Apesar de muito nego praguejar dizendo que o rock/metal no Brasil está morrendo e blá, blá, blá, são iniciativas como o BEHOLDER FEST, que reuniu bandas como ICKTUS, THIS GRACE FOUND, RAINHA PLEBE, RYGEL, EYE OF THE BEHOLDER, RETTURN, HANGAR, KORZUS e RAIMUNDOS, que provam exatamente o contrário.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Texto & fotos: Julio Feriato
Ao chegar nos bastidores já deu pra sacar a bela infraestrutura que foi montada para receber bandas e imprensa. Aliás, a galera da imprensa teve total acesso ao que acontecia no backstage, o que gerou um clima descontraído e agradável entre todos.
Infelizmente nem tudo deu tão certo quanto o esperado. O evento estava marcado para começar às 12h, porém, a primeira banda subiu ao palco era quase 16h. Segunda a organização, isso ocorreu devido o atraso do Corpo de Bombeiros da cidade de Diadema em fazer a vistoria de segurança no local, que estava marcada há dias. E, para ajudar ainda mais, uma forte chuva caiu sobre o local.
Mas mesmo embaixo de chuva o pessoal da banda ICKTUS subiu ao palco para iniciar o evento, e foi legal ver que muitas pessoas não arredaram o pé de frente do palco mesmo com toda aquela água caindo. O som é heavy metal cantado em português com temática cristã, e agradou quem ficou para prestigiar.

Em seguida, sem delongas, o pessoal do THIS GRACE FOUND inicia seu set com muita empolgação. A chuva estava mais fraca, porém, insistia em cair. O vocalista Luiz Artur até soltou um "molhadinho é mais gostoso!" quando chamava a galera para se aglomerar em frente ao palco. E assim foi feito.

A banda é oriunda de São José dos Campos/SP e aos poucos esta se destacando na cena com seu thrash metal "grooveado" na linha de bandas como Machine Head e Lamb of God. Apresentaram músicas do primeiro EP (disponível pra baixar de graça no site da banda: www.thisgracefound.com) como as ótimas "Jungle Hooligan" e "40 Days". Todos no grupo agitam bastante, mas o vocalista Luiz Artur se destaca pelo seu carisma e empolgação. Guardem bem o nome de banda, pois não tenho dúvidas de que irão crescer muito.
Depois do ótimo set executado pelo THIS GRACE FOUND, foi a vez da banda RAINHA PLEBE começar sua apresentação que deu uma quebrada na adrenalina por se tratar de um rock/pop bem sem sal. Mesmo eles sendo de Diadema, eram poucos os que se empolgaram com sua música e não teve como não notar na cara de tédio da maioria. Com certeza foi a banda mais deslocada do evento.

Em seguida veio o RYGEL com seu power metal progressivo. Eles acabam de lançar deu primeiro CD intitulado "Realities - Life As it Is", e aos poucos se destacam entre os que curtem esse estilo mais pomposo, embora indiscutivelmente pesado. O vocalista Daniel Felipe (que também canta no Lothlöryen) é bastante versátil e consegue dar altos agudos sem exagerar muito.

Outro destaque é o guitarrista Wanderson barreto, que as vezes lembra o Kiko Loureiro por sua postura no palco e é bastante carismático. Ao final, embora sem som, ainda rolou o videoclipe do single "Just One".
O EYE OF THE BEHOLDER, que conta com o guitarrista e produtor Eric Lentini, idealizador do festival, foi a seguinte e segue a linha metal tradicional. Conseguiram empolgar boa parte da plateia e isso se deve a ótima performance do vocalista Eric Bruce.

A banda RETTURN quase não tocou devido o atraso do inicio do festival, mas por fim, subiram ao palco para detonar seu groove/thrash metal. Os integrantes já são velhos conhecidos da galera do ABC, e tocaram provisoriamente com o baterista Rodrigo Oliveira do Korzus, já que seu batera original atualmente mora na Holanda. Foi um show rápido mas deram seu recado. Espero sinceramente que eles não sumam novamente.

O HANGAR era uma das bandas mais esperadas do dia, visto o bom numero de pessoas usando camiseta do grupo, e confesso que estava bem ansioso em vê-los ao vivo, pois ainda não tinha visto uma apresentação deles com André Leite (novo vocalista). Começaram o set com a ótima "The Infallible Emperor 1956" e André mostrou todo seu poderio vocal. Com certeza André foi a melhor escolha para o HANGAR.

Ainda executaram músicas como "Hastiness", "Your Skin And Bones" e "One More Chance". O único porém foi o baixo volume da guitarra de Eduardo Martinez. Aliás, esse foi um problema em praticamente todas bandas. O volume dos instrumentos estava muito baixo, e deveria ser exatamente o contrário levando em consideração o tamanho do evento.

Tanto que quando o KORZUS iniciava seu set, a plateia gritava "aumenta o volume, aumenta o volume!". Mas mesmo assim, o KORZUS detonou como sempre. Dizer o quanto esses 5 rapazes são bons ao vivo é chover no molhado. Pompeu e Cia tiveram a plateia em suas mãos o tempo todo e executaram músicas do aclamado "Discipline of Hate" como "Truth", "My Enemy", "Never Die", e velhas conhecidas como "Guilty Silence", "Correria" e "Agony".

Um fato curioso foi quando Pompeu interrompeu uma das músicas por causa de uma garota que estava sendo agarrada no meio da plateia: "A gente acabou de tocar uma música que aborda a violência contra a mulher (referindo à música "I Am Your God") e justamente no show do Korzus eu vejo um bando de marmanjos pegando na 'teta' de uma garota? Por favor, né gente, mais respeito! E você guria, pare de provoca-los!"
A ultima banda foi o RAIMUNDOS. mas confesso que não fiz questão alguma de assisti-los. Primeiro que eu não gosto, e segundo por causa de umas coisas bem chatas que presenciei por parte de sua equipe. Onde já se viu o assessor não deixar anunciar que uma garotinha de 8 anos estava perdida da mãe e que ela aguardava que algum responsável fosse busca-la ao lado do palco? Por fim ganhou o bom senso, e o anúncio foi feito.
E ainda, eu sinceramente odeio estrelismo. Como citei anteriormente, o clima no backstage foi muito agradável, com todas as bandas interagindo entre si e com a imprensa. Daí, ao cair da noite, quando era hora da atração principal tocar, tudo mudou. De repente, ninguém mais podia ficar em determinado local por que "a banda iria passar". E ainda, a assessoria dos RAIMUNDOS exigiu que todos deixassem o palco enquanto a banda estivesse tocando, inclusive as pessoas que estavam lá para trabalhar! Será que eles estão com essa bola toda? Com certeza não. E mesmo que estivesse, uma coisa que esses músicos acostumados ao sucesso precisam entender é que estamos entrando na "era da humildade", pois ninguém mais ganha dinheiro como antes, ninguém mais vende Cds como antes, essa coisa de 'rock star' está com seus dias contados. Portanto músicos arrogantes, vamos ser mais humildes, sem estrelismos e trate bem os seus fãs, pois quem não se adaptar, vai se lascar.
De qualquer maneira, o evento foi um sucesso e espero que tenha outras edições nos próximos anos. Parabéns aos organizadores e envolvidos!
Assista ao video gravado no Beholder Fest, que mostra cenas dos bastidores:
www.diaderock.com.br: Veja as fotos de quem foi no show e compartilhe as suas.
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Julio Feriato cursou a faculdade de Letras, mas seu objetivo sempre foi ser um jornalista especializado em música. Para suprir tal anseio, editou o fanzine Shadows em 1995; e em 2004, foi um dos principais colaboradores do extinto site gaúcho Metal Attack. Atualmente, é produtor e apresentador do Heavy Nation, programa especializado em Heavy Metal transmitido semanalmente pela Rádio UOL.
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