Mr. Big: todos cheios de amor no coração em São Paulo

Resenha - Mr. Big (HSBC Brasil, São Paulo, 09/07/2011)

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Por Igor Miranda
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Logo quando soube que o MR. BIG viria ao Brasil, me animei muito. Sou fã dos caras há mais ou menos uns sete anos e, por mais que pareça pouco tempo para vários saudosistas, conheço todo o material lançado pelos caras de cabo a rabo e a banda nunca deixou de ser uma de minhas preferidas. Mesmo com ingresso de pista em mãos, a emoção era grande, pois veria aqueles "aliens" na minha frente.

Fotos: Lilo Lima.

Após algumas horas generosas na fila (e muita furação de fila, aliás, por parte de terceiros), os portões se abriram com cerca de meia hora de atraso do horário combinado, anunciado como 19h. Compreensível, até porque o show de abertura só começaria às 21h. A abertura ficou por conta do vocalista norueguês Jørn Lande (ex-integrante do MASTERPLAN e VAGABOND) e sua banda, chamada JORN. Os instrumentistas eram bons e é fato que Lande tem uma voz incrível, potente e muito afinada. Mas as músicas da banda eram fraquíssimas, o concerto durou mais de uma hora e Lande não é original, pois desde suas composições até sua performance imitam o falecido Ronnie James DIO. O único momento animado do show foi o cover de Rainbow In The Dark (adivinha de quem?).

A ansiedade aumentava e o MR. BIG não chegava. Um minuto parecia uma hora enquanto se esperava o quarteto chegar ao palco. Quando finalmente a primeira nota de "Daddy, Brother, Lover, Little Boy" soou nos amplificadores do HSBC Brasil, toda a espera valeu a pena. Não sei sobre a pista VIP (que tinha um tamanho exagerado), mas a muvuca na pista, principalmente nas regiões próximas à grade, foi gigante. Todo mundo queria um lugarzinho pra ver Eric Martin, Paul Gilbert, Billy Sheehan e Pat Torpey fazer o show das vidas de quem estava lá.

"Daddy" deixou o pessoal frenético e "Green-Tinted Sixties Mind", apesar de ser mais lenta, largou o público aos berros. "Undertow", o single do novo álbum da banda, "What If..." era uma das poucas músicas novas que o pessoal sabia cantar. O terror pra essa galera foi a presença dessas músicas novas no repertório - mais cinco seriam tocadas. "Alive And Kickin'" teve seu refrão cantado em uníssono pela plateia e mais uma nova, a poderosa "American Beauty", veio em seguida. A entrada de bateria em "Take Cover" foi recebida aos berros e deu pra perceber, a partir dela, que a voz de Eric não estava muito boa. O menino de 50 anos (sim!) estava um pouco rouco, mas isso não comprometeu a performance nem nos vocais, nem na presença de palco - Martin estava transbordando animação.

"Just Take My Heart" serviu para deixar o pessoal cheio de amor no coração e foi um dos momentos mais emocionantes do show, mas a pesada e recente "Once Upon A Time" quebrou o clima com muita classe. A dobradinha lado B do álbum "Lean Into It", "A Little Too Loose" e "Road To Ruin", foi incrível e demonstrou como o entrosamento do quarteto é coisa de outro mundo. A ótima "Merciless" foi uma das mais inesperadas do repertório, ao menos em minha opinião. Mas boas surpresas são sempre benvindas. Antes da veloz e também recente "Still Ain't Enough For Me", o solo de guitarra de Paul Gilbert. Não foi um solo, foi o solo. Não apenas por mostrar a técnica do homem, mas por mostrar a sua emoção em estar ali. Gilbert demonstrou satisfação ao longo de todo o show, principalmente durante esse solo, feito com caras e bocas, muita melodia apesar da técnica e sem os fones de ouvido de retorno de som.

O momento de maior interação com o público foi durante a fantástica "Price You Gotta Pay". A música parou na metade para Eric Martin conversar com os presentes. Depois de declarar que "dinheiro não traz felicidade, então precisamos de mais dinheiro", o baixinho carismático prometeu que, quem cantasse junto dele, seria recompensado com sexo e chocolate. O constrante entre "Take A Walk", faixa do primeiro disco da banda, e "As Far As I Can See", presente no mais recente e já citado álbum "What If..." prova que a química entre os caras é eterna, pois esta é tão boa quanto aquela. O padrão de qualidade das composições continua o mesmo. Ainda bem.

Mais uma nova, "Around The World". Um dos melhores momentos do show ao meu ver, pois a música é fantástica e sua execução ficou igual ao registro no álbum, mesmo com os milhões de notas por segundo em alguns trechos. O solo de baixo de Billy Sheehan veio em seguida. Sheehan merece muitos créditos pois, inspiradíssimo e até um pouco bêbado, debulhou durante todo o show. O experiente baixista roubou a cena em vários momentos e, notavelmente, é o líder da banda. A clássica "Addicted To That Rush" veio logo depois do solo de Billy, com o também clássico duelo entre o baixista e Paul Gilbert. A casa de shows tremeu com o refrão da imponente música, que encerrou o show e precedeu o bis.

Antes do bis, um coro chamava o nome da banda até que os integrantes reapareceram. Gilbert anunciava que a próxima seria "To Be With You" pois segurava o violão e, mais uma vez, o local tremeu com a participação do público. Meu olhar clínico notou que foi a hora das encoxadas, mas isso fica pra outra hora (risos). A incrível "Colorado Bulldog" seguiu o momento romântico com uma performance incrível dos músicos, em especial do grande Pat Torpey. Em "Smoke On The Water", cover de DEEP PURPLE, ocorreu a troca de instrumentos que vem sendo feita desde a reunião em 2009, com direito a um Billy Sheehan com uma camiseta da Seleção Brasileira de Futebol que levava seu nome atrás. Os músicos são tão completos que tocaram muito bem outros instrumentos.

O encerramento do longo show ficou por conta de "Shy Boy", dos tempos de Sheehan no TALAS e consagrada na voz de David Lee Roth. Foi uma das únicas vezes que um cover encerrou um show de banda grande tão bem. Por fim, a promessa de que voltarão mais vezes. Billy ainda declarou que contam para todos sobre o icônico show que a banda realizou em 1994, na praia do Gonzaga em Santos, São Paulo. Espero que não demorem tanto tempo e que façam, ao menos, mais um show tão magnífico como este.

Setlist - MR. BIG:
01. Daddy, Brother, Lover, Little Boy
02. Green-Tinted Sixties Mind
03. Undertow
04. Alive And Kickin'
05. American Beauty
06. Take Cover
07. Just Take My Heart
08. Once Upon A Time
09. A Little Too Loose
10. Road To Ruin
11. Merciless
12. Paul Gilbert Guitar Solo
13. Still Ain't Enough for Me
14. Price You Gotta Pay
15. Take A Walk
16. As Far As I Can See
17. Around the World
18. Billy Sheehan Bass Solo
19. Addicted To That Rush

Bis:
20. To Be With You
21. Colorado Bulldog
22. Smoke On The Water
23. Shy Boy

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013 – apesar de ainda manter por lá uma coluna semanal, chamada Cabeçote.

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