Um muro em construção, trajes militares, fogos e muito rock conceitual. Foi assim que Roger Waters, ex-baixista do Pink Floyd, abriu seu show baseado no CD The Wall em São Paulo, no último domingo (1). Com o refinamento de um maestro, Roger conduziu uma apresentação que contagiou de imediato pelo cuidado com o som, que repercutiu sem falhas por todo o Estádio do Morumbi, e pelas diversas animações projetadas nos tijolos do muro, catapultando todos os presentes para dentro de um videoclipe de alta qualidade.
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Foi difícil não se emocionar com as letras de Waters nesse disco executado na íntegra, que abordam desde o totalitarismo (concentrado em seu protagonista, o introspectivo Pink) passando pela relação problemática com os pais e até chegar no sensação de solidão. As 26 músicas desse épico foram executadas na íntegra, com alguns acréscimos em Another Brick in the Wall Part 2 e passagens mais modernizadas entre as canções.
Roger Waters também aproveitou o show todo para prestar homenagens para a família do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica sob a suspeita falsa de terrorismo, além de relembrar os mortos nas guerras do Afeganistão e do Iraque. "Dedico o concerto a Jean Charles e sua família pela luta pela verdade e justiça e a todas as vítimas do terrorismo de Estado", afirmou Waters, arrancando aplausos entusiasmados da multidão que lotava o Morumbi. A apresentação era o seu protesto pessoal e coletivo, com seus fãs, contra o que ele considera abusivo e monstruoso na sociedade contemporânea.
O show fez os olhos dos presentes brilharem quando, em Goodbye Blue Sky, Roger Waters projetou aviões de bombardeio derrubando desde a foice e o martelo socialista até o símbolo do dinheiro e de corporações como a Shell. The Wall é um manifesto sobre loucura, totalitarismo e luta contra todos os poderes e símbolos que predominaram no século XX até a queda do muro de Berlim.
Quando o concerto se aproximou das músicas finais, como The Trial, o sistema de som começou a se tornar ensurdecedor, como se estivéssemos na paranóia de seus personagens, afetados pelas guerras mundiais e pelas guerras sem sentido. Os paulistanos gritaram, com força, "tear down the wall", enquanto Waters destruía seu próprio espetáculo, derrubando o muro.
Ao testemunhar o show de um homem que domina a arte da apresentação, toda a plateia sente uma espécie de libertação e de renovação. The Wall de Roger Waters em São Paulo, mesmo sem os integrantes do Pink Floyd originais, traz essa sensação.
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Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.
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