Resenha - Letz Zep (Opinião, Porto Alegre, 19/05/12)

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Resenha - Letz Zep (Opinião, Porto Alegre, 19/05/12)


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O espírito do rock n’ roll dos anos setenta permanece ainda vivo mesmo após o fim de bandas como QUEEN e LED ZEPPELIN. A proposta de levar a palavra ‘cover’ ao seu sentido mais amplo – e aos palcos o que estaria disponível somente em CDs e DVDS – tem sido a principal responsável por isso. Os argentinos do GOD SAVE THE QUEEN prestam uma homenagem emocionante ao grupo de FREDDIE MERCURY e BRIAN MAY e devem ser os o grupo cover mais famoso em atividade frequente no Brasil. Porém, os ingleses do LETZ ZEP – que foram apontados em 2011 como a melhor banda tributo do LED ZEPPELIN no mundo inteiro – quer agora um reconhecimento por aqui também. O grupo visitou a capital gaúcha no último sábado para mostrar o porquê de tanto frenesi em torno do seu nome.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Fotos: Liny Rocks

Com cerca de trinta minutos de atraso, o quarteto Billy Kulke (vocal), Andy Gray (guitarra), Steve Turner (baixo e teclado) e Benjy Reid (bateria, ex-PRAYING MANTIS) subiram ao palco do Opinião para iniciar o repertório programado para a noite, muito diferente se comparado com o que foi apresentado em São Paulo dois dias atrás. Embora o conjunto de clássicos do LED ZEPPELIN seja o principal atrativo do LETZ ZEP ao vivo, a indumentária da banda, que é uma cópia impecável do figurino que o grupo de ROBERT PLANT e JIMMY PAGE usava na década de setenta, enche os olhos do público antigo que cresceu junto com a banda (ou na mesma época). A ideia do quarteto inglês é reproduzir exatamente a mesma áurea de um show do LED ZEPPELIN – com Billy Kulke assumindo a dianteira ao reproduzir todos os trejeitos de ROBERT PLANT em cena. Como um autêntico grupo cover, a imagem do LETZ ZEP funciona perfeitamente bem ao vivo.

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No entanto, o LETZ ZEP ainda não está no mesmo nível de excelência em que se encontra o GOD SAVE THE QUEEN e o THE BEATS – apenas para termos como parâmetro duas outras propostas cover que almejam ser uma cópia fiel do seu original. O vocalista Billy Kulke até pode ser dono de uma voz excepcional. Porém, é praticamente impossível reproduzir o mesmo timbre e a mesma potência de ROBERT PLANT – que sempre mesclou agressividade e melodia de maneira extremamente natural. O cantor do LETZ ZEP atinge facilmente das as notas altas, mas sem imprimir a mesma intensidade visceral. De qualquer modo, o show do quarteto é sem dúvida muito bom, mas está distante de transmitir o mesmo ‘feeling’ de qualquer performance ao vivo do LED ZEPPELIN, como no vídeo “The Song Remains the Same” (1976).

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O bacana no show do LETZ ZEP é que o quarteto inglês não se limita a executar apenas as músicas mais famosas da banda original. O fato até pode torcer o nariz de muitos – na capital paulista o conjunto aparentemente não executou a imprescindível “Immigrant Song” para emendar as menos conhecidas “Bron-Y-Aur Stomp” e “When the Levee Breaks” – mas pode representar também um prato cheio para os mais fanáticos. Embora o som do Opinião estivesse muito baixo para um show de rock, Billy Kulke & Cia. entraram em cena com a óbvia “Rock n’ Roll”, que funcionaria perfeitamente como abertura se o volume da casa estivesse mais alto. A música não transmitiu para a plateia, que enchia boa parte do local, o que era ‘feeling’ correto: o publicou apenas acompanhou o LETZ ZEP com os olhos. Entretanto, o clima mudou um pouco na inesperada “Good Times Bad Times”. Os presentes cantaram timidamente com Billy Kulke e ainda viram o quarteto inglês mandar uma excelente versão para “Ramble On” – que dava o primeiro indício de que o som da casa estava aos poucos ficando mais redondo. Na sequência, “I Can’t Quit You Baby” e “Misty Mountain Hop” elevaram os ânimos no Opinião. A primeira foi cantada por boa parte da plateia e a segunda ovacionada com palmas ao seu final.

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O clima morno do show teve ápices isolados em boa parte repertório. O primeiro provavelmente foi com a balada “Since I’ve Been Loving You” e com a performance sensacional e emotiva de Billy Kulke. O cantor do LETZ ZEP atingiu todas as notas altas da música com uma excelência ímpar. Na sequência, o quarteto inglês deixou o público perplexo com “No Quarter”. A próxima música tinha tudo para ser outro destaque absoluto do show, mas infelizmente conquistou pouquíssimo destaque. A temperatura do Opinião não se elevou nos momentos mais agressivos de “Babe I’m Gonna Leave You” – como era previsto – justamente por conta do volume baixo dos PA’s da casa. Porém, o publicou se envolveu com o espetáculo ao ponto de não mostrar impaciência com o longo solo de Andy Gray, que transformou a guitarra em um violino. A improvável “Achilles Last Satnd” antecedeu o primeiro grande e verdadeiro momento da noite: o LETZ ZEP foi extremamente ovacionado antes e depois de uma belíssima performance com “Kashmir”.

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Embora o LETZ ZEP tente reproduzir em cena um pouco do que pode ser visto no VHS/DVD “The Song Remains the Same” (1976), o show do quarteto inglês contempla todas as fases do LED ZEPELLIN, até mesmo a de pouco sucesso comercial. O espetáculo continuou com a estranha “Trampled Under Foot” – mas que funcionou de maneira excelente ao vivo – e com a rotineiramente esquecida por muitos “Thank You”. Os maiores sucessos do conjunto obviamente causam um retorno acima da média. Com uma performance um pouco mais acelerada do que a original, “Stairway to Heaven” era provavelmente a música mais aguardada da noite. O quarteto inglês mostrou qualidade técnica e estratégia ao deixar para o final a maioria dos clássicos. A instrumental “Moby Dick” – que evidenciou toda a competência de Benjy Reid com as baquetas – e “Whole Lotta Love” encerraram a primeira parte do espetáculo com maestria.

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A primeira impressão era de que o LETZ ZEP encerraria o espetáculo após a primeira música do bis e que deixaria certos hits indispensáveis de for do repertório. No entanto, o show foi mais extenso se comparado com a performance executada na capital paulista anteriormente. As clássicas “Communication Breakdown” e “Immigrant Song” marcaram o set-list gaúcho de maneira mais do que qualificada se comparado com o repertório de São Paulo. O encerramento da noite foi uma versão matadora de “Black Dog” – que de maneira equivocada não costuma fazer parte de todos os espetáculos do LETZ ZEP. Portanto, o público que compareceu ao Opinião não teve motivos ir embora insatisfeito. Não há dúvidas de que um show mais enérgico e mais alto funcionara melhor – mas é verdade também que o que LETZ ZEP proporciona ao vivo já é suficiente para um final feliz.

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Set-list:

01. Rock n’ Roll
02. Good Times Bad Times
03. Ramble On
04. I Can’t Quit You Baby
05. Misty Mountain Hop
06. Since I’ve Been Loving You
07. No Quarter
08. Babe I’m Gonna Leave You
09. Achilles Last Stand
10. Kashmir
11. Trampled Under Foot
12. Thank You
13. Stairway to Heaven
14. Moby Dick
15. Whole Lotta Love
16. Communication Breakdown
17. Immigrant Song
18. Black Dog

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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