U.D.O.: canções executadas com perfeição em São Paulo

Resenha - UDO (Carioca Club, São Paulo, 07/05/2011)

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Por Otávio Augusto Juliano
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em meio a tantos shows internacionais marcados para esse primeiro semestre de 2011, no último sábado dia 07 de maio foi a vez do vocalista alemão UDO Dirkschneider se apresentar no Carioca Club, em São Paulo, com sua banda solo, chamada simplesmente de UDO.

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Embora anunciado para 18:30h, o show de abertura da veterana banda paulistana SALÁRIO MÍNIMO começou com meia hora de atraso e acabou tendo que ser encurtado, conforme anunciado pelo próprio vocalista China Lee. Em 35 minutos de apresentação, o SALÁRIO MÍNIMO agitou com músicas como “Beijo Fatal”, “Anjos da Escuridão” e “Cabeça Metal”, contando ainda com a participação de Jack Santiago, da banda HARPPIA, cantando “Salem (A cidade das Bruxas)”.

Durante o curto show de abertura, o vocalista China Lee se dividiu entre cantar as canções do SALÁRIO MÍNIMO e lamentar “a dificuldade de se fazer Metal cantado em português” (palavras dele durante o show), além de aproveitar para cutucar a produção das bandas internacionais e afirmar que “eles não gostam de vocês”, em uma clara alusão ao suposto fato de que os artistas internacionais não ligam para os fãs brasileiros.

Um tanto quanto inconvenientes as colocações do vocalista, afinal em seguida um artista internacional subiria no palco do Carioca Club. Mas nada disso fez com que o público desanimasse, aplaudindo bastante a curta, mas empolgante apresentação do SALÁRIO MÍNIMO.

Esse atraso inicial, somado ao fato de que o ajuste dos instrumentos (principalmente da bateria) da banda UDO demorou mais quase 1 hora, fez com que a principal atração da noite somente iniciasse seu show às 20:30h (o show havia sido anunciado para 19:30h).

Com “The Bogeyman”, o lendário vocalista apareceu no palco, para delírio do bom público presente, dando início a sua segunda apresentação em território brasileiro (a primeira passagem foi em 2004).

Incrível ver um senhor de 59 anos com uma voz a la “Pato Donald do Metal” ainda ter energia e pique para comandar o show com maestria, vestido com suas tradicionais roupas camufladas e acompanhado de um “exército” de primeira linha nas guitarras, baixo e bateria.

Conhecido mundialmente por ser o fundador da banda ACCEPT, UDO há anos deixou seu antigo grupo e segue uma bem sucedida carreira solo, sem deixar de lado os sucessos de sua antiga banda. Praticamente metade do set list foi dedicado ao ACCEPT e nem preciso dizer que as canções foram executadas com perfeição, contando com umas das vozes mais conhecidas e respeitadas do Metal.

Se houve demora para ajustar os instrumentos antes do início da apresentação, os fãs puderam colher os frutos depois: a qualidade do som estava impecável – ouvia-se todos os instrumentos e o volume estava adequado, sem deixar o público surdo.

Mesclando canções de sua já bastante extensa carreira solo (são ao todo 12 álbuns de estúdio lançados e mais um por vir) com músicas do ACCEPT, UDO empolgou durante todo o show o público presente, como nas clássicas “Princess Of The Dawn” e “Midnight Mover”, além da rápida e pesada “Breaker”, todas de sua ex-banda. As escolhidas de sua carreira solo também mantiveram a empolgação dos fãs e muitas delas foram acompanhadas pelos fãs, afinal UDO tem uma brilhante carreira pós-ACCEPT e seus álbuns sempre mantiveram a energia e agressividade nas músicas.

O pequeno palco do Carioca Club foi tomado pela banda de UDO e todos os músicos se mostraram simpáticos e animados para a apresentação de São Paulo. O guitarrista Igor Gianola ainda teve seu momento particular ao executar um pequeno solo e aparecer de surpresa em um dos camarotes laterais, tocando no meio dos fãs. Stefan (ex-baterista do ACCEPT e velho parceiro de UDO) também por muitas vezes pediu para o público agitar e ainda brincou com o vocalista em algumas oportunidades, como quando UDO colocou sua cabeça no braço da guitarra de Kaufmann.

Em 1 hora e meia de show, UDO provou mais uma vez que é uma entidade do Metal mundial e muito querido por seus antigos fãs do ACCEPT e por novos fãs. Admiração que, aliás, levou alguns presentes a subirem no palco para abraçar o velho mestre, causando a ira de roadies e seguranças, mas não de UDO que, embora visivelmente incomodado, abraçou aqueles que conseguiram chegar até ele, sem perder o pique para continuar cantando.

Fica apenas o registro negativo de que o set list inicialmente proposto pela banda acabou sendo cortado e não houve os segundo bis. Isso foi confirmado porque alguns dos fãs presentes receberam das mãos dos roadies o set list que estava colado no palco e estava prevista mesmo a execução de mais três músicas (do ACCEPT). Houve ainda um protesto pela continuação do show, mas as luzes estavam acessas e a porta da entrada aberta. Era hora de seguir viagem e deixar o espaço para ser ocupado por pagodeiros que talvez nunca tenham ouvido falar do Sr. UDO.

Uma pena, pois nunca é demais ouvir Metal de qualidade e bem executado, mas fica para uma próxima oportunidade. É torcer para que o retorno desse senhor baixinho de voz rasgada e roupas camufladas ocorra em breve!

Agradecimentos a Rádio e TV Corsário pela atenção e credenciamento.

Banda:

Udo Dirkschneider – vocal
Stefan Kaufmann – guitarra
Igor Gianola – guitarra
Fitty Wienhold – baixo
Francesco Jovino – bateria

Set List:

1. The Bogeyman
2. Dominator
3. Independence Day
4. The Bullet and the Bomb
5. Restless and Wild
6. Son of a Bitch
7. Thunderball
8. Vendetta
9. Princess of the Dawn
10. Midnight Mover
11. Man and Machine
12. Breaker
13. Animal House
14. Metal Heart
---------------------
15. Holy
16. Balls to the Wall

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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