Nyberg, com exceção da foto da banda completa ao final do quarto parágrafo, de autoria de Joonas Brandt.

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