Festival DoSol 2011: a nova geração de camisas-pretas

Resenha - Violator, Krisiun (Festival DoSol 2011, Rua Chile, Natal/RN, 05/11/2011)

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Por Bruno Bruce
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Outro ano e mais um Festival DoSol, evento de rock já inserido no calendário local e sedimentado como parte importante do cenário nacional. Para quem não é da cidade, a rua Chile, no bairro da Ribeira, recebe o público entre caminhões pesados e navios, pois trata-se da área portuária, minimamente restaurada do patrimônio histórico potiguar. Há quem identifique charme nessa mistura. Eu só cheiro perigo, embora jamais tenha sofrido um assalto ali. Esse ano não notei a Polícia Militar de modo mais ostensivo. Ausência de policiamento deixa-me inseguro!

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Foram dois dias com as habituais misturas de gênero e público. Mais ou menos como aquela festa onde você convida criaturas esdrúxulas e observa no que vai dar. Geralmente dá em bocejo de minha parte. Beirando as três décadas de inserção no underground você é incapaz de surpreender-se com outra parcela do mesmo. Mulheres em bandas, miscelâneas sonoras, tatoos, piercings, THC, bêbados, gente com camisetas engraçadas para chamar a atenção já tiveram sua cota na minha vida. Mas fui lá conferir o dia pesado porque metal ainda faz parte da minha persona.

Das quatro bandas que desejava assistir só consegui metade. Chegar antes das 17H00, para ver o estadunidense Conquest For Death despejar sua fúria, era inviável. Moramos no nordeste, onde o calor está na categoria senegalesa de intensidade. Preferi guardar a estâmina para Violator, Sanctifier e Krisium, visto que eram 13 bandas no domingo.

Fiz bem. Violator passou das minhas expectativas! Após chatice monumental da afinação/equalização dos instrumentos no palco (não há um modo de afinar-se isto antes?) o thrash metal cumpriu seu papel. Intensidade, alegria, despretensão, stages, riffs e público insano pagou meu ingresso. Discurso de Poney (baixista/vocal) sobre união rocker & paz foi pueril mas ganhou meu coração. A banda, sempre afinada pela excursão infinita em que vivem, carrega a chama headbanger ardendo forte. Bonito de ser ver.

Perdi o retorno do Sanctifier pela estrutura inadequada. O Festival DoSol é a maior confraternização do gênero rocker destas paragens e - estou errado? - do nordeste também. Merecia estar no largo da rua Chile, com mais espaço nas laterais para chegarmos aos banheiros químicos ou, simplesmente, poder transitar sem precisar nos espremer, pisoteando uns aos outros. Com os patrocínios de peso que o evento tem (Ministério da Cultura, Oi, Petrobras), renome e trânsito no meio cultural natalense, seria tarefa fácil. As atrações se dividiam entre dois palcos contíguos (grande sacada da organização). Terminando uma apresentação, outra já estava para começar no palco próximo mas era dureza atravessar o público. Você teria que escolher entre urinar, comprar cerveja ou assistir próximo show.

Corre na cidade uma lenda urbana que os caras do Krisiun são tão gente boa que chegaram até a empurrar carro de promotor de show para tirá-lo do enguiço! Algo que não vemos sempre em integrantes de uma banda de nível internacional. O que eu posso atestar é que os vi abrir mão de parte do cachê em função da baixa quantidade de pagantes uns anos atrás. Algo absurdo e jamais feito por nenhuma outra banda com cacife para ombrear com o Sepultura no quesito representatividade brasileira no metal mundial. Tascaram aquele death metal travado, pesadíssimo, que acho duro de engolir. Entendi parcialmente o que eles fazem como músicos de metal: o que as demais bandas usam como ponte/bridge numa faixa o Krisium ‘trava’ neste riff , repetindo-o à exaustão e transformam numa música completa. Foi o melhor show que vi deles, com a menor resposta do público das passagens dos irmãos Kolesne por aqui. Não entenda mal: o Krisiun fez set excepcional. Não importa se o estilo me desagrada ou se a massa parecia mais apática (cansada, talvez). O heavy metal continua a encher o Festival DoSol, com essa nova geração de camisas-pretas.

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