Em 24/02/2012 | Resenha - Soulfly (Sol Music Hall, Goiânia, 24/02/12)

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Resenha - Soulfly (Sol Music Hall, Goiânia, 24/02/12)


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Sou conterrânea de Max Cavalera, mas a ironia é que só fui vê-lo se apresentar pela primeira vez em Goiânia, depois que me mudei. A oportunidade surgiu quando ficou acertada a turnê da banda Soulfly pela América do Sul, que teria sua abertura em Goiânia. O quarteto formado pelo consagrado frontman, acompanhado do guitarrista Marc Rizzo, do baixista Tony Campos e do baterista David Kinkade viria se apresentar no dia 24/02/2012 no Sol Music Hall. Os dias que antecederam o início da turnê vieram com algumas surpresas: o filho de Max, Zyon, de 19 anos, assumiria as baquetas e Max fora diagnosticado com paralisia facial. Mas tudo correu dentro do esperado.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Na sexta-feira marcada, às 20:10 o mestre de cerimônia anunciava a inversão da ordem das bandas que abririam para a atração principal, explicando que o espetáculo começaria com a banda Claustrofobia que seria seguida da banda Kamura, em meio a agradecimentos à produção do evento. O local ainda estava vazio, mas ambas bandas fizeram apresentações bem consistentes trazendo uma agradável variação de estilos, principalmente no que diz respeito aos vocais, mas sempre mantendo o peso no som. Ambas empolgaram o público que cuidou de aproveitar os espaço de sobra para abrir rodas e se entregar ao rock. Às 21:30 terminaram as prévias, e já dava a impressão de que os presentes eram verdadeiros privilegiados pois eram um público selecionado numa terra onde imperam as duplas sertanejas: quem lá estava poderia ver de perto e sem tumulto um dos maiores, senão o maior ídolo nacional do metal.

Com as cortinas fechadas tendo as luzes do palco acesas para se evitar ver o que se passava no palco rolava um som ambiente. Às 22:06 as cortinas se abriram para a apresentação da atração principal ressaltando-se a importância do evento. Luzes vermelhas em meio a fumaça antecederam a entrada da banda no palco, onde se via à esquerda uma bandeira do Brasil. O som foi ficando mais intenso fazendo o ambiente pulsar e tremer com a ansiedade de ver o ídolo. Eis que ele entra no palco e cumprimenta os presentes com um sonoro porra, vestido de calça camuflada e camisa preta, ostentando longos dreads dourados. Zion surgiu como um moleque, de boné e óculos escuros e sem camisa. Nas laterais do palco, o baixista e o guitarrista escoltavam guardavam os flancos como dois leões de chácaras, impressão que se reforçava pela semelhança da aparência de ambos à distância. Abriram com Rise of the fallen.

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As luzes acompanhavam o peso da intro da Prophecy e depois vão colorindo o palco para a vinda do baixo ensurdecedor e furioso levando a platéia aos gritos de “ei”. No refrão Max entoava “this is your” chamando o povo para completar com um sonoro “Prophecy”. De repente o som veio como uma chuva de meteoros, que se misturou aos gritos de “aê porra” proferidos por Max para a chegada de sons de berimbau abrindo caminho para a “Back to the Primitive”, até serem ensurdecidos por uma verdadeira pancadaria para depois retornarem mantendo a característica bem tribal da música, com toda a brasilidade que Max sempre trouxe a seu som. Ao fim, Max tomou um breve fôlego cumprimentando Goiânia, para logo marcar 1, 2, 3, 4 dando início à “Downstroy”. O palco fica vermelho como sangue para acompanhar essa música que te dilacera como navalhas.

Enquanto as luzes iam refletindo sobre Max, ele empertigado ia mandando uma guitarra acelerada para depois vir a vez do baixo tremer as estruturas. A bateria de leve vem dar início à “Seek n Strike” sob as ordens de um ‘pulaê porra’ proferidas por Max, prontamente obedecidas pela galera que tirou os pés do chão enquanto o palco é tomado por luzes super coloridas. O povo vai participando gritando “ei” depois do refrão da música, até que ela se encerra num amálgama de podreira thrash.

Somente as luzes do palco atrás da bateria se acendem. No que aparentava um verdadeiro rolo compressor, o moleque começou a mostrar muita competência e firmeza. Era a “No Hope No Fear”, com uma guitarra acelerada antes de uma virada arrebatadora que muda todo o ritmo da música acompanhada de um baixo apressado que culmina com os gritos de “ei” da platéia enquanto no fim a guitarra chora. A banda não tem tempo nem de respirar e já sai mandando outra porrada: é a “Babylon”. Em dado momento as luzes caem só no guitarrista que faz as honras da casa.

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Eu havia feito votos de não tecer comparações do Soulfly com o Sepultura, mas sob o grito de “’vamo’ detonar essa porra” rola o cover da “Refuse Resist”. O público com punhos em riste gritava e ocupou-se em obedecer as ordens de “abre a roda, essa porra dessa roda aê”. A inflamação aumentou ainda mais quando se ouviram os primeiros acordes da “Territory” trazendo o êxtase. O palco então enegreceu para focar no filho do Max, que permanecia intrépido enquanto o povo acompanhava efusivamente com gritos de “ei”. Era hora da “Innerself” que vem com uma guitarra que te destrói como uma serra elétrica. Max grita “detonaêêê” enquanto seu filho vai só crescendo. Ao final deu até dar um suspiro. Mas só um suspiro. Max agora grita “Porradaaaa” anunciando a música seguinte. A essa altura o menino já tinha perdido o boné e os óculos. Era “porrada na favela, porrada na baixada”, mas o povo goiano é da paz. A roda se abriu sem incidentes.

Então Max com orgulho apresentou seu filho que foi para seu solo sem medo de ser feliz. Max volta ao palco incentivando o filho comandando um coro. Para a entrada da “Tribe” Max declama a passagem Zumbi é o Senhor das Trevas. Foi aí que um rapaz se atreve a subir ao palco para ser gentilmente arremessado de volta pelos seguranças. Durante a “Living Sacrifice” o baterista acelera num ritmo constante que de repente é interrompido. Essa passagem te faz sentir como um morto voltando à vida, um zumbi reerguendo da morte e se fortalecendo até acabar com uma porrada apocalíptica. Luzes amarelas esverdeadas se acendem durante a “Bring it” fazendo Max e seus dois fieis escudeiros das cordas parecerem doentes hepáticos implorando pela vida ofertando seu som pesado como recompensa. Eles ressurgem e Max profere um “gritaê” como afirmação de sua vida e daí vem uma surra ensurdecedora.

Com um intervalo de um segundo vem a “I and I” para fazer tudo tremer mantendo autêntico peso que se fez presente durante todo o show. O guitarrista veio como uma mistura de Tom Morello com Steve Vai na guitarra para ser arrebatada pelo acompanhamento do resto da banda enquanto Max comanda um “Goiânia faz barulho aê”. Daí ele apresenta a banda e termina com um comando de “pulaê, 1 2 3 4”. O povo virou um exército de dothrakis acompanhando seu mestre Khal Drogo. A “Arise” veio avassaladora como um trem desgovernado seguida da “Troops” e “No”. O povo atendia os comandos de Max que exigia “aê galera, põe a mão pra cima” para começar a “Roots Bloody Roots” que garantiu o maior roda da noite. Enquanto o baixista jogava água no povo, Max anunciava o novo álbum da banda, “Enslaved” e logo convoca a família Cavalera para subir ao palco que tem a presença de Igor e Richie Cavalera, filho e enteado de Max, respectivamente para entoar a “Attitude”. De repente começa um princípio de terremoto trazendo a “Revengence” e os dois jovens permanecem no palco para os vocais. Max agradeceu e se despediu dando boa noite.

Às 23:30 o palco se tingiu de vermelho e o público que não saiu do lugar esperando o bis começou a gritar Soufly e foi prontamente atendido por Max que chamou a “Jump” que fez até o chão pular. Para finalizar a guitarra rasgada da “Eye for an Eye”. O bis durou 10 minutos terminando o show às 23:30.

Realmente Max quis trazer o nome do Sepultura em honra à banda que o consagrou e muito provavelmente como forma de prestigiar um público que o admira e ansiava por ver todas as vertentes de seu grande trabalho. Sem frescuras ele trouxe um pouco de tudo e conseguiu acertar em cheio, administrando na medida certa a dosagem no setlist.

A banda: Max Cavalera, guitarra e vocais; Marc Rizzo, guitarra; Tony Campos, baixo; Zyon Cavalera, bateria.

O setlist:

Rise of The Fallen
Prophecy
Back to the Primitive
Downstroy
Seek n Strike
No Hope No Fear
Babylon
Refuse Resist
Territory
Innerself
Porrada
Tribe
Living Sacrifice
Bring It
I and I
Arise
Troops
No
Roots Bloody Roots
Attitude
Revengence
Jump
Eye for an Eye

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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