Em 27/03/2012 | Resenha - Iced Earth (Opinião, Porto Alegre, 27/03/12)

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Resenha - Iced Earth (Opinião, Porto Alegre, 27/03/12)


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O desejo de assistir um show do ICED EARTH é uma vontade antiga para os gaúchos. No início da década passada, quando a banda norte-americana excursionava com o disco “Horror Show” (2001), por pouco uma turnê pelo Brasil (e uma data na capital gaúcha) não foi confirmada. Os anos se passaram e o grupo – que esteve no auge da sua forma criativa com Matthew Barlow e ainda contou com Ripper Owens em dois ótimos registros– precisou remodelar o seu trabalho com a entrada de um novo cantor em 2011. Embora sem o mesmo brilho do passado, a banda concretizou o sonho de muitos. A turnê que apresenta o vocalista Stu Block e o novo “Dystopia” (2011) finalmente passou por Porto Alegre.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Fotos: Liny Rocks

A pequena fila formada em frente ao Opinião meia hora antes do início previsto para o espetáculo dava indícios de que o público não seria em grande número. Porém, o atraso de uma hora – por desleixo da banda ou como forma de esperar que a casa enchesse um pouco mais – foi útil para que o quadro fosse revertido a favor do ICED EARTH. Com a pista um pouco mais cheia, o novato Stu Block (vocal), Jon Schaffer (guitarra e o único remanescente da formação original), Troy Seele (guitarra), Freddie Vidales (baixo) e Brent Smedley (bateria) entraram em cena com um som potente e muito consistente. O heavy metal tradicional – e extremamente pesado – do grupo funcionou perfeitamente no volume mais elevado. Como abertura do espetáculo, a faixa-título do mais recente trabalho mostrou o quanto os gaúchos já estão em sintonia com “Dystopia” (2011). Os pedidos do carismático Stu Block eram correspondidos prontamente por parte da pista que se concentrava rente ao palco.

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O repertório de Jon Schaffer & Cia. obviamente privilegiava as faixas novas. No entanto, o quinteto norte-americano também pode fazer um apanhado de toda a sua carreira. A música “Angel Holocaust” – perfeita para ser executada ao vivo e proveniente do álbum “Night of the Stormrider” (1992) – veio na sequência. Embora o álbum “The Dark Saga” (1996) possua músicas mais imponentes, a escolha por “Slave to the Dark” provou que quase nada da discografia do conjunto seria deixado de fora. Por outro lado, o material retirado do novo “Dystopia” (2011) mostrou que possui duas caras. A primeira engloba o fato de que o vocalista Stu Block corresponde perfeitamente bem em estúdio. A segunda – um pouco menos favorável – deixou indícios de que o novo frontman precisa um pouco mais de experiência em cima do palco. Embora a sua vontade encha os olhos do público, a potência da sua performance precisa ser comedida para durar as duas horas de show. O novo cantor tenta fazer ao vivo uma verdadeira mistura entre os estilos de Matthew Barlow e Ripper Owens. O que falta é um pouco de personalidade e capacidade para aguentar o tranco até o fim.

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De qualquer modo, Stu Block passa por média – mesmo que com ressalvas. A prova é visível no que o cantor faz em “Stand Alone”. A música extremamente pesada e retirada do clássico “Something Wicked This Way Comes” (1998) caiu como uma luva na voz do ex (ou atual)-INTO ETERNITY. A complexa e recheada de momentos ritmos diversificados “When the Night Falls” é outra que merece destaque dentro do repertório montado pelo ICED EARTH para a nova turnê. O público cantou junto e agitou bastante na música que antecedeu outro grande momento do espetáculo: “The Hunter”. A clássica faixa retirada do aclamado “The Dark Saga” (1996) pode ser apontada como o ápice da noite e evidenciou mais uma vez a versatilidade de Stu Block. Ela ainda comprovou como o passado da banda formada por Jon Schaffer na década de oitenta é realmente glorioso.

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A sequência do espetáculo contou com o próprio Jon Schaffer assumindo o microfone para apresentar a próxima faixa. O líder do ICED EARTH – além de um excelente compositor – é um exímio guitarrista. O show do grupo norte-americano foi praticamente montado em cima das suas costas (e de seus riffs) e a sua performance foi particularmente sensacional. Embora a banda tenha perdido todos os integrantes do seu primeiro line-up, Jon Schaffer é quem mantém o espírito do ICED EARTH permanentemente vivo. A prova disso pode ser encontrada no trabalho de guitarras de “Damien” e também na nova “Anthem”. Por outro lado, o refrão marcante de “Declaration Day” e também de “Days of Rage” trouxe novamente o cantor Stu Block para os olhos do público. Embora o resultado das duas músicas tenha sido qualificado, é impossível compará-las com o estrago que foi durante “Watching Over Me” e em meio a épica “Dante’s Inferno”. A banda acertou por ainda guardar na manga uma balada forte e uma das mais envolventes músicas de toda a sua carreira (com mais de quinze minutos). Não há dúvidas de que era isso que o público queria assistir.

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O bis ainda reservava faixas aparentemente obrigatórias para qualquer show do ICED EARTH. A volta da banda ao palco do Opinião foi com a ótima “Burning Times” – que ganhou contornos ainda mais pesados ao vivo. Por mais que Stu Block tenha atingido o limite da sua voz em “Dante’s Inferno”, foi impressionante ver o cantor ainda com fôlego para não fazer feio em uma das músicas mais queridas da plateia. Na primeira despedida de Jon Schaffer & Cia., o grupo executou a homônima “Iced Earth”. As promessas de voltar um dia a capital gaúcha e o amor declarado ao público brasileiro se mostraram sinceros quando o grupo pediu os instrumentos aos roadies para mais uma música. Embora não estivesse no set-list, “Pure Evil” foi uma espécie de agradecimento pela receptividade dos fãs, sobretudo àqueles que vieram de Guaporé (RS) e que entregaram uma enorme e bonita faixa de boas vindas aos cinco integrantes. A alegria de todos era evidente na derradeira despedida – tanto no rosto dos músicos como no da plateia.

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O show do ICED EARTH durou aproximadamente 1h50 e deixou muita coisa clara após um espetáculo de puro heavy metal. Por mais que tenha perdido um pouco do foco nos últimos anos, a banda de Jon Schaffer ainda é uma das principais referências para o gênero, fato que foi comprovado após tantas músicas de impacto serem executadas e pela quantidade de outras faixas de qualidade que ficaram de fora do set-list. Embora um pouco prejudicado pelo som extremamente alto, Stu Block ainda precisa um pouco mais de estrada para ser considerado o frontman definitivo da banda. De qualquer modo, o público pouco se importou com o que ficou em aberto. Isso porque o desejo de assistir o ICED EARTH ao vivo foi finalmente realizado.

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Set-list:

01. Dystopia
02. Angels Holocaust
03. Slave to the Dark
04. V
05. Stand Alone
06. When the Night Falls
07. The Hunter
08. Damien
09. Anthem
10. Declaration Day
11. Days of Rage
12. Watching Over Me
13. Dante’s Inferno
14. Burning Times
15. Iced Earth
16. Pure Evil

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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